IN MEMORIAM
Palavras
para o irmão que se foi
Ricardo Gilberti
19/nov/1949
27/fev/2021
Era o irmão do meio e ficava entre as chaturas dos mais
velhos e proteção aos dois últimos.
Talvez ali, naquela posição já mostrava que seria um grande
mediador, um irmão que agregava, que ponderava, que ajudava.
Mais quieto, mais sábio, mais inteligente, sempre excelente
aluno, escolhendo uma profissão onde o erro não poderia existir.
Formou-se engenheiro. Grande calculista, fazia contas de
cabeça melhor do que os “Hewlett Packards” da época. E foi em uma destas contas
que descobriu que sua brilhante mente não era mais aquela. Um câncer brutal
tomava parte de sua cabeça. Operou duas vezes mas este não foi embora.
Tomou-lhe tudo, seus movimentos, suas palavras, seus cálculos. Somente não lhe
tomou seu sorriso. Partiu sereno não deixando ver o sofrimento final que estes
cânceres mostram à todos, em suas artimanhas derradeiras. Coisas grotescas que
crescem dentro de você, devoram, empurram, entranham tirando tudo, até seus
pensamentos.
Ricardo era iluminado. Meu irmãozinho querido.
Trabalhamos juntos algumas vezes mas foi com o Sérgio, o caçula,
onde mais se realizou.
Das pescarias malucas onde peixes nunca vinham, às peladas
de futebol, o cantar em serestas, os cappellettis que fazia.
Quatro lindos e inteligentes filhos. Todos bem casados com
parceiras divinas e filhos cheios de alegrias.
Meu irmão: Você não era adepto das coisas religiosas, não
acreditava em aquecimento global e outras besteiras que os semi analfabetos de
hoje se agarram por não terem uma visão mais ampla das coisas deste planeta.
Agora, estes mistérios lhe serão revelados. Espero que faças deste outro mundo
algo tão bom quanto fizeste aqui.
Descanse em paz meu querido irmão.
Até breve.
