terça-feira, 31 de outubro de 2017

ERA IMPRESSIONISMO?

Dizem que pintava…tudo.

Mas nada pintava.

Na tela mal se via uma linha, uma pincelada, um pingo de tinta. Até rabiscos faltavam.

Já a havia assinado. Isto ele soube fazer. Enquanto a inspiração não vinha, assinou-a, e…caprichou.

Mas a tela, hora após hora, nada agora, nada depois.

Pensou em desistir. Quiz que a noite chegasse. Esta, escura, lhe seria mais dócil. Um pincelar negro, um piscar de estrelas em pingos argênteos. 

Entusiasmou-se.

Teria chegado o sonho, a visão?

Mas a noite chegou e a tela branca ficou…assinada.

Na eletrola colocou um LP antigo. O som era lindo. Viu Starry Night em música, ouviu Van Gogh traduzido em sons macios, sentimentais, lânguidos. Viu os pincéis bailarem na paleta vazia.

Abriu um Jack. Sorveu-o direto do gargalo em goles trôpegos, engasgantes. Deixou-se flutuar no som divino e no álcool inebriante. Em espirais sua mente turbilhou. Havia cores em seus olhos fechados. Centelhas pulsantes em volutas gregas. Lábios acesos, luxuriantes, umedecidos. Um baton de um carmim intenso, um jato de sangue esfuziante. Espalhavam-se na tela como os óleos da paleta seca. Borravam, dançavam, esculpiam piruetas em tintas coloridas.

Ousou abrir os olhos…a tela continuava nua, assinada.

Desesperou-se. Em gemidos depressivos contorceu-se. Enrolado em tosca manta sentiu o frio da decepção. A noite se acabava e a tela não mudava. Muda ficava…muda estava.

O cannabis na mesa o convidava à reflexão. Não aquela do quadro mudo, mas aquela da viagem à mundos que, se ainda não vistos, se materializariam em sua tela desnuda. Bastava experimentar…quem sabe com o ácido que o levaria ao Nirvana? Não hesitou…

Do Jack ao ácido, do cannabis ao sonho, a visão lhe chegou.

Em pinceladas frenéticas e puntilistas cobria o tecido vazio. Em girassóis insanos se perdia nos movimentos enlouquecidos, palpitantes. O rufar de tambores selvagens, o pulsar de corações frenéticos, o entrelaçar de corpos desnudos, o sexo louco, despudorado, o desfalecer dos sentidos refletidos no pano que lhe recusava a forma.

Sentiu-se partindo. A noite havia voltado. Voltado em sua mente já turva e confusa.

Lutou por um momento de luz, de lucidez, de claridade…

Seus olhos entreabertos lhe deixaram ver, por um breve instante, sua mais intensa obra de arte. Do impressionismo que queria ficou-lhe somente a impressão.

A tela continuava vazia…assinada.

Morreu.

Alí, caído, o corpo inerte em estertor único e último moveu-se em um fibrillar descontrolado. Sua trêmula mão, o pincel, as tintas, as cores entremeadas, rodopiaram na tela vazia.

Foi realmente seu melhor quadro…


Pena que nunca o viu…

Hybiscus

Yellow Hybiscus

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

O MENINO TRISTE



Quando esperava, dizia que aquela criança era o bebê mais delicado que havia visto. Flutuava como uma pena, parecia vibrar em seu ventre, doce, gentilmente…

Quando nasceu, não sentiu nada. Um nada em termos físicos, um tudo em um tsunami de amor.

Quando crescia, não chorava. Parecia que cantava, uma canção que não se ouvia, mas se sentia.

Quando virou criança, em passos trôpegos, corria para os seus braços. Corria sempre, com um olhar triste e um sorriso iluminado. Corria célere, silente, radiante, esfuziante.

De sua boca nunca saiu um som, um choro, um murmúrio, Mas chorava, com seus olhos azuis. Um azul do céu, profundo, triste e cheio de carinho. Seus olhos falavam.

Nas brigas dos irmãos trazia a paz com sua simples presença. 

Nos folguedos trazia alegria, fugia a tristeza.

Disse alguém que o vira perto de um sabiá morto. O carcará, em luta terrível o havia abatido quando defendia seu ninho. Alí caído, inerte, com sua plumagem de tons laranjas e cinzas da terra, estava estático, imóvel. De seu dedo indicador uma luz de um azul celestial brilhou por um interminável segundo. O pássaro voou e no seu vôo rodopiava a seu redor tocando-o levemente na face partindo com um cantar de primavera. Dó, Mí, Sol…Dó, Mí, Sol…

Quando na noite chorava, triste pelas desditas da vida, triste pelo amor perdido, o marido que fugiu, a luta diária, o trabalho de muher e homem que agora enfrentava, o via se aproximar como se ao chão não tocasse e, flutuando a beijava na testa. O choro fugia, um calor intenso penetrava em seu coração e alí, naquele momento sentia-se a mais feliz das mães.

Mães não veem defeitos em seus rebentos. Somente o belo, as virtudes que, se ainda não têm, certamente as terão, um dia. 

Mães deixam o amor perpétuo envolver seus filhos. Amor que nunca é maculado, mesmo quando o ingrato filho não consegue enxergá-lo. Mas ele ingrato não era. Era uma criatura que parecia não ser daquí. Nunca falou, mas sempre disse tudo. Nunca se mostrou feliz, mas irradiava a paz, a harmonia, o carinho.

Parecia sempre cantar. Ouvia-se um Mozart quando fitava. Ouvia-se um Puccini quando Butterfly perdia seu filho, num momento pungente de um coração dilacerado. Ouvia-se o cantar de anjos. Mas nada era tocado, nada era ouvido, tudo era sentido, um tudo em tudo. Era somente ele, alí, a olhar. O silêncio mais ruidoso que alguém poderia sentir.

E um dia ela adoeceu. Em sua doença, sentiu que partiria. As lágrimas vertidas queimavam sua face. Que seria de sua prole. Que seria do triste menino, que nada falava e tudo dizia, que seria de sua família?

Pediu ao Pai, num momento de contrição e fé indescritível que a poupasse. Que lhe desse tempo para encaminhá-los na vida, que os abençoasse. Pediu perdão por tudo, até por existir. Pediu pelo triste menino…

No dia seguinte acordou. Não mais se encontrava enferma. Não mais desenganada. Sentia-se jovem, mais linda, cheia de energia e amor. Em um movimento rápido correu para beijar seus filhos. 

Agradecer à Deus por alí estar, agradecer por poder tocá-los, agradecer por poder velá-los.

Achou-os todos, menos o menino triste.

Em sua pequenina cama, impecavelmente arrumada… um bilhete.

Não era um bilhete qualquer. Reluzia…

Letras prateadas contavam uma pequena mensagem:

Mãezinha, são estas minhas palavras, as primeiras e últimas. Vim para velar por tí, pois a tí amo e sempre amei. Quando fores realmente embora nos encontraremos e lá viveremos, mais uma vez, o amor que sempre tivemos.

Uma lágrima de sua face rolou, e, no papel de letras prateadas tocou, este, em suas mãos desmanchou.

O menino triste de olhos cor do céu, de carinho infinito havia partido. E em seu anjo da guarda transformou…


E o sabiá novamente cantou…Dó, Mí, Sol…Dó, Mí, Sol…

domingo, 29 de outubro de 2017

A SHORT STORY OF HOW A POLITICIAN IS MADE

Considerações sobre criaturas que não deveriam existir



Nasceu…berrava feito um bezerro desmamado. Na sua ânsia por ter tudo conseguia mamar em ambas as tetas simultaneamente. Empurrava os irmãos.

Gritava quando não lhe davam o que queria. Tomava tudo dos outros, na escola, dos amigos, e até dos inimigos.

No jogo de gude roubava as bolinhas, ou trocava as suas velhas pelas novas dos amigos. Dizia que era um óbulo pela amizade que lhes tinha.

No futebol de rua marcava faltas que não existiam, dizia gol quando não era, levava a bola, que não era sua, para casa que não tinha. Falava feito pobre na chuva…

Na escola nunca estudou. Colava tudo e de todos. Fazia bullying, era um chato de galocha.

Cresceu inútil. Namorava mal. Irritava as meninas. Achava-se o bom geral e com isso pensava que as moças fariam o mesmo. Ledo engano, casou com um trubufú. Ainda não havia entrado para a política.

Os irmãos, engenheiros, médicos, úteis à sociedade olhavam para ele e pensavam: Será que servirá para alguma coisa?

Em política ficam os que não servem para nada. Todos que almejam algo na vida, que têm visão de um futuro melhor, não somente para sí próprio, mas também para a humanidade, se dedicam aos estudos, à obra de se construir algo, que, por menor que seja, significa um passo adiante , uma realização real, uma satisfação de dever cumprido.

Os que almejam a política lá chegam com um único objetivo…locupletarem-se. Por as mãos no poder, mandar e desmandar, fingir que o fazem para o povo quando na verdade o fazem para eles mesmos.

Dizia um grande político (claramente inútil por excelência) que esta criatura, o politiko (em grego) pensa em primeiro lugar naquilo que é bom somente para ele, em segundo, o que seja bom para seus grandes financiadores, em terceiro para os que o sustentam no poder, em quarto para os que são seus laranjas e em último para o povo que o elegeu. Afinal, estes últimos nada são do que meros idiotas úteis…

Como são obstinados na arte de chegar ao poder quando lá chegam se agarram como morféticas sangue-sugas (leaches), vampiros famintos pela seiva da vida que sugam continuamente.

Nosso herói um dia lá chegou. Ao chegar já havia cometido toda a espécie de falcatruas, obviamente executadas pelos seus laranjas e asseclas. Dizia-se dono da verdade mas quando acuado não sabia de nada e de nada sabia, como nunca soube e jamais saberia (esta parte era a única verdade).

Quando chegou, mudou de mulher. Jogou fora a mocréia do passado e arranjou uma assanha criatura de peitos pontudos, bonita e baranga, mas gostosa. Melhorou a imagem…

Traiu à todos, especialmente aos que o elegeram. Afinal, estes bocós lhes davam os votos apesar de tudo. Bastava, na época das eleições, distribuir uns sanduíches de mortadela, e usar seu velho slogan…rouba, mas faz…

Achava-se imortal. Voava de graça, comia e bebia do bom e do melhor, tinha pilhas de dinheiro em colchões, malas, bancos suíços e até enterrado no sítio que amava, morava, visitava, mas não era seu. Às vezes negociava um apartamento, um imóvel, que também não eram seus, para pagar uns advogados.

Esta era a parte que ele não gostava. Como pagar causídicos se ele não ganhava nada? Como espantar o chato do jornalista? Já havia casado com uma. Pensou que quando jogou o trubufú fora e pegou a baranguinha do jornal das seis estaria protegido. Mas ela, a danadinha, queria mesmo era dinheiro. Como ele não o tinha, arranjou um empreiteiro para lhe dar a mesada pedida.

Apesar de sua pretensa imortalidade morreu….morreu de câncer, é claro. 

E no rabo…

E foi no fiofó que levou a primeira espetada do tridente de Belzebú, lá nos infernos para onde foi e não ficou. Pois o dito era um perfeito emissário do Diabo. Melhor arregimentador de almas não existia. Após algumas espetadas dolorosas foi mandado de volta para fazer o mesmo…ser político. Uma coisa é certa, o esperto Tinhoso não o queria em suas paragens…criava muito caso.

Assim,

Nasceu de novo…e berrava mais ainda.

Desgraça pouca é bobagem…


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Bellevue Hospital

Bellevue Hospital
Bellevue Ohio

Architects:  GSI Architects
Design Team
Celso Gilberti  principal
Denver Broker
Rafael Gilberti
Jack Walsh

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Recado aos comunas


Raça miserável.

Não chega gostar de algo criado por uma besta quadrada, um tal de Karl Marx, idiota completo, vagabundo, sustentado pela própria mulher, estes cretinos profissionais tentam impingir algo que já fracassou no mundo inteiro.

Acham que isso ainda dá certo?? Em um lugar mesentérico que se chama Cuba, em outro que é governado por um Maduro que ainda não caiu de podre e num pedaço de país que tem um gordinho psicopata?

Nem no mundo dos vermelhinhos andam gostando do modelo.

Agora, insistem em fazê-lo aqui.

Pode até dar certo, afinal, aqui tem mulher que estoca vento, apedeuta que não sabe de nada, narizinho empinado que rouba muito e outros asseclas viciados em pixulecos e outros trecos.

Fora o bandido que compra bandido, para alí ficar e não ser banido…

Pois é, o povão gosta é de ladrão!

Então…eis aí…


O slogan da próxima eleição…

Thing of beauty

Severance Hall

curiosities:

Built in 1930 in one year's time
Facade in neo-classic style
Interiors in art deco - 3 expressions
- greek, roman & egyptian
concert hall decorated as to represent the wedding dress of Mr. Severance's bride

domingo, 22 de outubro de 2017

SOMBRA



Vivia à meu lado.

Onde ia lá estava ela. Às vezes espremida no ângulo da luz, às vezes alongada, assanhada, esticada.

Mas sempre esteve comigo.

É bem verdade que à noite costumava fugir. Com saudades procurava por ela. 

Voltava quando acendia um fósforo, uma vela, uma lanterna.

Mas à noite ela acha sua cor, e nela some, desaparece, esquece de mim.

De dia, vem alegre, contorna tudo, dança uma dança de sombras, dança um brinquedo com a luz que teima dela tirar sua forma, sua alegria de viver.

Sim, porque sombras são alegres, bailantes, tremulantes. São formas irresponsáveis, caricatas de um outro você. Não querem ser somente sua forma. Querem lhe dar o farfalhar dos movimentos, o bailar de formas sem forma, de forma alguma, de alguma forma…

Mas sombras se vão. Desaparecem no escuro, Somem no anoitecer. Fogem, se escondem,ficam tímidas, não me querem mais.

Mas se sou eu que te projeto, que de mim sais, por que não ficais comigo?

Tens ciúme da luz, mas sem ela não existirias, como não existirias sem mim.

Volte sombra, volte à luz do luar, assim não fugirás quando a noite chegar…


Severance Hall

Severance Hall
Cleveland Ohio
Restoration

Designer  David Schwarz
Architect of record  GSI Architects
Celso Gilberti  Principal

sábado, 21 de outubro de 2017

Skies of Minas

Yesterday's Sunset

SALADA DE PALAVRAS




Alface…ah… doce alface. Bom no prato, melhor no sanduíche

Conhecí um gajo que se chamava Albert Face. Al é diminutivo para Albert em inglês, então ele era o Al Face, mas seu rosto não era verde.

Tomate? Pomod’oro, bom nome em italiano. Vai bem com o alface. Um pouco de cebola, quem sabe um ovo cozido picado? É salada de Al Face.

Nabos e rabanetes…só quem é doido come isso, ou vegano, kkk.

Italianos gostam de salada de dandelion, dente-de-leão em português, dente di leone em italiano. Faz-se boas saladas com a dita folha. Quando flore enche o gramado de flores amarelas que viram bolinhas brancas cheias de sementes à voar.  I used to have more dandelions in the lawn than grass. Isso mesmo, sinal de gramado mal cuidado nos States. O melhor é fazer logo a salada.

Tenho uma sobrinha vegana. São iguais a ex-smokers. Acham que tudo está errado e só o que comem é certo. Teve a audácia de não mais comer o cappelletti da família…tinha carne no recheio. La famiglia não aprovou…Ah…mia nona…que dice ancora?

Maledetto!

Tem rúcula também…com um nome deste quem come?

Vou descer as montanhas e comprar um joelho de porco assado… eisbein em alemão…espanta qualquer coisa verde. Vai muito bem com uma loura, espumante, de acordo com a lei de pureza 1516, a Reinheitsgebot.

German uber alles!

So much for salads


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

DESCEREBRADOS E AMNÉSICOS


Na terra de Alice tudo continua como antes…de ponta cabeça….

Há amnésia no ar. Todos são acometidos. De maneira impressionante se esquecem dos malfeitos. Se esquecem que perderam o emprego por causa de alguém, uma idiota completa, que achou ser bom quebrar o país.

Esquecem do Ali Babá, aquele que não sabe de nada, nada teve, nada viu. O homem nada, o molusco apedeuta.

A criatura, que nunca trabalhou tem um monte de dinheiro. Parte temporariamente confiscada e outra que ninguém sabe onde está. Se esquecermos da segunda, gostaria de ver alguém amealhar tantos milhões sem trabalho. Ter tantos apartamentos e sítios de graça, tomar uísque de 30 anos e champanha Crystal.

Já querem que ele volte. Nada como o inventor do mensalão, dos pixulecos, da propina desvairada. Ainda não conseguiu quebrar a Petrobrás. Será que se tiver outro mandato quebra a dita junto com o BNDES?

É só contratar a disléxica, de novo. Trará consigo certamente mais receitas de estocagem de vento. Talvez, uma vez quebrado o país, possamos nos tranformar no paraíso da mandioca. Vamos plantá-la à luz da lua. É mais importante do que o sol. 

Mandioca neles…

Coitado do apedeuta…está sendo perseguido. Disse que dão nele um tiro de canhão por dia. Acho pouco…

A turba de ignaros chora e pede sua volta. Gostam de um estado que lhes dá mortadela. Povo burro, já esqueceu que não tem emprego por causa deles. Gostam mesmo é de vagabundagem, tanto quanto aquela dos vagabundos que elegem.


O chapeleiro maluco sorrí.







A Rainha de Copas esta pronta para cortar cabeças. Coisa de terrorista bem treinado. O coelhinho, coitado, este, representando o povo, chora olhando para o relógio  vendo sua vida passar em branco, na pobreza que o assola.



Na ausência de um cérebro pensante, na presença de uma amnésia constante, votam eles a volta da patota, deixando sem volta a nossa história ausente de glória alguma.


Acho que esquecí o que escreví

terça-feira, 17 de outubro de 2017

TEMER OU TEMER??





Tenho medo de temer. Temo pois tenho receio, sinto temor…

Seria temerário dizer que não temo.Seria imprudente, perigoso. Sou certamente temeroso, pois o que infunde temor é medroso e tímido. Mas assanho quando não teme a justiça.

Temer é ruim? Ou só um ato defensivo? O Temer não teme pois inveja tinha e dela se valeu para temerariamente golpear. E golpeou…

A golpeada, que já havia dado um golpe em todos não temia nada. Nem a incompetência dela própria. No seu golpear abriu o flanco sem temor e, por não temer, não foi mais temida, simplesmente temerária, imprudente e perigosa.

Estragou tudo, e bem.

O Temer não temeu as consequências de ser flagrado em ato temeroso. Temor tem, mas de perder o poder. Sem ele não seria mais temido, sequer destemido.

Por isso temo mais. Com Temer sinto o temor que o Pindorama vai mesmo para as cucuias. Já foi pro beleléu.

Local das mais sórdidas e tenebrosas articulações.


No tenebroso Jaburu…

domingo, 15 de outubro de 2017

POLITIKOS



Ah…Grécia antiga…criastes os politikos.

Aqueles destinados à arte de bem governar a polis (cidade ou estado grego).  Cadadãos versados no trato do bem comum acima dos individuais. Civilidade e cortesia…que se transformaram em astúcia, artifícios e ardís. Cidadãos de esperteza incomum capazes de transformarem políticos em politicagem, ou seja, mestres  na arte da mesquinhês, da estreiteza de interesses pessoais sobre o bem comum.

Na Inglaterra, no século XVI, fostes transformado em “politician” ou aquele que recorria à intrigas para adquirir poder…

Nesta última versão, aqueles que habitam o Pindorama.

Vejam bem, nisto ainda estamos no século XVI. Por isso a mesquinha e safada maneira de conduzir os bens da nação no interesse próprio aqui ainda prevalesce.

Oh…Brasílis!

A terra de Cabral é um grande Aventino. Caesar quando decidiu se transformar em Imperador o fez através de manobras que contavam com o apoio dos cidadãos de uma das colinas Romanas, o Aventino. 

Lá, onde provavelmente nasceu a Máfia, exerceu sua influência ao comprar o apoio dos chefes que a dominavam. Pagava-se por proteção para lá viver, como pagamos nós os impostos neste mundo de Alice.

Pois aquí, no nosso Aventino, vivemos subornados e subornando. 

Uma intrincada cadeia de desonestidade em todos os níveis, uma cadeia de impunidade e de abuso do bem comum.

Liderada pelos nossos politikos, raça advinda da politicagem, estes senhores, líderes de bandos de criminosos, definem leis em seu próprio benefício, se arvoram em protetores da república enquanto são, nada menos do que sicários, bandidos, crápulas, calhordas e mentirosos à comprar votos de cidadãos idiotas que se vendem até por pedaços de mortadela.

Ah…Grécia antiga…nos destes grandes filósofos, artistas, beleza.

Nos destes deuses, o Olimpo…

Nos destes a democracia.

Seria esta última um presente de grego??

Me prendo à intenção, que era boa.

Me divorcío da realidade, da astúcia dos safados.

Me rendo, pois não sei mais para onde vamos…

Sucumbo.


Spring time!

A casa mia