FUGA DO PLANETA TERRA
Um amigo me disse: “Não posso mais viver em um planeta
com tantas iniquidades. Veja só, até o Stephen Hawkins já indica que o homem
precisa de sair deste planeta. Estamos acabando com ele e com isso estamos nos
auto exterminando. Por quê voce não escreve um conto sobre a Fuga da Terra?”
Daí...segue abaixo, à pedidos...
2086. O mundo não era mais o mesmo.
Os ataques terroristas do EI haviam desequilibrado a
economia mundial. A Europa foi a primeira a cair. A invasão africana trouxe
levas de terroristas infiltrados. Financiados pelo óleo do oriente médio e as
multinacionais da energia, os fanáticos atentavam contra tudo e contra todos.
Na América do Norte as mudanças climáticas haviam
destruído a capacidade dos Estados Unidos e Canadá de produzirem grãos e proteínas
suficientes para alimentar a população.
O aquecimento global elevou o nível dos oceanos.
Cidades e terras costeiras foram submersas.
A China se fechou. Havia estocado grãos e matéria
prima nos anos de fartura. Voltara a ser feudal. O Japão sucumbiu, colapsou
pela ausência de riquezas naturais. Austrália e Nova Zelândia ficaram inabitáveis.
As temperaturas durante o dia oscilavam em volta de 55 graus centígrados. O
mesmo aconteceu com o continente africano. A devastação era total.
Sobravam as Américas Central e do Sul. Políticas populistas
haviam tranformado tudo à sul do Estados Unidos em um país chamado Bolivária. Lá
o crime, drogas, escravidão e abuso eram as marcas dominantes daquela
sociedade. Com a capacidade de produzir grãos ainda em escala gigantesca a região
chantageava todas as outras nações do planeta. O caos era completo.
Vinte anos antes uma nave espacial oriunda de Antares
havia se aproximado da Terra. Trazia uma tecnologia estonteante. Eram capazes
de voar através do tempo. Em dobras quânticas penetravam portais intergaláticos.
Dominavam a quarta e quinta dimensões.
Em 2045 a Terra havia investido pesadamente nas
descobertas quânticas do grande acelerador de partículas. O CERN, localizado
entre a França e a Suiça havia sido duplicado. As experiências em busca do bóson
de Higgs haviam aberto portais quânticos durante os experimentos. Em certas
situações o tempo parava. Outras partículas ainda mais incríveis foram
descobertas. Estavam no limiar de controlar a anti-matéria.
As criaturas de Antares acompanhavam o desenvolvimento
do projeto. Havia receio que a Terra fosse incapaz de sair do seu estágio
inicial de civilização, o chamado estágio I. Neste, as civilizações geralmente
feneciam. Guerras, terrorismo, autodestruição e intolerância eram sempre os
fatores mais incisivos na eliminação das mesmas.
O aquecimento global e a exploração predatória já
haviam causado um impacto irreversível. A ganância das mega-corporações
internacionais aliadas aos experimentos genéticos imorais da indústria farmacêutica
haviam gerados pragas, pestilência, fome, guerras e terror. A Terra, como
planeta, não passaria do estágio I. Sua civilização estava marcada para extinção.
Havia entretanto, uma aura de brilhância nos seres
humanos. Esta luz era a única motivação que tínham os seres de Antares para
ainda tentarem salvar a raça humana. Se não podiam existir no planeta
condenado, talvez poderiam viver em
outro mundo. Sua missão era salvar alguns espécimes mais iluminados e guiá-los
para uma fuga do planeta Terra. Não seria fácil. O próprio homem se
encarregaria de destruir todas as tentativas e avenidas. Uma guerra pelo
controle da CERN se iniciou.
BOLIVÁRIA
Após uma série de bárbaros atentados no coração da
Europa uma líder demente de um país irresponsável passou à proteger os
terroristas islâmicos acolhendo-os e protegendo-os contra o ataque das potências
ocidentais.
Uma coalizão se formou entre os países do cone sul. México,
líder na produção de drogas cada vez mais poderosas aliou-se à Venezuela.
Juntos pregavam uma união latina sem precedentes. Seria fundada nos princípios
bolivarianos defendido por um psicopata morto no início do século XXI.
À estes dois paises juntou-se o Brasil e a Argentina.
Em ação militar conjunta atacaram os países vizinhos fundando a Bolivária. Nela
prevaleceria a corrupção, o crime em todas as formas, o tráfico e produção de
drogas. Calcaram sua fôrça econômica no agronegócio e no petróleo. À eles se
juntou a recém criada gigante da energia, a ENERGEX, uma empresa sem escrúpulos,
bandeira ou moral.
Seu líder, o Comodoro Psycus, queria dominar o mundo.
Havia se aliado com um tal de El Phetid, um árabe tresloucado e violento. Não
teriam tido sucesso se a grande líder de Bolivária não garantisse salvo
conduto. Hermafroditus, a aberração humana vivia consumindo Fornicália, a droga
recém inventada por um cientista cubano de nome Che Esgotus. Fornicália levaria
todos os habitantes do cone sul à escravidão.
Energex aumentava seu já inigualável poder. A economia
do hemisfério norte havia colapsado com o aumento do nível do mar. New York foi
submergida. A costa leste dos Estados Unidos praticamente desaparecida junto
com grande parte da Europa. Os mercados financeiros já não funcionavam. A solução
era consumir Fornicália. E o mundo se tornou dependente da droga.
Existiam somente os controladores. O povo escravizado
pela Fornicália funcionava como zumbís. Durante o dia trabalhavam nos campos
petrolíferos e na produção de alimentos. À noite tomavam a droga e nela se
perdiam. Ninguém era dono de nada. O capitalismo foi totalmente exinto. Viviam
em ruínas do passado.
Tudo era poluído, tudo era destruído.
A produção de alimentos em Bolivária ainda era fortíssima.
A líder, Hermafroditus, controlava os mercados. Chantageava pela fome. A omissão
dos asiáticos aumentava seu poder. Queria tomar o CERN.
Conclamou uma reunião com os comandantes supremos,
Hermafroditus, El Phetid e o Comodoro Psycus. Indicariam seu chefe da segurança
suprema, o grande Calhordus Plenus e sua
espiã Frigília como líderes do ataque ao CERN. Era de suma importância
controlar a anti-matéria.
O PORTÃO DE ANTARES
A Terra não passaria do estágio I. A maioria dos
planetas sucumbe quando não consegue harmonia entre seus habitantes. Viajavam
pelas galáxias utilizando-se de portais quânticos para dominar o tempo. Podiam
visitar em qualquer lugar ou dimensão. Ajudavam os planetas jovens à conquistar
seus estágios evolutivos superiores. Salvavam alguns espécimes locais para um
projeto maior, de codificação genética perfeita, sem as variáveis que os
levavam à destruição.
Haviam chegado à Terra com o propósito de salvá-la.
Haviam desistido da missão primária, salvariam somente alguns de seus
habitantes. E quais seriam estes? Por mais de 40 anos mantiveram sua presença
em segredo, mas com a queda dos controles e governos foram descobertos. O tempo
era de essência. Tinham que acelerar o cronograma.
O CERN havia, com sucesso, conseguido criar diversas
colisões de partículas diminutas. Na descoberta do bóson de Higgs notou-se um
desdobramento quântico. Haviam sinalizado serem capazes de ir além. As teorias
da simetria do universo foram provadas e com elas vislumbrou-se o controle da
anti-matéria. E a fórmula para este controle estava guardada à sete chaves.
A nave mãe possuia um graviton cilíndrico. O aparelho
replicava, em dimensão maior, as dobras quânticas do CERN. Do outro lado do universo Antares se
contrapunha com outro graviton de proporções gigantescas. Localizava-se no
planeta Xanadu. Ficava assim criado um “worm hole” diretamente ligado ao
complexo Franco-Suiço. Era por este caminho que um certo número de pessoas
escolhidas iriam fazer sua jornada para fora da Terra, através do Portal de
Antares.
Na interligação entre os gravitons formava-se uma
quantidade expressiva de anti-matéria. Instável, este líquido azul pulsante
trazia em si a fôrça destruidora de milhões de bombas atômicas. Seria capaz de
destruir o planeta, se fosse desestabilizada.
Era necessário que a escolha dos viajantes fosse
terminada com urgência. Era importante que fosse mantida em segredo. Sabiam que
as fôrças contrárias à lei e ordem estavam à procura do poder maior, o controle
sobre a anti-matéria.
O CERN havia sido protegido por uma enorme parede
virtual. Energizada, esta parede impedia a entrada de tudo. Raios fulminantes
exterminavam quaisquer objetos e seres interessados em se aproximar do grande
colisor. Lá fora, tudo havia sido destruído. O que restava da Europa eram
somente edificações em ruínas. Os viciados em Fornicália vagavam como seres sem
alma, famélicos e com tendências canibalescas. A Europa linda e civilizada não
existia mais.
O que havia sobrado de controle e comando civilizado
estava alí, no CERN. Em reunião com os seres de Antares o grupo foi escolhido.
Era liderado por Pussy Flower, a destemida.
Pussy era linda, como todas as pussys. Inteligente,
formada em física nuclear, havia estudado com o grande “scholar” de Harvard, o
Professor Clone, conhecido como “troublemaker”. Pussy seria fundamental em
salvar os poucos terráqueos escolhidos.
O Portão de Antares estava quase pronto.
FORNICÁLIA
Che Esgotus, cubano, mau caráter e inescrupuloso, era
um cientista brilhante. Na sua juventude teve como inspiração o líder Fidel.
Tinha dois filhos, Puñeta e Luleta.
Em seu laboratório na antiga base de Guantánamo
estudava cruzar o crack com suco de tubérculos do Barão de Samedi. Diziam os
antigos que o grande chefe do voodoo havia plantado uns tubérculos de orquídeas
negras do Afeganistão. Ao degustá-los teve uma sensação fora do corpo realmente
transcendental.
Resolveu então a misturá-las com crack e testá-las nos
seus queridos rebentos. Luleta e Puñeta sorveram ávidamente a poção do pai
cientista. Morreram na hora, não antes de experimentarem mudanças na cor da
pele que reluzia em matizes psicodélicos. Tiveram vinte e três orgasmos
consecutivos e depois passaram para o outro mundo.
Che Esgotus havia descoberto Fornicália. Um retoque
aquí, outro alí, e a coisa estava pronta para consumo. O vício era instantâneo.
A vontade de tomá-la novamente, em 24 horas era absurda. Não fazê-lo
significava morte certa. As pessoas se tornavam escravas para poderem ter
certeza que a teriam novamente.
As criaturas viciadas reluzem em cores mil. O sorriso
orgásmico, contínuo retrata a êxtase plena que toma conta do usuário. A sensação
de fornicamento amplificado domina os sentidos. Para voltar a tê-los abandonam
sua liberdade e personalidade. Se tranformam em mortos vivos.
OS ISLÂMICOS
Tudo comecou com uma invasão mal sucedida a um país do
Oriente Médio. Um presidente maluco e despreparado, intrinsecamente ligado à
indústria do petróleo e aconselhado por uma eminência parda de alma negra
desestabilizou uma região.
À época o planeta caminhava célere para passar ao estágio
II. O recrudescimento do terrorismo iniciou um processo de invasão da Europa
por extremistas religiosos mais interessados em 72 virgens após a morte do que
conviver em paz com seu semelhante.
Paulatinamente destruíram monumentos, cidades, arte e
cultura. Seu grande líder o Califa El Phetid levantou 2 bilhões de almas árabes
e com elas exterminou aqueles que julgava serem infiéis. Não teria conseguido
tal proeza se os efeitos do aquecimento global não tivessem arruinado as economias
ocidentais.
Protegidos pelos bolivários, financiados pelo tráfico
de drogas e pelas riquezas oriundas da única área produtora de alimentos no
mundo, o Estado Islâmico cresceu. A descoberta da Fornicália os fortaleceu. O
pacto com Hermafroditus o fez invencível.
Já se podia ter 72 virgens somente tomando uma dose de
Fornicália. Virtuais, é claro!
HERMAFRODITUS
Talvez o mais hediondo dos mau caráteres. Terrorista
por treinamento chegou por vias tortas à ocupar a cadeira de presidenta de um
país sul-americano de reputação duvidosa. Seu mentor era uma criatura de nove
dedos. Nunca trabalhou, sugava seus seguidores consumindo a seiva de suas
vidas. Era um succubus vivo. Ambos idolatravam o Estado Islâmico.
No afã de consolidar seus planos de poder destruía
barragens de lama inundando cidades, matando flora e fauna, com auxílio de
empresas criminosas. Ficou feliz quando o mundo começou à esquentar. Em
homenagem à ela mesma fez uma operação transformadora. Usando a genialidade
perversa de Che Esgotus, mudou de sexo. Queria ser homem e mulher ao mesmo
tempo. Passou a procriar criaturas deformadas que lhe serviam de pagens, em sua
corte.
Sabia tomar Fornicália, nunca exagerava. Nos seus
orgasmos insanos vislumbrava um mundo de cores etéreas, figuras cósmicas e
dragões alucinados. Via a anti-matéria em suas mãos. Controlaria o universo.
Tinha que destruir os seres de Antares.
ENERGEX
Comodoro Psycus era inescrupuloso. Treinado em uma
empresa petrolífera do Brasil havia aprendido a distribuir pixulecos e com isto
conquistar servos para sua vil causa.
Queria dominar o mundo através do controle da energia.
Comprou, tomou, roubou e se apoderou de todas as outras empresas do ramo. Matou
quando preciso. Junto com sua amada Hermafroditus traçou um plano diabólico de
subjugação da humanidade.
Financiou as pesquisas genéticas promovidas pela sua
afiliada farmacêutica o mega laboratório VIREX, com sede na Coreia do Norte.
Testava nos habitantes da África. Matou todos.
Quando Fornicália foi descoberta teceu uma teia de
distribuição instantânea. O sucesso foi total. Em três meses o mundo estava
dominado. Somente os controladores não eram afetados, o resto da humanidade era
escrava.
Agora, o CERN era uma ameaça aos seus planos
hegemônicos. O ataque tinha de ser feito. Deveriam se apoderar da anti-matéria
à todo custo. Juntos, Hermafroditus e o Comodoro Psycus ordenaram o ataque final.
O
ATAQUE
Era uma manhã de inverno. Aos pés dos Alpes os seres
de Antares iniciavam a contagem retroativa e sincronizada dos colisores com os
gravitons. Os escolhidos estavam preparados, últimas preleções feitas, quando o
alarme soou.
O grupo liderado por Calhordus Plenus e Frigília
tentavam destruir o campo de fôrça que protegia o complexo. Usavam armas
sofisticadas e se utilizavam de escravos de Fornicália para, em hordes
assustadoras, tentarem furar o bloqueio virtual.
O morticínio era tremendo. Os corpos caídos começavam
a servir de atenuantes ao campo gravitacional causando distúrbios e brechas,
enfraquecendo a proteção ao colisor.
Pussy Flower aparece. Sua beleza estonteante leva os
viciados em Fornicália a aumentarem seus orgasmos consecutivos. Calhordus
perdia controle de seus exércitos. Frigília tenta uma manobra desesperada,
despindo-se e tentando competir com a fulgurância de Pussy Flower. O desequilíbrio
era total.
Entre explosões, raios e petardos Pussy isola o grupo
dos escolhidos. O graviton se sintoniza com o outro maior. O colisor acelera e
o Portal se forma.
Rapidamente Pussy Flower empurra os antarianos e os
escolhidos através do “worm hole”. Sua fuga é instantânea. O tempo para, o vórtex
aumenta, a abertura quântica se materializa. Todos escapam.
Calhordus desesperado empurra Frigília na direção do
grupo. Há um breve hiato, a Porta se fecha, o distúrbio quântico intensifica e
uma inesperada colisão de hádrons se faz, fora do tempo, mas dentro do vórtex.
Uma bola azul de anti-matéria se forma.
Ávido por poder e controle, Calhordus consegue por um
breve instante aprisionar a fôrça luminescente. Enlouquecido pensa ter domínio
sobre a mesma. Tenta manipulá-la. Queria ainda impedir a saida dos seres de
Antares e a expedição terráquea. Prejudicou o equilíbrio espaço-temporal.
De repente, em sua frente, via por janelas do tempo, a
história da humanidade se desenrrolar como um filme.
Viu o início, o paraíso. Viu as guerras, as desgraças.
Viu a destruição da Terra pelo homem. Rios de lama, rios de óleo. Sangue,
peste, sofrimento, desgraça.
Viu seus amados líderes, Hermafroditus, El Phetid, o
ignominioso Che Esgotus. Viu Frigília interrompendo o desenrrolar quântico. Viu
o futuro.
O mundo acabara. A anti-matéria explodiu e com ela
tudo se foi.
Tomou um comprimido de Fornicália em seu momento
final. Reluziu, coloriu e foi para o espaço. Mas ainda teve tempo de mergulhar
nos braços das 72 virgens que lhe pertenciam.
Quanto aos outros, fugiram do planeta Terra. Subrepticiamente um espião àrabe de nome
Abdulphajut havia penetrado junto aos escolhidos. Com um volume do Alcorão
debaixo do braço chegou a Xanadu. A mistura terrível indicava o possível fim da
civilização de Antares. Teriam eles escolhido o povo certo?
Pussy Flower aparece e como uma diva cósmica fulmina
Abdulphajut, desferindo-lhe um raio epsilônico.
Abdulphajut fora exterminado.
O universo estava salvo.
FIM