CLONE
Eram dois. Um parecia com o outro e o outro com o um. Como era mais novo
virou clone do outro. Era meio nuclear, gostava de coisas quânticas.
Especialista em trapalhadas deixava o outro para trás. Este, mais discreto foi
cuidar de vacas. Ele, mais afeto às obras de Bacco, juntou-se à um bando de etílicos
para contar seus feitos.
De feito em feito enche estas páginas de momentos inesquecíveis.
Recentemente, após uma rodada de Jack Daniels e seus asseclas foi para
casa onde, para manter a tradição, tinha de tomar uma expulsadeira. Isto porque
já tinha sorvido saideiras incontáveis discutindo teoria das cordas e mundos
paralelos.
A casa, deliciosa, de madeira e degraus diversos era o lar da filha de
Corina. A doce madame tinha o hábito de prover sua mansão com tapetes voadores.
Uma ilustre dama de qualidades espanholas já havia pilotado um. O trágico
desfecho a deixou empenada e adernada.
Sua última façanha voadora fez do Clone um bólido destruidor de um
criado mudo. Dizem que a criada era muda ou estava nela. O fato é que hoje fala
que nem maritaca assanhada.
Sua pressa era tanta que não tirou o Johnny da caixa. Em um copo cheio
de gelo despejava o precioso líquido, com choro e vela de praxe. Não viu o degrau
atrás de seus pés.
Voou. Voo curto, para baixo, de costas. Acertou seu cóccix em algo protubero.
Desmantelou tudo ao redor.
Não perdeu uma gota sequer do elixir sagrado. Nem do copo, nem da
garrafa.
Com dor em região suspeita resolveu se anestesiar, tomando o resto da
garrafa toda. A filha de Corina estarrecida não sabia o que fazer. Queria
passar pomadinhas em locais que nem ele gostava de por a mão. Resistiu enquanto
pode. Desmaiou não por dor, mas por excesso.
Não consegue explicar por que se sente um tanto lubrificado. As más línguas
já falam que sua voz é de soprano.
Em tempo e segundo o Aurélio:
:”CLONE; conjunto de indivíduos originários de outros por multiplicação
assexual. Todos os membros de um clone têm o mesmo patrimônio genético.”























