O DESPERTAR DE UM SONHO
Noite de sonhos loucos. Noite de sonhos em que sonhos se
sonham. Um entrelaçar de imagens que não fazem sentido mas causam o sentir de
um estranho e etéreo mundo.
Noite de sonhos claros em escuros aros. Círculos de luz
difusa, rodas de fogo fátuo. Fatos sem nexo e histórias desconexas.
Noite de sonhos acordados. De acordes sem som, de sonhos
desacordados. No desmaio da alma, do subconsciente, no confuso do mundo difuso,
louco, sem o sentido das coisas, ordem da desordem, vagas divagações.
Noite de fogo insano, de luzes apagadas, de negro escuro,
de luz inexistente, de um sol poente.
Noite em decúbito, em morte lenta e despertar
desfalecido. Pois se abrem os olhos sem se olhar, se abre a alma que já morreu.
Morreu na mixórdia de imagens, na loucura da história que nada contava e tudo
dizia.
Perdido se achou, não mais procurou. Pois alí, na cama
dolente, no embalo da mente, se mente por não acreditar que sonhando estava, se
achava, vivo era.
Assim acordou…
E o sonho se foi…
Ficou…
Somente o ácido, na boca seca, nos lábios rachados, no gosto
do fel, da maldição negra que sua alma sofreu.
Desfaleceu…
Ao sonho, que não era sonho, voltou…
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