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| Ready for the big party |
sexta-feira, 29 de setembro de 2017
terça-feira, 26 de setembro de 2017
BLACK
FALLS
Da série “sonhos que sonhei”
Era um sonho. Um sonho louco, escuro, obscuro,
duro. Um sonho que se repetia com imagens elaboradas, em um preto e branco de
fortes contrastes. Um sonho que não ia embora, não saia, não acabava.
Gigantesca queda. Uma Niagara, Victoria ou
Foz de Iguaçu em tamanho, volume d’água. Mas era uma cachoeira de águas negras.
Negras como a noite escura em um firmamento de estrelas gigantes e um sol frio,
platinado, misterioso.
Um sol onde se podia olhar diretamente. Um
sol que tinha a cor das estrelas e iluminava como a lua cheia.
Via a negritude das águas revoltas em
volutas barrocas em prata ardente. A queda em ferradura, concentrada, revolta,
ensurdecedora, dominante. As formas mutáveis e dançantes que se lançavam em um
abismo infinito. Via ao lado, cavado no negro basalto um caminho esculpido na
pedra bruta, sensual. Bailantes serpentinas argênteas entravam e saiam em túneis
paralelos à queda principal. Sem nela entrar, sem nela se misturar a serpente de
águas escuras e brilho de prata seguia o descer da queda num tobogã espiralado,
veloz, louco, de bordados borbulhantes.
Sabia não estar aqui. Sabia ser algo de uma
galáxia distante, um outro planeta, de um mundo ainda não visitado. Havia
semelhança nas formas mas não existiam cores. Era tudo negro, um platinado à
dançar sobre um branco ofuscante.
Se sonhos são feitos de imagens compiladas,
este não o era. Era sim o exemplo do desdobramento do espírito a ver aquilo que
os olhos nunca fitaram.
E assim, de repente, uma visão celestial
surgiu.
E era linda… Em cores cintilava sobre o
pano escuro que a emoldurava. Totalmente nua a diva de cabelos dourados e olhos
de cristal rosáceo flutuava sobre o manto líquido, iluminava a noite escura, tremeluzia
sobre as águas de ébano, contrastava com a prata reluzente e seduzia com o mais
divino sorriso.
Com a mão estendida levou-me à serpente de água
que descia paralela à grande queda. Puxou-me gentilmente, deixando-me sentir o
envolver do líquido que me tomava em uma viagem de curvas tão intensas quanto aquelas
de seu corpo despido.
Não resistí… sucumbindo a um desejo
inconfesso me perdí. Me achei em seus braços, molhado, rodopiando nas volutas
barrocas dos insanos movimentos do negrume líquido. Descí o infernal tobogã na
velocidade da luz. Era macio, leve, molhado e ensurdecedor. Nunca soltei sua mão,
e assim, ao fundo cheguei, em um remanso calmo, iluminado pelo sol prateado
refletido no negro espelho.
A musa sorriu. Nunca ouví o som de sua voz.
Não sei quão lindo seria. Nunca quis dalí sair, nem sei se podia.
Acordei e pensei. Que lindo sonho era, que
bela terra escura, que suave fragância me envolvia, que loucuras eu sentia. Pedí
para voltar…
Sonho, de novo, em sonhar e a bela
novamente achar…
domingo, 24 de setembro de 2017
040
(cosiderações sobre uma estrada ridícula)
Coisa de doidos…
Privatizaram, em estilo PT, uma estrada federal que liga a atual federal
capital à ex-capital federal. O estilo é coisa de gênios pelegos…Pedágio barato
“para demagogia típica”, prováveis pixulecos de praxe = estrada de engenharia silvícola.
Economês “socialista” = retorno no investimento negativo.
Já estão devolvendo a dita, é claro…
Fim do mundo…e olha que a concessionária pediu para administrar o
anel rodoviário, em BH.
Seria porque queria tirar a responsabilidade criminal dos diretores
do tal DNIT?
O dito anel é fábrica de defuntos.
A estrada, não duplicada, é um vexame. Mal sinalizada, desnivelada,
cheia de quebra-molas, curvas descompensadas, um verdadeiro exemplo de como não
fazer uma rodovia. E tem que pagar pedágio.
Em qualquer lugar do mundo o pedágio vem depois das obras feitas.
Aqui paga-se primeiro…pasmem, para não ter as obras feitas ou mal feitas.
Os limites de velocidade são variados e variáveis. Em um km troca-se
de limites cinco a seis vezes. Pergunta-se…deve-se prestar a atenção na via,
nos veículos que nela estão, mão e contra-mão, ou nas placas que mudam de 110 a
40 em 200 metros? Que tal 70 e 90 virando 60 e 40 intermitentemente ao longo de
curtos espaços?
Haja freios…
O motorista enlouquece. Ver sinais, radares, pardais, quebra-molas instantâneos
ou ver o tráfego, a curva, o buraco, o veículo na contra-mão?
Devem achar que somos todos palhaços ou que a nossas vidas nada valem.
Vale somente os vales que retiram de nosso bolso para sustentar demagogia
barata, burrice crônica, corrupção sistêmica, incompetência plena.
Bando de imbecis. Políticos cretinos. Voltem ao inferno de onde
vieram. Levem consigo seus pútridos ditames, seus vícios nojentos, suas faces
safadas.
Vade Retrum…
Aproveitem e levem também suas vermelhas bandeiras.
quarta-feira, 20 de setembro de 2017
THE GRIM REAPER
brincando com a morte
The grim reaper, a morte …
Dizem que
nascemos com uma certeza absoluta…um dia morreremos.
Ao nosso
lado estará a figura assustadora que ceifa a corda que nos une à alma. Não a
vemos, mas lá está, silente, imponente, assustadora. Nos visita na hora
marcada. Não tarda, não erra. Nada diz, mas é a personificação do além, a tal “afterlife”, se realmente existe.
Dizem que é
masculina em sua natureza, mas em outras mitologias, como a eslávica, é uma
figura feminina, chamada Mazanna.
Prefereria
morrer nas lâminas da segunda.
Um grande
amigo, em suas horas de filosofia fúnebre pediu: “Quando partir quero deixar um
estipêndio para ser gasto em um ventilador, uma mão de lata enferrujada,
articulada, presa à minha lápide. O ventilador será para prover o vento que a
movimentará para a esquerda e direita, como um adeus mecânico em um moto
perpétuo. Peço colocá-lo em frente à minha tumba com as inscrições…se houver
vida após a morte…Até Breve…se não…Adeus Para Sempre.”
Se ao
morrer, ceifado, desconectado desta vida, sentirmos o desligar, e, neste
momento o apagar das luzes, saberemos, nem que por um instante, que isto
aconteceu, então…estaremos vivos. Só que em outro lugar, dimensão, inferno ou
redenção.
Se nosso não
tão caro companheiro, o Grim Reaper,
simplesmente nos desconectar, então nada saberemos e nem mesmo o veremos. A
negritude do nada prevalescerá. O fim será realmente finito, caput, nyet, nada.
Que
pena…valerão os esforços passados? Valerá a vida exemplar, o sofrimento
sofrido, a tristeza mais triste? Ou deveríamos ter vivido a vida no egoísmo, na
embriaguês do poder, no vício, na traição e na luxúria?
A certeza de
que nosso companheiro dos últimos instantes alí estará serviria como a existência
de um passaporte para outra vida?
O barqueiro
do rio Styx pede pela moeda, o óbulo. Sem ela não nos levará ao outro lado, é
necessário portanto, o pagamento. Dizem, e não sei por que, que se parecem. O Grim Reaper e Caronte, filho de Nix, a
noite. Mas Caronte o levará ao lado de Hades, senhor das trevas. Sem o
pagamento irás vagar por cem anos nesta margem.
E os anjos?
Almas luminosas existiriam para não seres presos pelas garras de Hades? Para
estas almas merecedoras de um outro fim mais nobre, caberia uma recompensa?
Corro os
olhos para a humanidade. Vejo a ganância, o ódio, a corrupção, o desvairio, a
tragédia, o desalento. Destruição de tudo, até de nossa mãe Gaia, que nos
acalenta.
Me lembra a
mitologia que a mãe terra, Gaia, era vingativa com quem a traía. Até Zeus,
filho de Reia e Cronos sentiu sua ira. O que a impede hoje, de fazer o mesmo
com o homem, filho mortal e insensato?
No ocaso da
idade sinto o Grim Reaper mais perto.
O hálito da morte perdeu suas nefastas emanações oloríficas. Chego até pensar
que há um perfume misterioso no viajar à “afterlife”.
Não o temo. Digo que, se me aturou por tanto tempo, não deve ser tão mau assim.
Já reservei
meu óbulo. Não sei se comprarei o ventilador e a mãozinha enferrujada do meu
amigo, muito menos a lápide, pois não acredito em ocupar o espaço dos vivos nos
braços de Gaia. Serei cremado e a ela retornarei, agradecido.
Mas, caso tenha de atravessar o rio Styx, terei comigo o preço da passagem.
Mas, caso tenha de atravessar o rio Styx, terei comigo o preço da passagem.
terça-feira, 19 de setembro de 2017
CERTO OU ERRADO?
Considerações sobre a mostra Queermuseu
Dizem que arte é a manifestação do homem ao por em prática uma
ideia. Atividade que supõe a criação de sensações ou estados de espírito,
geralmente de caráter estético, mas carregados de vivência íntima e profunda.
Arte é a capacidade criadora de expressar ou transmitir sensações
ou ainda aquela, natural ou adquirida, de levar adiante os meios necessários para
se obter resultados.
Na sua forma vanguardista é aquela que apresenta características
inovadoras na forma e no conteúdo, opondo-se geralmente aos padrões aceitos
pelo consenso geral.
Dessa maneira define-se arte, pelo menos em dicionários.
Mas arte é também uma travessura, mágica, espetáculo e até
aquela do diabo, seja por desgraça ou infelicidade. Fazer arte fica mais para
pintar o sete do que pintar o belo.
Arte não representa necessariamente a beleza. É até mais fácil
usá-la para expressar uma ação qualquer. Boa ou má.
Museus e mostras contemporâneas se deleitam em ver a reação de
todos. Às vezes, quanto pior, melhor. Falem mal, mas falem…e falem muito.
Em arte se mostra o bom e o mau gosto. Existem os que querem sempre ver o primeiro,
como existem os que gostam do segundo.
O fato é que não deveríamos privar a manifestação de um ou
outro, mesmo que o segundo, o mau gosto, seja geralmente ruim.
Em Inhotim, um magnífico museu de arte contemporânea, existem
mostras excelentes. Mas também há outras de qualidade duvidosa.
É certo que o tempo deixará sobreviver somente aquelas que
realmente poderiam serem qualificadas de inovadoras ou vanguardistas.
E, na peneira do tempo, pouquíssimas sobreviverão.
No MOMA encontramos um quadrado branco sobre uma tela branca.
Kazimir Malevich assim o fez em 1918. Causou reações, todas variadas, e ainda
as causa. Sobreviveu, mas isto não significa que se alguém pintar um quadrado
amarelo sobre uma tela da mesma cor terá o mesmo êxito.
Em Porto Alegre, um desavisado banco patrocinou uma exposição
cujo conteúdo tinha muito pouco de arte e uma dose exagerada de política e maus
costumes.
Misturaram a vontade de serem criativos na forma e conteúdo e
se perderam em uma mixórdia de qualidade técnica pobre, composições
desequilibradas, arte deformada em linhas, texto, contexto e forma.
Causaram reação por oporem-se à padrões e consenso geral.
Causaram espécie ao transmitir sensação de revolta. Por isso,
não pode ser desprezada como manifestação, seja ela, a exposição, quase-artística,
semi ou até mesmo anti.
Era uma mostra de mau gosto. Péssima por natureza, horrível por
conteúdo, pobre por imaginação, ridícula por pretensão.
Mas era uma mostra e, como tal tinha seu direito a ser vista
por quem quer assim quisesse, menos por crianças.
Pois a verdade atrás da miserável obra jazia o intuito subliminar
de deformar aqueles que ainda não estão preparados para discernir sobre imposições
ideológicas cuja essência não tem respaldo científico.
Infelizmente, em um mundo que pensa à esquerda se inclina mais
ainda à sinistra. Sinistru, do latim,
o que é de mau agouro, fúnebre funesto.
Pois funesta é a mentalidade daqueles que usam a arte como subterfúgio para expressar
suas doentias mentes.
Uma travessura, pintando o sete em brincadeira sem graça. Sem
arte nenhuma…
Uma idiotice à ocupar espaço de maneira inútil. Tão pobre
quanto as mentes que as criaram.
segunda-feira, 18 de setembro de 2017
O DESPERTAR DE UM SONHO
Noite de sonhos loucos. Noite de sonhos em que sonhos se
sonham. Um entrelaçar de imagens que não fazem sentido mas causam o sentir de
um estranho e etéreo mundo.
Noite de sonhos claros em escuros aros. Círculos de luz
difusa, rodas de fogo fátuo. Fatos sem nexo e histórias desconexas.
Noite de sonhos acordados. De acordes sem som, de sonhos
desacordados. No desmaio da alma, do subconsciente, no confuso do mundo difuso,
louco, sem o sentido das coisas, ordem da desordem, vagas divagações.
Noite de fogo insano, de luzes apagadas, de negro escuro,
de luz inexistente, de um sol poente.
Noite em decúbito, em morte lenta e despertar
desfalecido. Pois se abrem os olhos sem se olhar, se abre a alma que já morreu.
Morreu na mixórdia de imagens, na loucura da história que nada contava e tudo
dizia.
Perdido se achou, não mais procurou. Pois alí, na cama
dolente, no embalo da mente, se mente por não acreditar que sonhando estava, se
achava, vivo era.
Assim acordou…
E o sonho se foi…
Ficou…
Somente o ácido, na boca seca, nos lábios rachados, no gosto
do fel, da maldição negra que sua alma sofreu.
Desfaleceu…
Ao sonho, que não era sonho, voltou…
domingo, 17 de setembro de 2017
QUEIMADAS
Palavras em um momento de desalento com
o ser humano ao ver o incêndio, por ele provocado, destruir a beleza das serras
do rola moça e calçada. (setembro 2017)
Chega setembro…
O vento frio foge, deixando a bruma tomar o
horizonte.
Seca, cinza, quente e sem graça ofusca as
estrelas, descolore o sol.
Mas, mesmo assim, sem a graça do verde da
primavera, sem o frio das noites cintilantes, sem o cheiro das flores, ouve-se o trinar dos pássaros
em cânticos de amor. Pois a primavera está logo alí, na primeira curva, pedindo
passagem, pedindo para o mundo colorir.
Mas em setembro têm os homens. Criaturas que aqui,
em Gaia, também existem… Mas não coexistem…Pois homem é a criatura que não
pensa que a Terra o acolhe por amor. Pensa que dela é dono. Um dono desleixado,
arrogante, pretencioso, que finge amar, mas não sabe. Pois amar é dar, e não
tomar…
Em setembro, brinca com fogo... E fogo é coisa do
demônio. Hades, com seu capacete invisível os comanda, incitando suas almas
incendiárias, covardes e destruidoras. Pois este, o homem, é aquele que nesta época
seca, triste, no ocaso da vegetação as incendeia, só para ver como fica. E em
danças insanas, em um balé obsceno, pulula ao crepitar do fogo, adorando a
destruição, a morte das coisas, o decúbito da beleza.
Morre a natureza linda… Morrem as criaturinhas que
nela viviam, more o belo, morre até o crepúsculo em cores esmaecidas. Fica o
desamor, a desolação, a bruma espessa, o ofuscado sol poente.
Não canta o sabiá, não voam os sanhaçus. Não te vê
o bem-te-ví, não voa o colibrí.
Fica o homem, o piromaníaco estúpido, filho das
entranhas da Terra, protegido de Hades.
Outrora amado pelos deuses do Olimpo, hoje, frio,
seco, desprovido de amor por Gaia, este, que nela vive como um cancer, despreza
sua beleza, vive de seu egoísmo, suga-lhe a seiva, o mel que o abençoaria. Mel
que lhe desce como fel. Seiva que o envenena pelo ódio ao belo, rejeitando o
amor da mãe que o acalenta, rejeitando o carinho de todos aqueles que nela
habitam, coexistem e a respeitam.
Assim queima.
Assim dança, num frenesi insano balança, pula,
canta, se inferna. Se queima, se morre, se mata.
E nas chamas que lançou, nos braços de Hades se
entrelaça, para que no inferno que criou…
dele nunca mais queira sair…
sexta-feira, 15 de setembro de 2017
VILAS MAIS VIVAS
Ao longo dos anos e até nos paises mais desenvolvidos,
cidades nasceram e cresceram com áreas menos desenvolvidas como parte viva de
sua história.
Em Roma o aventino era a área menos desejada. Naquela
época, até as vilas gregas não eram tão bonitas, brancas e sedutoras. Eram
feitas de edificações em madeira ou alvenaria sem acabamento. Toscas na forma e
aparência.
De uma certa maneira as nossas favelas assim o são.
Mas são feias porque não são acabadas. O mal de deixar as edificações nuas, em
sua cor de tijolos furados deixa a impressão de desalento e desamor. E isso
acontece pela cidade afora.
Se, por um momento de brilhantismo, nossos ilustres
urbanistas, arquitetos, sociólogos e políticos penssassem em nossas favelas
como obras acabadas, estes mesmos casebres que se apresentam tão desnudados,
uma vez rebocados e pintados de branco, transformados em vilas mais vivas, nos
dariam um visual mais próximo à um monte grego e não um de entulhos.
Substituir uma favela pode se tornar inviável social e
economicamente. Arrumá-la, pintá-la, acabá-la pode trazer paz e harmonia.
E que isto seja feito sem penalizar o morador com
impostos, mas sim através da isenção dos mesmos.
Uma vila mais viva eleva a alma de seus habitantes,
Para os que passam ao largo, eleva a autoestima de um povo.
terça-feira, 12 de setembro de 2017
A GAIOLA DOURADA
Não sabia que era um pássaro. Ave rara, emplumada.
Vivia feliz pois se achava livre. Entre cores de suas
penas e penas de suas cores pululava de galho em galho sempre a trinar.
Cantava, compunha, voava. E em vôos mil se sentia um dono
do mundo.
Curioso, via nestes vôos uma gaiola dourada à brilhar,
pendurada na varanda de um bangalô.
Atreveu-se dela se aproximar. E nela adentrou…
Não se sabe se nela ficou, se ela fechou, se dela gostou.
Mas, dentro dela se sentiu confortável. Comia, bebia,
cantava, pulava. Só não voava…
A bela que o adorava gostava de suas plumas, de seu
canto. Pela bela ficava nela, a gaiola, que brilhava aos raios do sol poente,
dourada que era.
Mas um pássaro é livre, quer ser sempre livre. Sem seus vôos
ficou triste. E pássaro triste não canta, então, não encanta.
A bela sentiu que não mais o tinha, abriu as portas da
casa dourada. Deixou que procurasse aquilo que o fizesse feliz, deixou-o livre,
a voar.
Mas o pássaro alegre, de muitas cores e canto sutil
sentiu a ausência da bela musa que lhe dava o amor. Voltava de vez em quando e
de quando em vez cantava, de fora da gaiola, na janela, nas tardes de outono.
A gaiola abandonada se enferrujou. Seu brilho de ouro
apagou, suas portas cairam, suas grades partiram. Mas o pássaro cantante com
suas penas brilhantes feliz saltitava, e, em trinados alegres dizia à musa que
dela, longe... não ficaria.
Acabou-se a gaiola, ficou a janela, e nela, o pássaro
livre a amar a musa que o amava, a bailar suas asas ao vento das montanhas, a
cantar seus cânticos de um amor que só existe quando livre se é, quando livre
se dá.
E a musa, dia após dia, feliz esperava a visita daquele
que seu coração conquistara.
E o pássaro livre mais lindo cantou…
E o pássaro livre nunca mais a deixou…
domingo, 3 de setembro de 2017
VERTICALIDADE
INCLINADA
A lei da gravidade e um fio de prumo não são usados
nos postes de nossas ruas. Talvez seja a vontade premente de se fazer arte com
os mesmos já que aliados aos fios criam desenhos estapafúrdios, de caráter
quase tão surrealista quanto as obras de Dali.
E difícil encontrar um poste em prumo. Na verdade,
como êles muitas vezes são usados para faixas e cartazes provincianos,
empastelados por mensagens de amores a serem achados ou retornados são também
alvos dos nossos excelentes motoristas que os usam para paradas extremamente rápidas
ou como ferramenta para redecorar a forma de suas viaturas.
As cidades organizadas não precisam de ter
investimentos altíssimos para serem agradáveis aos olhos. Basta um pouco de bom
gosto e aplicação severa das posturas municipais. Os passeios, meio fios,
postes e outros mobiliários urbanos quando bem colocados e assentados
demonstram uma sensação de ordem e equilíbrio. E isso e perceptível ao nosso
subconsciente.
Em vez disto encontramos postes ao lado de postes, árvores
podadas para parecerem aleijadas, fios desorganizados, embolados, pendurados,
puxados, abandonados, postes desaprumados, inclinados em direções diversas,
amassados, arrebentados, entortados de forma a parecerem criaturas de uma outra
perdida dimensão.
Que tal usar o prumo? Será que ja não sabem o que
significa?
URBANISMO DESUMANO
Na ciência urbana a preocupação maior é organizar espaço e edificações de maneira harmônica e
agradável aos olhos humanos.
Parece pouco, mas é muito. As mais belas cidades deslumbram pelo equilíbrio
das massas edificadas e seus corredores de acesso. Os prédios primam por
alturas semelhantes, fachadas equilibradas e equidistantes. As vias por
evitarem a descontinuidade e desequilíbrio de seu mobiliário.
Assim se vê uma Paris ou Ouro Preto.
Aqui, inventaram o prédio sobre uma calçada
recuperada. Este é um termo técnico para explicar a construção no limite
frontal do terreno para andares ou marquises superiores, recuando a fachada ao
rés-do-chão. Criam-se assim volumes
enormes e desproporcionais impedindo a visão e sufocando o transeunte. Tudo
isto para guardar uns carros.
Horrível! Cria-se um efeito visual brutalista e desumano.
Há que se pensar em forma melhor de alargar passeios e ruas.
Que tal não permitir a construção em lotes tão
pequenos? Ou limitar a altura das fachadas? Ou até colocar as garagens no subsolo?
A cidade não é para veículos, mas para gente. O resto é complementar.
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