sexta-feira, 30 de junho de 2017

CARLÃO



Sujeito ameno, simpático e bom partido. Fazia parte de um grupo de play boys que se auto intitulavam Irmãos Brothers. Aprontavam à bessa, porém, nesta ocasião eram inocentes.

Um domingo ensolarado, um aniversário à comemorar, um churrasco no topo da montanha. Fora convidado e para lá foi. Penteou seus dois fios de cabêlo com esmêro, colocou a mais guapa camisa e, com sorriso pleno, aproximou-se do quiosque para o abraço do amigo que o convidara.

A festa acontecia alegre. Uma ilustre senhora de traços finos sorvia seu escocês habitual. Já havia tomado uma loura para limpar a serpentina. Passou por uma garrafa do melhor tinto e  mergulhava nos braços de um Johnny, vermelhinho. Seguia os conselhos de um laureado ícone que aconselhava, entre outras pérolas, beber sempre variando as marcas e tipos. Evita ficar viciado, dizia.

Um brado se fez ouvir...

“Penetra! Vejam só, filando bóia, bebendo uisquinho...Penetra, miserável!!!”

Olhou para um lado e para outro. Achou, infelizmente, que era com ele mesmo. A doce senhora discursava com veemência petista.

“Vá penetra...volte para donde viestes!.. Vade retrum.”

Pensou, aquilo devia ser um mal entendido. Iria para o deck acima, fumaria um cigarrinho e voltaria quando tudo estivesse calmo. E assim o fez.

No alto, encontrou com uma bela e formosa criatura. Achava que era a namorada do amigo, do irmão brother que o convidara. Foi ótimo! Bateram longos papos, ela à dar corda e ele tentando esquecer a furiosa madame lá de baixo.

De repente, eis que surge outra, tão bela e tão formosa quanto a primeira, e, era igualzinha a ela. “Meu Deus tem duas, e ele não me falou nada! Balbuciou.”

Desceu meio atordoado, meio escamoteado e meio abalado. “Véio, tem duas...fui expulso...tô tonto...tô vendo em dobro...vou embora!”

Os dias se passaram e a doce senhora já havia recuperado o bom senso que a permeava. Dos amigos ouviu o relato de seu feito. Quase em prantos pedia a todos que a perdoassem. Não sabia mais o que fazer. “Não me lembro nem do rosto do coitado, meu Deus, acho que bebí demais.”

Um outro domingo chegou e com ele mais uma sessão em homenagem à Bacco.

A irmã do amigo em conlúio com sua namorada (a tal duplicata) planejavam vingança. Aproximaram-se de um alto e elegante rapaz e com ele prepararam uma armadilha perfeita.

“Doce senhora, lembra-se do Carlão? Ele esta alí, no deck, tomando uma cerveja.”

Foi o gatilho necessário. Subiu correndo e esbaforida jogou-se aos pés do rapaz. Perdoe-me Carlão, não sabia...Perdoe-me, eu não sou assim, não sei o que aconteceu.

O suposto Carlão virou o rosto com desdém e respondeu: “Jamais, jamais...”

Até hoje, vive a se desculpar. O verdadeiro Carlão ainda não voltou, bebeu demais para esquecer, perdeu seus dois últimos fios e continua a ver em dobro. A vida na montanha continua...







AH…MULHERES !


Ah…mulheres, lindas e gentis criaturas, o que seria de nós sem vocês?

Sem o carinho, a sutileza, os gestos misteriosos que nos levam à loucura. Que seria de nós sem sentirmos as mãos macias e aveludadas a nos dar o conforto, a presença, a esperança?

Ah... mulheres, por que não as ouvimos como deveríamos? A intuição que nos indica o caminho certo enquanto escolhemos o errado...

Ah.. mulheres, amantes, crianças, doces e atenciosas. Ah.. mulheres mães, a certeza do apoio, da resposta certa, do caminho iluminado.

Ah ... mulheres por que não pensamos como vocês?


Mulheres, divinas mulheres, me curvo à sabedoria que não ostentam. Me curvo à beleza sublime, pois toda mulher é linda e o mundo se torna melhor somente porque vocês existem!

Chicago

Good ol'Chicago school of architecture

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Skylight

Skylight over my head

PUSSY  FLOWER
(a  Rainha  de  Antares)

Continuação da história “Fuga da Terra”. Aventuras de Pussy Flower.


Após a eliminação do arqui-vilão Abdulphetid em Xanadú, Pussy Flower havia se transformado na heroína de Antares.

O translado dos terráqueos havia sido um total sucesso. O espião de Hermafroditus morrera em confronto com a bela Pussy Flower. Mas perigo rondava o ar. Escondido nas traficâncias da viagem através do Portal havia outro ser abjeto.

Filho de Hermafroditus, a grotesca criatura havia se inserido dentro de um container . Alí, de posse da fórmula secreta da Fornicália, o humanóide preparava sua vingança pela exterminação de sua mãe e seus asseclas.

Seu nome era Gosmor Féticus.

Xanadú era um paraíso. Tudo funcionava. Os seres da Terra estavam embasbacados. Nunca haviam visto tamanha ordem, limpeza, cuidado com a natureza. Jardins suspensos, cascatas límpidas e veículos silenciosos cruzavam pelo ar, flutuando em nuvens de cores variadas. Não havia policiais, somente robôs patrulhavam no intúito de manter a ordem e prestar auxílio à quem quer que fosse.

Os habitantes de Xanadú não eram bonitos. Meio esverdeados, membros excessivamente longos, olhos vermelhos, não faziam deles criaturas de feições agradáveis. Entretanto seus sorrisos eram doces, quase infantis. Não falavam, comunicavam-se por pensamentos.

Gosmor havia notado fraquezas naquela sociedade. Se esconderia para estudá-las, e depois, desferir seu vil golpe. Fornicália era a chave para o domínio das massas. Agiria como sua mãe em Bolivária. Os tornaria escravos. Precisava somente de um cúmplice local. Alguém que não tivesse se adaptado ao paraíso. Alguém demoníaco...

Nos basfonds da cidade de Porcupine, onde somente os desajustados frequentavam, descobriu uma criatura de outro planeta, alguém que já havia sido transplantado pelos seres de Antares em uma de suas expedições de salvamento interstelar, alguém com raiva, ódio e idéias doentias. Era um participante do Partido dos Trambiqueiros,  o PT de Moluska, um planeta atrasado, vermelho, idiota e corrupto.

De tão miserável, o tal planeta nunca chegou sequer ao estágio I. Eliminou-se por conta própria em uma grande catástrofe nuclear. Os seres de Antares haviam salvo 5 integrantes daquela raça morfética. E foi um erro monumental...

Gosmor  Féticus sentiu-se imediatamente atraído pela criatura. Lembrava sua infância em Bolivária.  Bandeiras e flâmulas vermelhas, discursos em linguagem incompreensível, assaltos à propriedades por integrantes de um movimento de párias, corrupção total. Era como nos tempos de sua mãe, a Hermafroditus.

Aproximara-se, queria conquistá-lo. Seus planos de vingança começavam a tomar forma.

O demoníaco ser, de pele vermelha, cascorenta, cheiro insuportável tinha até rabo...e bem longo. Chamava-se Urinus.

Oferecendo-lhe uma dose de Fornicália abriram-se as portas para a sedução total. Isto porque Gosmor, diferente da mãe, era um ser bisexuado. A ação imediata da Fornicália já gerava orgasmos múltiplos. O sexo com a nova criatura se provava mais devasso e insano. Urinus se acasalou com Gosmor Féticus e alí surgiu a irmandade dos Morféticus, aquela que poderia destruir o paraíso de Xanadú.

A missão era simples. Junto com os outro quatro dissidentes de Moluska e de posse de Fornicália iriam seduzir os habitantes de Antares. Uma vez sob o efeito da droga estes se transformariam em escravos. Co-optariam empreiteiros desonestos, criando empresas fantasmas e destruiriam o governo como era. Implantariam uma nova forma bolivariante, a Sociedade dos Morféticus reinaria com Gosmor seu líder máximo. Dariam de presente para Urinus as mulheres terrestres,  como escravas sexuais, em especial Pussy Flower.

Urinus achou a ideia simplesmente espetacular. Já tinha ouvido falar de Pussy Flower. Sua beleza inigualável era por sí só razão para querer possuí-la. Faria tudo o que Gosmor pedisse. Já era seu escravo.

Pussy não se contentava com as glórias recebidas. Sabia que uma heroína deveria  estar atenta. Seres das sombras estariam sempre à espreita. Mesmo vivendo em um paraíso, ela sabia que haveriam criaturas que não quereriam  harmonia e  felicidade. A visão destas era distorcida, doente, cancerosa. Gostavam da desordem, da infelicidade.

Treinada em Langley, Pussy dominava não somente as artes marciais mas, como cientista em física quântica havia aprendido a controlar a anti-matéria. Durante os experimentos no CERN ela conseguiu estabilizar uma quantidade da energia. O envólucro, por ela criado, evitava a interação da mesma com a matéria. Experiências subsequentes haviam produzido um tubo por onde um êmbolo de diamante empurrava feixos de anti-matéria na direção de alvos selecionados. Com isso, consegiu criar uma arma poderosíssima, a pistola de feixes de anti-matéria.

Gosmor Féticus não sabia, nem Urinus. O destino dos deformados se delineava.

Pussy gostava de viver nua. Estonteante, sua nudez obliterava a mente dos homens. A sedução era instantânea. Era idolatrada e não se fazia por rogada. Amava à todos, se entregava em orgasmos intermináveis. Criava laços de amor tão intensos que cada um deles jurava fidelidade eterna à diva interestelar. Era mais do que uma rainha, era uma deusa nos moldes do Olimpo. Nem Zeus poderia escapar de seus encantos.

Moluska ja não mais existia. Gosmor e Urinus decidiram que iniciariam a revolta em Porcupine, no coração de Xanadú.

O grande empreiteiro Pika Rêta, havia se juntado ao bando. Estava encerregado de distribuir Fornicália e escravizar seus habitantes.

Distribuindo contribuições chamadas de pixuloucos, corrompeu o sistema vigente de governo. A cidade caiu em três meses. O Partido dos Trambiqueiros havia ressurgido. Uma nova bandeira vermelha, com uma estrela, e em seu centro a sigla PT, tremulava no topo do prédio mais alto de Porcupine.

Os seres de Antares se apavoraram. Sua antiga civilização, seus costumes, a ordem, a beleza, harmonia e o encantamento de Xanadú estavam comprometidos.

O Alto Conselho de Antares se reuniu. Não sabiam como lidar com o que acontecia. Haviam salvado muitas espécies pelo universo afora. Nunca haviam pensado que uma destas criaturas poderia destruir sua própria civilização. Num momento de brilhantismo pensaram...e se alguém, uma destas espécies que salvaram, os salvasse? Haveria este alguém?

Sim, Pussy Flower, aquela que impediu Hermafroditus de controlar a anti-matéria. Ela era a salvação.

Imediatamente, o Alto Conselho passou uma resolução nomeando Pussy defensora máxima do universo, dando-lhe o título oficial de Rainha de Antares.

Pussy aceitou a honraria condicionando ter o poder de exterminar todos os movimentos que se iniciassem em outros planetas e tivessem a sigla PT em suas bandeiras. Só assim salvaria Xanadú.

E assim foi feito.

Gosmor ja havia criado um exército. Todo de vermelho, drogado com Fornicália e dependente da mesma, Urinus seu comandante mór. Faziam tudo que seu líder mandava. Precisavam de mais doses em 24 horas. Se não...morreriam.

Em uma espaçonave dourada equipada de canhões anti-matéria surge Pussy Flower.

A visão era incrível. Nua, de botas de ouro, salto estileto, seios voluptuosos, cabelos longos e esvoacantes Pussy empunhava duas pistolas, uma em cada mão. Raios azuis de anti-matéria dizimavam os exércitos de Gosmor Féticus. Um a um caiam seus soldados. Ora estupefatos pela beleza de Pussy, ora fulminados por raios azuis.

Pussy aprisiona Gosmor. Urinus enciumado por ver Gosmor ao lado de sua amada lança sua espada luminosa que o transfixa, matando-o.

Aproximando-se de Pussy jura-lhe amor eterno. Pede-lhe que não extermine sua raça. Implora-lhe, jurando-lhe fidelidade plena.  Joga-se aos seus pés. Propõe uma aliança para dominação do universo.

Por um momento fugaz o Alto Conselho, que assistira a batalha ao longe, se amedronta.

Teria feito Pussy tal aliança? O que seria de Antares?

Pegando uma bandeira vermelha Pussy envolve Urinus com a mesma, e, usando a espada luminosa que matou Gosmor Féticus, com um só golpe, degola a miserável criatura.

Havia cessado o perigo. O inimigo fora derrotado. Antares salva.

Em sua nave dourada Pussy Flower a Rainha de Antares, entra no portal quântico  partindo em busca de novas galáxias na sua missão de destruir o PT do universo.



AMÉM

quarta-feira, 28 de junho de 2017

OWL

Owl
By Rachel Gilberti
Pen and Ink

A SAGA DE PUSSY FLOWER
(vinte anos antes)

Conforme prometido a Fuga da Terra continua. Neste capítulo Pussy Flower se destaca. Leiam e, por favor, não se esqueçam de tomar Fornicália...


Os seres de Antares já estavam na Terra. Preocupados se alojavam em uma estrutura subterrânea nos arredores do CERN, na Suiça. Esperavam pelo avanço tecnológico dos cientistas que alí estavam no afã de dominar a anti-matéria. A Terra não evoluia, sua fuga de planeta em estágio I não acontecia.

Os planos de Hermafroditus floresciam. Fornicália ja era a droga de consumo máximo. A escravidão humana gerida pelos seguidores das bandeiras vermelhas era um fato irreversível.

Comodoro Psycus propõe à Hermafroditus a expansão da cultura sinistra do PT pelo universo afora. Enviariam 5 naves tripuladas à planetas distantes onde se supunha haver vida inteligente. O agente secreto Infidel Castrati havia sido selecionado para uma missão de reconhecimento. As 5 naves partiram...o universo estava sendo atacado.

Em seu insano plano, Hermafroditus e Psycus precisavam de apoio financeiro. Nada melhor do que arregimentar alguns empreiteiros, criaturas flexíveis, produtoras de pixulecos e de escrúpulos inexistentes. Logo se aninharam no ninho vermelho de Hermafroditus. Somente um deles destoava. Era o famoso construtor Cinzelus da Lima Certa, o único capaz de cortar montanhas pelo meio. Colocou-o junto com todo os outros nas cinco naves.

Cinzelus era casado com a bela diva do Matutu. Seu nome era Marquesa Matutina. Doce e solidária com os pobres viciados em Fornicália, tentava em vão, salvá-los da escravidão. Distribuía pirulitos com suco de capivara, de graça,nos aglomerados raquíticos das grandes cidades. O suco combatia os efeitos delirantes de Fornicália. Era meio vermelha, mas dava sinais de recuperação.

Engenheiro de estirpe comprovada Cinzelus se especializava em cortar montanhas. Foi assim que cortou pelo meio o famoso pico do Currupaco, um marco geográfico de grandeza maior nos ermos de Matutu.

Comodoro Psycus precisava de um engenheiro desta espécie. Em seu diabólico plano, Psycus pensava em escravizar planetas, cortando-os em dois.

Cinzelus detinha a tecnologia, mas para chegar à ele somente através de Laurus Louro, seu amigo de todas as horas. Mas Psycus cooptou Laurus e lhe pediu que raptasse a Marquesa Matutina. Presa nas masmorras de Paraopeba serviria de refém para forçar Cinzelus a aderir à causa rubra. E assim foi feito...

Dominado por Psycus o grande engenheiro concorda em embarcar numa das cinco naves, onde nela se encontrava o espião Infidel Castrati. Partiria em direção à Wolf 1061c, o novo planeta descoberto por cientistas australianos que trabalhavam para Hermafroditus.

Na saída, em cabo Canaveral, Laurus fez o seu mais brilhante discurso, as famosas catilinárias laureanas. O povo chorava de contentamento. O PT dominaria o universo. A emoção era tão grande ao ouvir as palavras anestesiantes de Laurus que o famoso Movimento dos Com Terra (MCT) o proclamou Cícero da idade moderna. Laurus aceitou humildemente o epíteto.

Cinzelus era obstinado. Cortaria o planeta ao meio se necessário mas somente se garantisse a salvação de sua diva. Para isto, subrepticiamente contratou a sabotadora mór, Míriam Emperdenida. Queria usar seus conhecimentos sabotantes e destruir os vermelhos. Mal sabia que acabaria como um desavisado parceiro de Pussy Flower.

Miriam Emperdenida era linda. Espanhola, ciumenta e envolvente, não gostava de governos. Trabalhava simplesmente pelo prazer de sabotar. Laurus a temia com todas as forças, nem a sua Belle de France, mulher de equilíbrio inconteste conseguia controlar os ímpetos sabotadores de Míriam.

O planeta mais próximo era Cachassus. Lá encontrariam a mão de obra que precisavam. Mas Cachassus não tinha liderança. Todos os habitantes eram iguais. Todos eram etílicos.

Levando uma quantidade imensa de Jack Daniels seduziu os habitantes de Cachassus à ajudarem com a empreitada. Para tal contavam com a ajuda de Bizzotina, especialista em lidar com pinguços de qualidade. Bizzotina era amiga de Míriam, tambem sabotadora de qualidade ímpar. Sob a liderança das duas, e inteiramente alcoolizados, os habitantes de Cachassus foram transladados para Wolf 1061c  e lá iniciaram sua tarefa serradora.

O diabólico plano de Hermafroditus tomava forma. Somente o espião Infidel Castrati não confiava na dupla.

Na Terra, os asseclas vermelhos de Hermafroditus, Calhordus Plenus, Frigília, El Phetid e Comodoro Psycus faziam planos para tomar o CERN. A luta contra o tempo era essencial pois quem dominasse a anti-matéria dominaria o universo. Os seres de Antares aceleravam os experimentos. A luta  na Terra já havia começado.

Isoladas no espaço as cinco naves vermelhas não sabiam que a Terra havia sido obliterada. Somente aqueles que passaram pelo portal de Antares haviam se salvado.

Naquele grupo, o espião de Hermafroditus escondido na nave de Cinzelus, planejava algo sujo. Na Terra, em batalha épica Abdulphajut, seu colega espião,  havia morrido. Pussy Flower os havia derrotado.

Em sua saga exterminadora do PT no universo, Pussy capturou e destruiu quatro das naves de Hermafroditus, a quinta estava sendo perseguida. Todos os empreiteiros corruptos da Terra morreram. Com suas mortes acabaram-se os pixulecos.

Na quinta nave se encontrava  Brutus Bixa como seu comandante. Laurus Louro, Miriam Emperdenida, Bizzotina e Cinzelus não sabiam que eram os últimos terráqueos existentes além daqueles que escaparam pelo portal de Antares. Cinzelus tambem não sabia que sua diva, a bela Marquesa Matutina, havia virado pó estelar, não antes de tomar uma dose dupla de Fornicália e ter 46 orgasmos consecutivos. Sentia a falta de Cinzelus.

Na luta final em Wolf 1061c Cinzelus comandava o serramento do planeta enquando raios epsilônicos dizimavam seus trabalhadores. Estes, graças ao altíssimo teor etílico explodiam em bolas de fogo, não sentindo nada. Prosseguia seu insano trabalho de serrar o planeta apesar do bombardeio  dos raios fulminantes.

Já havia atingido a metade do dito,  quando o agente secreto de Hermafroditus, Infidel Castrati, tentou assassiná-lo. Cinzelus reagiu e empurrou-o em direção à serra, cortando-o em dois. Infidel não estava satisfeito com o progresso dos trabalhos. O corte do planeta em duas metades ajudaria a destruir Pussy Flower. Falhou miseravelmente...

Sua morte facilitou o desenlace final. Nua, em suas botas de ouro, Pussy liquidou Míriam e Laurus. Sumariamente.

Usando Bizzotina, penetrou nas defesas de Brutus Bixa. Mas Bizzotina, que era traideira e sabotadora, ajudou Cinzelus à escapar. Pussy ocupada em destruir Brutus não viu quando uma cápsula ejetora, com ambos à tripular, foi lançada para fora do planeta Wolf 1061c, segundos antes de sua explosão final. O negócio de Bizzotina era sobreviver, entre uma dose e outra de Jack, ela o fazia com maestria.

Pussy havia destruído o PT. Mas Cinzelus e Bizzotina haviam escapado. Haveria outro movimento vermelho no futuro? Teria ela de perseguir Cinzelus e Bizzotina? Conseguiria Bizzotina, uma vermelha de estirpe, convencer Cinzelus a perder sua cor azul? Eram eles uma ameaça à harmonia universal?

Somente saberemos no próximo capítulo da saga de Pussy Flower,...

o Retorno dos Sinistros.  Aguardem, neste mesmo e-mail, no mesmo blog, nesta mesma hora...a aliança dos sinistros com o Tirano da Montanha.





FIM




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terça-feira, 27 de junho de 2017

As the sun sets

Bougainvillea

WOLF 1061c
(Pussy Flower discovers planet equal to Earth)
Continuação da história “Fuga da Terra”, à pedido dos amigos leitores. Prometo novos capítulos ainda mais eletrizantes…divirtam-se….

Heroína do universo. Cantada em verso e prosa nos quatro cantos siderais Pussy Flower continua sua saga.

A erradicação do PT em todos os planetas.

A praga, iniciada na terra, havia se expandido. Antes da explosão final que destruiu o planeta, Hermafroditus, a insana, havia lançado naves tripuladas levando Fornicália à procura de outros planetas para implantar sua deletéria filosofia.

Quatro destas naves haviam sido destruídas por Pussy. Uma quinta escapou para um outro sistema solar, escondendo-se no longínquo planeta Wolf 1061c, o planeta dos homens-lobo.

Pussy parte para mais uma batalha. Sabia ser difícil penetrar as defesas daquele planeta. Os wolves eram cientificamente evoluídos, porém politicamente idiotas, A nave petista, enviada por Hermafroditus , já os havia conquistado. Bandeiras vermelhas tremulavam, imbecis vagavam pelas ruas à procura de Fornicália, um novo líder surgia, aquele que os levaria para a grande batalha final contra Pussy e suas espaçonautas.

Seu nome era Brutus Bixa, um ser de dois penises, microencefálico e perverso. Comia criancinhas no jantar, assadas e caramelizadas.  Os wolves eram peludos, lembravam um pouco os lobisomens da Terra. Eram brilhantes em ciências quânticas, sabiam andar pelo tempo.

Representavam um perigo enorme para outras civilizações. Podiam, através de portais espaço-temporais entrar em determinados periodos da história de um planeta e modificá-la, introduzindo conceitos perversos, como pixulecos, propinas, bolsa-imbecis e outras coisas que levaram a Terra ao seu extermínio. Fornicália era sempre o veículo da escravização máxima, e eles sabiam como manipulá-la.

Brutus Bixa tinha dois seguidores fiéis. Míriam Emperdenida e Laurus Louro. Ambos não tomavam Fornicália, o que os tornava ainda mais perigosos. Laurus dominava as massas pela verve brilhante, pelos pensamentos profundos, pela filosofia inebriante, levando-os ao delírio pleno. Tinha um sucesso enorme. Os seres de Wolf 1061c tinham grandes orelhas, ouviam muito bem.

Miriam era uma sabotadora. Sabotava tudo, até ela mesma. No seu sabotar desarticulava o inimigo deixando-o vulnerável. Brutus Bixa adorava predar no despreparado. Assim, conquistaram o planeta e se dispunham a dominar o universo.

Uma incursão dos wolves no planeta Vulvus foi descoberta pelos espiões de Pussy.

Vulvus era um planeta de habitantes inocentes. Ficava na constelação de Ursa Menor. Pequeno, lindo e pacífico era uma presa fácil para os habitantes de Wolf 1061c. Sua cultura pregava o amor. O sexo livre e aberto faziam de Vulvus um local de pouco uso para a Fornicália. Seus habitantes passavam a vida em orgasmos contínuos, portanto a droga escravizante não funcionava, não tinha aplicação.

Por isso, somente Laurus e Miriam poderiam desestabilizar aquela sociedade. Lauros os seduziria pela oratória. Miriam sabotaria suas defesas, desarticularia o fluxo orgásmico.

Brutus Bixa penetraria com suas tropas de lobos famintos e os colonizaria pela escravidão vermelha. Todos os edifícios seriam pintados naquela cor. Toda a vegetação do planeta seria tingida de rubro. Vulvus se tornaria o planeta Vermiculu. A flâmula do PT tremularia no seu mais alto mastro. Seria o fulcro de um universo comunal, em proporção descomunal.

Os espiões de Pussy trouxeram à ela este relato arrepiante. Brutus já havia se estabelecido em Vulvus. Tudo era uma questão de tempo. O universo estava de novo à perigo.

Warp 5, comandou Pussy, vamos destruir os miseráveis vermelhos. Aos postos de combate! Preparem os torpedos! Fogo...e a batalha espacial iniciava-se.

Em sua nave dourada Pussy Flower, desnuda, comandava seus espaçonautas. Uma a uma as defesas de Brutus foram caindo. Pussy era invencível. Expulsou os wolves de volta. Fugiram pelo portão quântico e reagruparam-se em Wolf 1061c.

Os habitantes de Vulvus celebraram a vitória. Ao ver a beleza incrível de Pussy resolveram seguir seu exemplo e viverem despidos. Com isto ficariam ainda mais imunes aos efeitos da Fornicália. Aos poucos tudo lá voltou ao normal.

Pussy parte então para o golpe final. Atacaria Wolf 1061c. Precisava obliterar Brutus Bixa. Mas havia entre eles Laurus e Míriam. Teria de derrotá-los primeiro.

O primeiro foi seu adversário mais difícil. Apesar de nua, linda e sedutora Pussy sentiu o poder das palavras melífluas de Laurus. Quase foi dominada pela sedutora cascata de orações habilmente articuladas. Fulminar Hermafroditus tinha sido fácil. Aquela criatura mal conseguia produzir uma sentença. Laurus, entretanto, era só poesia, música a seus ouvidos.

Empunhando sua pistola de anti-matéria, recompôs-se e olhando para Laurus, que havia se distraído com a beleza de seu corpo, aproveitou o momento de fraqueza e com um tiro perfeito desintegrou o inimigo.

Duarante a batalha Míriam Emperdenida havia preparado armadilhas sabotantes. Quase destruiram Pussy. Míriam enfurecida pela perda de seu parceiro estava ainda mais pronta a sabotagens mil. Jogava panos negros para cobrir a estonteante nudez de Pussy. Tentava ofuscá-la de todas as maneiras, mas Pussy a fulminou assim mesmo.

Faltava Brutus Bixa. O monstruoso ser com seus dois penises, avançou contra Pussy. Em outras ocasiões e com outro parceiro Pussy poderia até se apaixonar pelo conjunto duplo, mas Brutus era feio demais. Cabeludo, cabeça pequena, de alfinete, babando e descontrolado Brutus tenta um desesperado golpe...e falha.

Pussy com um tiro certeiro decapita a genitália de Brutus, deixando-o agonizante.

Seus comandados já haviam espalhado detonadores de anti-matéria pelo planeta afora. Aguardavam a vitória final de Pussy para eliminar Wolf 1061c do universo.

Em sua nave dourada a bela e indomável Pussy Flower aciona o detonador mestre. Numa explosão azul o planeta some . O último baluarte dos vermelhos havia caído. Pussy completa sua missão e varre o PT do universo.

Na proa de sua espaçonave, nua e empunhando sua pistola de anti-matéria, em seu salto estileto de botas de ouro, Pussy Flower partiria para novas aventuras siderais.

FIM



sábado, 24 de junho de 2017

Wild Flowers

Mountain Flowers

FUGA DO PLANETA TERRA

Um amigo me disse: “Não posso mais viver em um planeta com tantas iniquidades. Veja só, até o Stephen Hawkins já indica que o homem precisa de sair deste planeta. Estamos acabando com ele e com isso estamos nos auto exterminando. Por quê voce não escreve um conto sobre a Fuga da Terra?”
Daí...segue abaixo, à pedidos...


2086. O mundo não era mais o mesmo.

Os ataques terroristas do EI haviam desequilibrado a economia mundial. A Europa foi a primeira a cair. A invasão africana trouxe levas de terroristas infiltrados. Financiados pelo óleo do oriente médio e as multinacionais da energia, os fanáticos atentavam contra tudo e contra todos.

Na América do Norte as mudanças climáticas haviam destruído a capacidade dos Estados Unidos e Canadá de produzirem grãos e proteínas suficientes para alimentar a população.
O aquecimento global elevou o nível dos oceanos. Cidades e terras costeiras foram submersas.

A China se fechou. Havia estocado grãos e matéria prima nos anos de fartura. Voltara a ser feudal. O Japão sucumbiu, colapsou pela ausência de riquezas naturais. Austrália e Nova Zelândia ficaram inabitáveis. As temperaturas durante o dia oscilavam em volta de 55 graus centígrados. O mesmo aconteceu com o continente africano. A devastação era total.

Sobravam as Américas Central e do Sul. Políticas populistas haviam tranformado tudo à sul do Estados Unidos em um país chamado Bolivária. Lá o crime, drogas, escravidão e abuso eram as marcas dominantes daquela sociedade. Com a capacidade de produzir grãos ainda em escala gigantesca a região chantageava todas as outras nações do planeta. O caos era completo.

Vinte anos antes uma nave espacial oriunda de Antares havia se aproximado da Terra. Trazia uma tecnologia estonteante. Eram capazes de voar através do tempo. Em dobras quânticas penetravam portais intergaláticos. Dominavam a quarta e quinta dimensões.

Em 2045 a Terra havia investido pesadamente nas descobertas quânticas do grande acelerador de partículas. O CERN, localizado entre a França e a Suiça havia sido duplicado. As experiências em busca do bóson de Higgs haviam aberto portais quânticos durante os experimentos. Em certas situações o tempo parava. Outras partículas ainda mais incríveis foram descobertas. Estavam no limiar de controlar a anti-matéria.

As criaturas de Antares acompanhavam o desenvolvimento do projeto. Havia receio que a Terra fosse incapaz de sair do seu estágio inicial de civilização, o chamado estágio I. Neste, as civilizações geralmente feneciam. Guerras, terrorismo, autodestruição e intolerância eram sempre os fatores mais incisivos na eliminação das mesmas.

O aquecimento global e a exploração predatória já haviam causado um impacto irreversível. A ganância das mega-corporações internacionais aliadas aos experimentos genéticos imorais da indústria farmacêutica haviam gerados pragas, pestilência, fome, guerras e terror. A Terra, como planeta, não passaria do estágio I. Sua civilização estava marcada para extinção.

Havia entretanto, uma aura de brilhância nos seres humanos. Esta luz era a única motivação que tínham os seres de Antares para ainda tentarem salvar a raça humana. Se não podiam existir no planeta condenado, talvez poderiam  viver em outro mundo. Sua missão era salvar alguns espécimes mais iluminados e guiá-los para uma fuga do planeta Terra. Não seria fácil. O próprio homem se encarregaria de destruir todas as tentativas e avenidas. Uma guerra pelo controle da CERN se iniciou.


BOLIVÁRIA


Após uma série de bárbaros atentados no coração da Europa uma líder demente de um país irresponsável passou à proteger os terroristas islâmicos acolhendo-os e protegendo-os contra o ataque das potências ocidentais.

Uma coalizão se formou entre os países do cone sul. México, líder na produção de drogas cada vez mais poderosas aliou-se à Venezuela. Juntos pregavam uma união latina sem precedentes. Seria fundada nos princípios bolivarianos defendido por um psicopata morto no início do século XXI.

À estes dois paises juntou-se o Brasil e a Argentina. Em ação militar conjunta atacaram os países vizinhos fundando a Bolivária. Nela prevaleceria a corrupção, o crime em todas as formas, o tráfico e produção de drogas. Calcaram sua fôrça econômica no agronegócio e no petróleo. À eles se juntou a recém criada gigante da energia, a ENERGEX, uma empresa sem escrúpulos, bandeira ou moral.

Seu líder, o Comodoro Psycus, queria dominar o mundo. Havia se aliado com um tal de El Phetid, um árabe tresloucado e violento. Não teriam tido sucesso se a grande líder de Bolivária não garantisse salvo conduto. Hermafroditus, a aberração humana vivia consumindo Fornicália, a droga recém inventada por um cientista cubano de nome Che Esgotus. Fornicália levaria todos os habitantes do cone sul à escravidão.

Energex aumentava seu já inigualável poder. A economia do hemisfério norte havia colapsado com o aumento do nível do mar. New York foi submergida. A costa leste dos Estados Unidos praticamente desaparecida junto com grande parte da Europa. Os mercados financeiros já não funcionavam. A solução era consumir Fornicália. E o mundo se tornou dependente da droga.

Existiam somente os controladores. O povo escravizado pela Fornicália funcionava como zumbís. Durante o dia trabalhavam nos campos petrolíferos e na produção de alimentos. À noite tomavam a droga e nela se perdiam. Ninguém era dono de nada. O capitalismo foi totalmente exinto. Viviam em ruínas do passado.

Tudo era poluído, tudo era destruído.

A produção de alimentos em Bolivária ainda era fortíssima. A líder, Hermafroditus, controlava os mercados. Chantageava pela fome. A omissão dos asiáticos aumentava seu poder. Queria tomar o CERN.

Conclamou uma reunião com os comandantes supremos, Hermafroditus, El Phetid e o Comodoro Psycus. Indicariam seu chefe da segurança suprema, o grande Calhordus Plenus e sua  espiã Frigília como líderes do ataque ao CERN. Era de suma importância controlar a anti-matéria.


O PORTÃO DE ANTARES


A Terra não passaria do estágio I. A maioria dos planetas sucumbe quando não consegue harmonia entre seus habitantes. Viajavam pelas galáxias utilizando-se de portais quânticos para dominar o tempo. Podiam visitar em qualquer lugar ou dimensão. Ajudavam os planetas jovens à conquistar seus estágios evolutivos superiores. Salvavam alguns espécimes locais para um projeto maior, de codificação genética perfeita, sem as variáveis que os levavam à destruição.

Haviam chegado à Terra com o propósito de salvá-la. Haviam desistido da missão primária, salvariam somente alguns de seus habitantes. E quais seriam estes? Por mais de 40 anos mantiveram sua presença em segredo, mas com a queda dos controles e governos foram descobertos. O tempo era de essência. Tinham que acelerar o cronograma.

O CERN havia, com sucesso, conseguido criar diversas colisões de partículas diminutas. Na descoberta do bóson de Higgs notou-se um desdobramento quântico. Haviam sinalizado serem capazes de ir além. As teorias da simetria do universo foram provadas e com elas vislumbrou-se o controle da anti-matéria. E a fórmula para este controle estava guardada à sete chaves.

A nave mãe possuia um graviton cilíndrico. O aparelho replicava, em dimensão maior, as dobras quânticas do CERN.  Do outro lado do universo Antares se contrapunha com outro graviton de proporções gigantescas. Localizava-se no planeta Xanadu. Ficava assim criado um “worm hole” diretamente ligado ao complexo Franco-Suiço. Era por este caminho que um certo número de pessoas escolhidas iriam fazer sua jornada para fora da Terra, através do Portal de Antares.

Na interligação entre os gravitons formava-se uma quantidade expressiva de anti-matéria. Instável, este líquido azul pulsante trazia em si a fôrça destruidora de milhões de bombas atômicas. Seria capaz de destruir o planeta, se fosse desestabilizada.

Era necessário que a escolha dos viajantes fosse terminada com urgência. Era importante que fosse mantida em segredo. Sabiam que as fôrças contrárias à lei e ordem estavam à procura do poder maior, o controle sobre a anti-matéria.

O CERN havia sido protegido por uma enorme parede virtual. Energizada, esta parede impedia a entrada de tudo. Raios fulminantes exterminavam quaisquer objetos e seres interessados em se aproximar do grande colisor. Lá fora, tudo havia sido destruído. O que restava da Europa eram somente edificações em ruínas. Os viciados em Fornicália vagavam como seres sem alma, famélicos e com tendências canibalescas. A Europa linda e civilizada não existia mais.

O que havia sobrado de controle e comando civilizado estava alí, no CERN. Em reunião com os seres de Antares o grupo foi escolhido. Era liderado por Pussy Flower, a destemida.

Pussy era linda, como todas as pussys. Inteligente, formada em física nuclear, havia estudado com o grande “scholar” de Harvard, o Professor Clone, conhecido como “troublemaker”. Pussy seria fundamental em salvar os poucos terráqueos escolhidos.

O Portão de Antares estava quase  pronto.


FORNICÁLIA


Che Esgotus, cubano, mau caráter e inescrupuloso, era um cientista brilhante. Na sua juventude teve como inspiração o líder Fidel. Tinha dois filhos, Puñeta e Luleta.

Em seu laboratório na antiga base de Guantánamo estudava cruzar o crack com suco de tubérculos do Barão de Samedi. Diziam os antigos que o grande chefe do voodoo havia plantado uns tubérculos de orquídeas negras do Afeganistão. Ao degustá-los teve uma sensação fora do corpo realmente transcendental.

Resolveu então a misturá-las com crack e testá-las nos seus queridos rebentos. Luleta e Puñeta sorveram ávidamente a poção do pai cientista. Morreram na hora, não antes de experimentarem mudanças na cor da pele que reluzia em matizes psicodélicos. Tiveram vinte e três orgasmos consecutivos e depois passaram para o outro mundo.

Che Esgotus havia descoberto Fornicália. Um retoque aquí, outro alí, e a coisa estava pronta para consumo. O vício era instantâneo. A vontade de tomá-la novamente, em 24 horas era absurda. Não fazê-lo significava morte certa. As pessoas se tornavam escravas para poderem ter certeza que a teriam novamente.

As criaturas viciadas reluzem em cores mil. O sorriso orgásmico, contínuo retrata a êxtase plena que toma conta do usuário. A sensação de fornicamento amplificado domina os sentidos. Para voltar a tê-los abandonam sua liberdade e personalidade. Se tranformam em mortos vivos.


OS ISLÂMICOS


Tudo comecou com uma invasão mal sucedida a um país do Oriente Médio. Um presidente maluco e despreparado, intrinsecamente ligado à indústria do petróleo e aconselhado por uma eminência parda de alma negra desestabilizou uma região.

À época o planeta caminhava célere para passar ao estágio II. O recrudescimento do terrorismo iniciou um processo de invasão da Europa por extremistas religiosos mais interessados em 72 virgens após a morte do que conviver em paz com seu semelhante.

Paulatinamente destruíram monumentos, cidades, arte e cultura. Seu grande líder o Califa El Phetid levantou 2 bilhões de almas árabes e com elas exterminou aqueles que julgava serem infiéis. Não teria conseguido tal proeza se os efeitos do aquecimento global não tivessem arruinado as economias ocidentais.

Protegidos pelos bolivários, financiados pelo tráfico de drogas e pelas riquezas oriundas da única área produtora de alimentos no mundo, o Estado Islâmico cresceu. A descoberta da Fornicália os fortaleceu. O pacto com Hermafroditus o fez invencível.

Já se podia ter 72 virgens somente tomando uma dose de Fornicália. Virtuais, é claro!


HERMAFRODITUS


Talvez o mais hediondo dos mau caráteres. Terrorista por treinamento chegou por vias tortas à ocupar a cadeira de presidenta de um país sul-americano de reputação duvidosa. Seu mentor era uma criatura de nove dedos. Nunca trabalhou, sugava seus seguidores consumindo a seiva de suas vidas. Era um succubus vivo. Ambos idolatravam o Estado Islâmico.

No afã de consolidar seus planos de poder destruía barragens de lama inundando cidades, matando flora e fauna, com auxílio de empresas criminosas. Ficou feliz quando o mundo começou à esquentar. Em homenagem à ela mesma fez uma operação transformadora. Usando a genialidade perversa de Che Esgotus, mudou de sexo. Queria ser homem e mulher ao mesmo tempo. Passou a procriar criaturas deformadas que lhe serviam de pagens, em sua corte.

Sabia tomar Fornicália, nunca exagerava. Nos seus orgasmos insanos vislumbrava um mundo de cores etéreas, figuras cósmicas e dragões alucinados. Via a anti-matéria em suas mãos. Controlaria o universo. Tinha que destruir os seres de Antares.


ENERGEX


Comodoro Psycus era inescrupuloso. Treinado em uma empresa petrolífera do Brasil havia aprendido a distribuir pixulecos e com isto conquistar servos para sua vil causa.

Queria dominar o mundo através do controle da energia. Comprou, tomou, roubou e se apoderou de todas as outras empresas do ramo. Matou quando preciso. Junto com sua amada Hermafroditus traçou um plano diabólico de subjugação da humanidade.

Financiou as pesquisas genéticas promovidas pela sua afiliada farmacêutica o mega laboratório VIREX, com sede na Coreia do Norte. Testava nos habitantes da África. Matou todos.

Quando Fornicália foi descoberta teceu uma teia de distribuição instantânea. O sucesso foi total. Em três meses o mundo estava dominado. Somente os controladores não eram afetados, o resto da humanidade era escrava.

Agora, o CERN era uma ameaça aos seus planos hegemônicos. O ataque tinha de ser feito. Deveriam se apoderar da anti-matéria à todo custo. Juntos, Hermafroditus e o Comodoro Psycus ordenaram o ataque final.


O  ATAQUE


Era uma manhã de inverno. Aos pés dos Alpes os seres de Antares iniciavam a contagem retroativa e sincronizada dos colisores com os gravitons. Os escolhidos estavam preparados, últimas preleções feitas, quando o alarme soou.

O grupo liderado por Calhordus Plenus e Frigília tentavam destruir o campo de fôrça que protegia o complexo. Usavam armas sofisticadas e se utilizavam de escravos de Fornicália para, em hordes assustadoras, tentarem furar o bloqueio virtual.

O morticínio era tremendo. Os corpos caídos começavam a servir de atenuantes ao campo gravitacional causando distúrbios e brechas, enfraquecendo a proteção ao colisor.

Pussy Flower aparece. Sua beleza estonteante leva os viciados em Fornicália a aumentarem seus orgasmos consecutivos. Calhordus perdia controle de seus exércitos. Frigília tenta uma manobra desesperada, despindo-se e tentando competir com a fulgurância de Pussy Flower. O desequilíbrio era total.

Entre explosões, raios e petardos Pussy isola o grupo dos escolhidos. O graviton se sintoniza com o outro maior. O colisor acelera e o Portal se forma.

Rapidamente Pussy Flower empurra os antarianos e os escolhidos através do “worm hole”. Sua fuga é instantânea. O tempo para, o vórtex aumenta, a abertura quântica se materializa. Todos escapam.

Calhordus desesperado empurra Frigília na direção do grupo. Há um breve hiato, a Porta se fecha, o distúrbio quântico intensifica e uma inesperada colisão de hádrons se faz, fora do tempo, mas dentro do vórtex.

Uma bola azul de anti-matéria se forma.

Ávido por poder e controle, Calhordus consegue por um breve instante aprisionar a fôrça luminescente. Enlouquecido pensa ter domínio sobre a mesma. Tenta manipulá-la. Queria ainda impedir a saida dos seres de Antares e a expedição terráquea. Prejudicou o equilíbrio espaço-temporal.

De repente, em sua frente, via por janelas do tempo, a história da humanidade se desenrrolar como um filme.

Viu o início, o paraíso. Viu as guerras, as desgraças. Viu a destruição da Terra pelo homem. Rios de lama, rios de óleo. Sangue, peste, sofrimento, desgraça.

Viu seus amados líderes, Hermafroditus, El Phetid, o ignominioso Che Esgotus. Viu Frigília interrompendo o desenrrolar quântico. Viu o futuro.

O mundo acabara. A anti-matéria explodiu e com ela tudo se foi.

Tomou um comprimido de Fornicália em seu momento final. Reluziu, coloriu e foi para o espaço. Mas ainda teve tempo de mergulhar nos braços das 72 virgens que lhe pertenciam.

Quanto aos outros, fugiram do planeta Terra.  Subrepticiamente um espião àrabe de nome Abdulphajut havia penetrado junto aos escolhidos. Com um volume do Alcorão debaixo do braço chegou a Xanadu. A mistura terrível indicava o possível fim da civilização de Antares. Teriam eles escolhido o povo certo?

Pussy Flower aparece e como uma diva cósmica fulmina Abdulphajut, desferindo-lhe um raio epsilônico.  Abdulphajut fora exterminado.

O universo estava salvo.

FIM








terça-feira, 20 de junho de 2017

PIÚ FELICE
Homenagem póstuma á meu amigo
 Franco Morandini


Viveu amando loucamente.
Viveu ao lado de uma amada,
Viveu feliz…

Um dia ela partiu.
Com ela foi seu coração…
Estava velho, cansado, mas queria amar…

E amar uma bella dona.
Una bionda de terras distantes,
O fazia sentir-se jovem, novamente.

Achou novos amigos.
Declarou querer viver,
Intensamente…

Em rodas etílicas e gastronômicas,
Revelou-se jovem. Revelou-se amante.
E, para terra distante, partiu…

Partiu para não mais voltar.
Partiu para amar e ser amado, para ser jovem,
Para viver…

E vivendo intensamente, em seus últimos instantes,
Partiu…
Para a bela amada que havia tido.

Adeus amigo.
Adeus corisco d’Itália…

Auguri, sei piú felice!

segunda-feira, 19 de junho de 2017

O GRITO

Era um artista…
Gênio confuso. Mente prolixa.
Era triste…
Não gostava da vida,
E a vida, dele não gostava.

Sua tela mostrava as cores da noite.
Sua alma procurava a luz…
Que não encontrava.
Somente a negrura imensa,
A solitude infinda…

Tentou pintar a noite.
Seu pincel era preto.
Não viu as estrelas,
Não enxergou a lua,
Somente o negro vazio.

No seu quadro esquálido,
Sem cor,
Sem um gesto de amor,
Somente existia… a textura rôta,
O desespero infinito…

Gritou…
Um grito mudo, desesperador.
Tão forte era que o ouviu,
E, num vôo sem asas partiu.
No vazio sumiu…

Era escura a noite que via…
Era frio o vento que machucava.
O grito silencioso o levava ao fundo,
Do abismo adunco,
Que lhe dilacerava o corpo.

Achou ter encontrado a luz…
Pensou que vira cores.
Viu somente a mesma tela,
As negras tintas, o pincelar sêco, em desamores…
O mesmo grito…Mudo.


Assim viveu a eternidade.
Em repetições contínuas…
Pelo tempo e pelo espaço,
Em um vôo morto,
Como a noite que pintava…

Em um grito surdo…