sexta-feira, 30 de junho de 2017

CARLÃO



Sujeito ameno, simpático e bom partido. Fazia parte de um grupo de play boys que se auto intitulavam Irmãos Brothers. Aprontavam à bessa, porém, nesta ocasião eram inocentes.

Um domingo ensolarado, um aniversário à comemorar, um churrasco no topo da montanha. Fora convidado e para lá foi. Penteou seus dois fios de cabêlo com esmêro, colocou a mais guapa camisa e, com sorriso pleno, aproximou-se do quiosque para o abraço do amigo que o convidara.

A festa acontecia alegre. Uma ilustre senhora de traços finos sorvia seu escocês habitual. Já havia tomado uma loura para limpar a serpentina. Passou por uma garrafa do melhor tinto e  mergulhava nos braços de um Johnny, vermelhinho. Seguia os conselhos de um laureado ícone que aconselhava, entre outras pérolas, beber sempre variando as marcas e tipos. Evita ficar viciado, dizia.

Um brado se fez ouvir...

“Penetra! Vejam só, filando bóia, bebendo uisquinho...Penetra, miserável!!!”

Olhou para um lado e para outro. Achou, infelizmente, que era com ele mesmo. A doce senhora discursava com veemência petista.

“Vá penetra...volte para donde viestes!.. Vade retrum.”

Pensou, aquilo devia ser um mal entendido. Iria para o deck acima, fumaria um cigarrinho e voltaria quando tudo estivesse calmo. E assim o fez.

No alto, encontrou com uma bela e formosa criatura. Achava que era a namorada do amigo, do irmão brother que o convidara. Foi ótimo! Bateram longos papos, ela à dar corda e ele tentando esquecer a furiosa madame lá de baixo.

De repente, eis que surge outra, tão bela e tão formosa quanto a primeira, e, era igualzinha a ela. “Meu Deus tem duas, e ele não me falou nada! Balbuciou.”

Desceu meio atordoado, meio escamoteado e meio abalado. “Véio, tem duas...fui expulso...tô tonto...tô vendo em dobro...vou embora!”

Os dias se passaram e a doce senhora já havia recuperado o bom senso que a permeava. Dos amigos ouviu o relato de seu feito. Quase em prantos pedia a todos que a perdoassem. Não sabia mais o que fazer. “Não me lembro nem do rosto do coitado, meu Deus, acho que bebí demais.”

Um outro domingo chegou e com ele mais uma sessão em homenagem à Bacco.

A irmã do amigo em conlúio com sua namorada (a tal duplicata) planejavam vingança. Aproximaram-se de um alto e elegante rapaz e com ele prepararam uma armadilha perfeita.

“Doce senhora, lembra-se do Carlão? Ele esta alí, no deck, tomando uma cerveja.”

Foi o gatilho necessário. Subiu correndo e esbaforida jogou-se aos pés do rapaz. Perdoe-me Carlão, não sabia...Perdoe-me, eu não sou assim, não sei o que aconteceu.

O suposto Carlão virou o rosto com desdém e respondeu: “Jamais, jamais...”

Até hoje, vive a se desculpar. O verdadeiro Carlão ainda não voltou, bebeu demais para esquecer, perdeu seus dois últimos fios e continua a ver em dobro. A vida na montanha continua...







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