A BELA E O DIVÃ
Comprou um divã…
Tinha
acabado de formar-se.
Consultório novo, pintado, arrumado.
O divã era lindo…
Curvas
sensuais, couro macio, botões dourados.
Sentou-se,
olhou, admirado,
Sentiu-se encantado.
Loira ela
era.
Bela,
esguia, cabelos longos.
Entrou como
a brisa da primavera,
Esvoaçante, como seu vestido transparente,
Curto, seda
e renda, cor da pele alva que tinha.
No divã assentou-se…
No divã aninhou-se…
Falou,
contou, disse tudo com voz macia.
Que lindos lábios!
Rubros, brilhantes,
sedutores.
Olhos de
mel,
Exalavam a
doçura que vinha de dentro de seu corpo.
O ventilador
rodava em volutas lentas,
Levemente
seu vestido elevou-se…
E pernas tão
lindas se deixaram ver,
Até onde tudo
acaba ou começa.
Não sabia o
que fazer.
Lhe
ensinaram a ouvir somente.
Mas queria
balbuciar algo,
Provocar
tudo,
Incendiar
seu diploma,
Mergulhar no
triângulo,
Cuidadosamente
aparado, penteado.
Não tinha
nada por baixo.
Mas lá havia
tudo…
A perdição,
amor, paixão, veneno.
Não sabia se
fitava …
Lábios,
olhos, vértice ?
Teve
vertigem…
Empertigou-se.
Ouviu dela
histórias de amor.
Ouviu dela
que era tântrica.
Sentia
prazer em tudo,
À toda hora…
Em qualquer
lugar!
Estremeceu…
Seu bloco de
notas não tinha nada escrito.
Somente
linhas tortas.
Linhas
retas.
Linhas
soltas,
Soltas como
seus pensamentos,
Em um
turbilhão de emoções.
A saia subiu
mais ainda…
Sua pressão,
nem se sabe…
Sabia que
tinha de fazer algo.
Mas perdido
estava.
Estático…
Trêmulo…
Em êxtase…
Num
movimento gracioso,
Suas longas
pernas a levaram.
Levaram-na
dalí.
Partiu…
O silêncio
ruidoso,
De mil sinos
à tocarem,
O levaram à
um mergulho frenético.
No divã se
estatelou.
E nele
desmaiou.
Pelo divã se
apaixonou…
Por ela…não
soube dizer…
Nem sabia o
seu nome…