terça-feira, 29 de maio de 2018


NUVENS



Branco, algodão
Macias, etéreas
Fofas
De doce?
Açúcar, mel
Beijos da amada
Deitada
Cobrem os vales
Manta de neve
Se pintam no amanhecer
Colorem as tardes
No decúbito do astro
Na noite se escondem
E, em cinzas
Desaparecem…

segunda-feira, 28 de maio de 2018


O HOMEM QUE PERDEU SETE ANOS


Uma figura ímpar.

Ímpar, de aquele que não tem par…único.

Meio arredio, fugidio, às vezes escondido. Isso quando não era um ímpar ao contrário, ou seja, assanho, encantador, sedutor.

Já tinha tido uma cobertura capilar de causar inveja. Vaidoso, desesperou-se ao vê-la se esvair, dai fugidio ficou. Vaidoso, não queria ser idoso.

Nas idas e vindas ao seu dileto e preferido barbeiro queria que o mesmo lhe cobrasse mais pelas tesouradas nele dadas. Daria a impressão que a antiga juba ainda existiria. Fá-lo-ia feliz. Mas, a desdita era tal que um dia o mesmo recusou-se à receber pelos serviços. Havia aparado somente um fio, justo aquele que lhe restara.

Desolado, voltou para casa. Acordou na manhã seguinte e desesperado notou, ali em frente ao maldito espelho, que o bicho falecera. Seu último exemplo de uma outrora exuberante massa capilar desapareceu ser deixar traço, sequer uma nota acalentadora, sequer uma despedida amorosa.

Nos escuros cantos por onde escrevia seus contos urdiu com a francesa amada um diabólico plano. Não faria mais aniversários. Escolheu o dia da Bastilha como a nova data de seu nascimento e, aos 69, estacionou.

Sim, pois 69 lhe trazia a esperança de uma versatilidade nas coisas do amor. E, sessenta e nove só poderia ser invertido aos noventa e seis. Lá, nada mais contaria.

Em seu último aniversário, aos 69, declarou que não mais faria anos. Recusou qualquer tentativa dos amigos para comemorar tal data. Miseráveis masoquistas e sádicas criaturas, isso lá é coisa que se faça com alguém cujo teto mais parecia um campo de aviação?

E, assim, foi tocando o barco.

Os meses se passaram e a data se aproximava. O mais chato dos amigos insistia na comemoração. À ele disse: “Para que comemorar 77 anos?”

77???

“De onde surgira tal número?”

“Da minha idade, respondeu”.

Mas como? No ano passado era 69. Para onde foram estes 7 anos?
Setenta e seis indo para setenta e sete…

Voltaram-se todos para a bela francesa. Queriam confirmação.

Estava claro que ela lhe dava cobertura. Até que o mais chato perguntou se ele não havia sido abduzido e desaparecido por sete anos e, naquele tempo, aproveitado a vida com marcianas de pele verde e venusianas azuis.

A francesa então enfureceu-se. Entregou o jogo. Instalou a guilhotina. Ordenou…

Cortem-lhe a cabeça!!!

A calva criatura, com um sorriso maroto, quiçá matreiro, escafedeu-se.

Foi visto naquele barbeiro amigo encomendando uma peruca.

Voltaria aos seus sessenta e nove.

Como bom jornalista deixou no ar a dúvida. Teria ele realmente 77? Para onde foram sete anos em um? Ou era isto tudo parte de um comovente plano para ser reverenciado pelos seus 69 eternamente?

Somente a peruca poderia dizer…

domingo, 27 de maio de 2018


MOUCO


Estou louco
Rouco
Mouco
Um grito surdo
Mudo
De um amor perdido
Coração partido
Choro triste
Não mais existe
Sinto o perfume
Vai-se o negrume
De minh’alma partida
Volta querida
Me beije
Me abrace
Me amasse
Me devora
Na hora
Pois quero partir
Fugir
E, no amor me perder…
Nos seus braços volver
Rouco, mouco
Louco
De amor


sábado, 26 de maio de 2018


I LOVE ONLY YOU


You are always in my heart
Love, sweet love
I feel the lust of your touch
Like a dove
Flying, gently
Making me happy
Lost in space
Embrace me, tender, softly
Because
I love only you
My beloved, my darling

quinta-feira, 24 de maio de 2018


REFLEXÕES SOBRE O AMOR

Sinto o calor de amar como se fosse um mar
Mar revolto, mar de paz
Sinto o frio do amor como o gelo quando em degelo se desfaz
Amor que dura, arrebata , devora, acaricia
Amor fugaz, que foge , abandona, liquefaz
Amor enche, preenche, mata, desmata
Amor nasce, cresce, envolve, devolve
Sinto o amor me levar em seus braços macios
Em carícias doces e aveludadas me perco
Não volto, nele me desfaço
No espaço

terça-feira, 22 de maio de 2018


TRISTEZA



Tristeza
Tua cor é cinza
Sem alma, emoção
Em pinceladas desnudas
Não encantas, desmanchas
Não mudas
Não tens compaixão
Peço a ti o perdão

Tristeza
Nos deixa, sem a beleza
Da vida
Tens somente a frieza
Perdida
Na falta das cores
A certeza de dores
Desamores

Tristeza
Por que queres a mim machucar?
Nada lhe fiz, somente quiz amar
Não tens a beleza
Da saudade e leveza
Que invade meu coração
Onde o amor e a paixão
Nele habitam...
Com certeza infinita



sábado, 19 de maio de 2018


IF I HAD A DREAM


If I had a dream
It would not be sad
In your arms, I would find myself
Sweet, tender, in love
Lost in space, lost in the lust
Of your lips
Your flesh
Your body

If I had a dream
It would be gay
Smiles of happiness
Words of joy
I would pray forever
To keep this moment
In my heart, in my mind
eternally

If I had a dream
It would be for all, men and women
Without love, hope and tenderness
To bring light
Luminous laughter,
A prayer of joy
Love and fulfillment
In all hearts

So, I dream
To have a dream
To dream again
To dream forever
To dream of love
To love to dream



sexta-feira, 18 de maio de 2018


REALIDADE REAL


O dia era frio.

Um frio gostoso em um mês de maio, nas montanhas.

O céu anil, esparsas nuvens, um vento leve à sibilar entre os cânions de pedras pontiagudas e ritmadas pela erosão dos anos.

Pássaros alegres, entre eles o gavião feroz, fingindo que não era notado.

Chegara o inverno, noites claras estreladas, festas e balões que não mais subiam. Uma estrela cadente, um canto noturno de uma desconhecida criatura. Pitada de mistério à colorir as mentes sonhadoras.

A beleza do mundo, em sua forma natural, simples, previsível. 

Um sonho gostoso, sentindo a calma aconchegante de mãe Terra a cuidar de seus incontáveis rebentos.

Mas os dias passam, manhãs chegam, noites partem.

No real do mundo que pouco muda, mudam eles, os seres que se acham escolhidos. Acham-se, porque não sabem que não o são. Escolhidos sim, são todos aqueles que nele vivem, e, provavelmente, não aqueles que se acham.

Pois estas arrogantes criaturas, nos seus afazeres deletérios, destroem, povoam inconsequentemente, não respeitam o mundo que lhes dá guarida. Ali, chafurdam em mixórdias convolutas, pois se acham com tal direito.

O real sucumbe à realidade mundana e aviltante.

Se a mãe ainda não os recusou, certamente o fará, não somente para sua própria sobrevivência, mas pela existência de todas as outras criaturas que dela dependem e a ela respeitam.

Vejo um amanhã triste . Uma soberba espécie se auto extinguindo. Um mundo cansado.

Vejo um amanhã alegre, quando o cansado mundo acorda sem seu filho insensível, o homem.

A realidade real…

Que certamente virá.


quinta-feira, 17 de maio de 2018


O GRITO

Era um artista…
Gênio confuso. Mente prolixa.
Era triste…
Não gostava da vida,
E a vida, dele não gostava.

Sua tela mostrava as cores da noite.
Sua alma procurava a luz…
Que não encontrava.
Somente a negrura imensa,
A solitude infinda…

Tentou pintar a noite.
Seu pincel era preto.
Não viu as estrelas,
Não enxergou a lua,
Somente o negro vazio.

No seu quadro esquálido,
Sem cor,
Sem um gesto de amor,
Somente existia… a textura rôta,
O desespero infinito…

Gritou…
Um grito mudo, desesperador.
Tão forte era que o ouviu,
E, num vôo sem asas partiu.
No vazio sumiu…

Era escura a noite que via…
Era frio o vento que machucava.
O grito silencioso o levava ao fundo,
Do abismo adunco,
Que lhe dilacerava o corpo.

Achou ter encontrado a luz…
Pensou que vira cores.
Viu somente a mesma tela,
As negras tintas, o pincelar sêco, em desamores…
O mesmo grito…Mudo.


Assim viveu a eternidade.
Em repetições contínuas…
Pelo tempo e pelo espaço,
Em um vôo morto,
Como a noite que pintava…
Em um grito surdo…


terça-feira, 15 de maio de 2018




O MENINO TRISTE

Quando esperava, dizia que aquela criança era o bebê mais delicado que havia visto. Flutuava como uma pena, parecia vibrar em seu ventre, doce, gentilmente…

Quando nasceu, não sentiu nada. Um nada em termos físicos, um tudo em um tsunami de amor.

Quando crescia, não chorava. Parecia que cantava, uma canção que não se ouvia, mas se sentia.

Quando virou criança, em passos trôpegos, corria para os seus braços. 

Corria sempre, com um olhar triste e um sorriso iluminado. Corria célere, silente, radiante, esfuziante.

De sua boca nunca saiu um som, um choro, um murmúrio, Mas chorava, com seus olhos azuis. Um azul do céu, profundo, triste e cheio de carinho. 

Seus olhos falavam.

Nas brigas dos irmãos trazia a paz com sua simples presença. Nos folguedos trazia alegria, fugia a tristeza.

Disse alguém que o vira perto de um sabiá morto. O carcará, em luta terrível o havia abatido quando defendia seu ninho. Ali caído, inerte, com sua plumagem de tons laranjas e cinzas da terra, estava estático, imóvel. 

De seu dedo indicador uma luz de um azul celestial brilhou por um interminável segundo. O pássaro voou e no seu voo rodopiava a seu redor tocando-o levemente na face partindo com um cantar de primavera. Dó, Mi, Sol…Dó, Mi, Sol…

Quando na noite chorava, triste pelas desditas da vida, triste pelo amor perdido, o marido que fugiu, a luta diária, o trabalho de mulher e homem que agora enfrentava, o via se aproximar como se ao chão não tocasse e, flutuando a beijava na testa. O choro fugia, um calor intenso penetrava em seu coração e ali, naquele momento sentia-se a mais feliz das mães.

Mães não veem defeitos em seus rebentos. Somente o belo, as virtudes que, se ainda não têm, certamente as terão, um dia. Mães deixam o amor perpétuo envolver seus filhos. Amor que nunca é maculado, mesmo quando o ingrato filho não consegue enxergá-lo. Mas ele ingrato não era. 

Era uma criatura que parecia não ser daqui. Nunca falou, mas sempre disse tudo. Nunca se mostrou feliz, mas irradiava a paz, a harmonia, o carinho.

Parecia sempre cantar. Ouvia-se um Mozart quando fitava. Ouvia-se um Puccini quando Butterfly perdia seu filho, num momento pungente de um coração dilacerado. Ouvia-se o cantar de anjos. Mas nada era tocado, nada era ouvido, tudo era sentido, um tudo em tudo. Era somente ele, ali, a olhar. O silêncio mais ruidoso que alguém poderia sentir.

E um dia ela adoeceu. Em sua doença, sentiu que partiria. As lágrimas vertidas queimavam sua face. Que seria de sua prole. Que seria do triste menino, que nada falava e tudo dizia, que seria de sua família?

Pediu ao Pai, num momento de contrição e fé indescritível que a poupasse. Que lhe desse tempo para encaminhá-los na vida, que os abençoasse. Pediu perdão por tudo, até por existir. Pediu pelo triste menino…

No dia seguinte acordou. Não mais se encontrava enferma. Não mais desenganada. Sentia-se jovem, mais linda, cheia de energia e amor. Em um movimento rápido correu para beijar seus filhos. Agradecer à Deus por ali estar, agradecer por poder tocá-los, agradecer por poder velá-los.

Achou-os todos, menos o menino triste.

Em sua pequenina cama, impecavelmente arrumada… um bilhete.

Não era um bilhete qualquer. Reluzia…

Letras prateadas contavam uma pequena mensagem:

Mãezinha, são estas minhas palavras, as primeiras e últimas. Vim para velar por ti, pois a ti amo e sempre amei. Quando fores realmente embora nos encontraremos e lá viveremos, mais uma vez, o amor que sempre tivemos.

Uma lágrima de sua face rolou, e, no papel de letras prateadas tocou, este, em suas mãos desmanchou.

O menino triste de olhos cor do céu, de carinho infinito havia partido. E em seu anjo da guarda transformou…

E o sabiá novamente cantou…Dó, Mi, Sol…Dó, Mi, Sol…
Sabia Laranjeira

domingo, 13 de maio de 2018



PERPLEXO



A maçaneta de bronze polido em uma porta de vermelho vivo mostrava o zelo em preservar aquela moradia dos idos anos vinte, no século passado.

A casa era perfeita.

Linda, bem cuidada, aconchegante.

Eu ali estava. Sabia que já a tinha visto, que ali estivera. Mas o saber não era o que importava, era sim a perplexidade do que acontecia.

Com um movimento leve abri a porta.

Foi ali que a vi. A via, melhor dizendo. Bela, esvoaçante, coberta por um gaze transparente, flutuava como um anjo, sorria um sorriso de doce, de mel e cravo, picante, envolvente.

Chegava perto e quanto mais perto, mais longe. Era como se minha mão estendesse num pedido efêmero, por um toque mágico, que nunca se realizava. O abismo infinito entre as pontas de meus dedos e sua pálida mão parecia encurtar-se aos movimentos e alongar-se ao meu desejo de me fundir, em um só corpo, uma só alma, um só ser.

Estava apaixonado.


Aquela porta, suas ferragens de bronze, o entalhe da madeira, o esculpido de formas leves, barrocas, tingidas de rubro, marcavam meus pensamentos. Era o cartão de visita para lá voltar.

E, lá voltei. Muitas vezes. Tantas eram que já não sabia quando começou.

Sabia que o amor existiu, como um raio fulminante, descido de uma tempestade de luz, num túnel do tempo, onde ele, imóvel, não passava. Na relatividade de tudo, o presente, o passado e o futuro eram um só.

Minha mente, em um turbilhão de emoções tentou racionalizar. 

Pensamentos mecânicos, lógica prevalente, raciocínio compilativo. 

Inútil exercício. Fugaz pretensão…

Era um sonho ou realidade?

Tinha todos os ingredientes do dito, mas era absolutamente igual, repetitivo.

Era um delírio, alucinação de um amante apaixonado, perdido na irracionalidade do sentimento mais puro de um homem?

Era real?

Acontecia no espaço-tempo em que vivia ou era uma manifestação quântica… a porta vermelha…a passagem para outro mundo paralelo, onde eu vivia, igualmente àquele de onde vim.

Mas tinha um quê de mistério, um tempero de um ingrediente mágico, quiçá louco. Tão louco era que já não sabia se eu existia ou não. Na loucura dos momentos vividos e reprisados finalmente senti seu propósito maior.

Perplexo entendi…


Não sonhava, não existia…

Havia morrido.

sexta-feira, 11 de maio de 2018



VERTIGEM


Achei que tinha bebido. Além da conta…
Existe conta?
As paredes andavam, eu parado, flutuava.
Enchi o peito, estoquei o vento. Pensei … que vou escrever?
Palavras saíram, umas com nexo outras sem. Seria um complexo?
Havia dor no plexo.
Pressão? Tinha muitos números, nem lembro…7 mais 4 dá 13?
A lua é mais importante, estava lunático, talvez fanático, meio enfático…Certamente disléxico!
Segura a mesa. Aquela coluna está andando…e, eu, parado?
Era esperado. Bebi demais…mas isso não foi o crime.
O crime era o meu giroscópio, ficou avariado, descontrolado…
Quase pirado!
Agora o dilema…quem segura o quarto?
Quero no quarto de hora, sem hora de começar, voltar…
Para beber um torpedo e…voar.
Vou virar um míssil soviético!

Voando de cabeça para baixo…simpático.






                                        PENSAMENTOS  V




A vida é um mar de rosas. Será?
Um mar talvez, rosas certamente, mas nem tanto…
A vida é uma surpresa esperada, de momentos assustada, mas na curva da estrada é um dia ensolarado, às vezes chuviscado, uma tristeza cinza, devorante, que engole a gente, dolente.
A vida é gostosa e também chorosa. Chora lágrimas vertidas pelo amor partido, Chora pelo amor perdido, chora pelo amor achado.
Do triste cinza às lágrimas em rios, do sol ardente às lágrimas felizes, em pingos frios, resvala a face e seca a brisa, doce toque, refrescante, mãos da amante.
O amor que foi…
O carinho achado…
O peito que dói…
O novo amor amado, apaixonado.
A vida segue, na linha do tempo,
Olha pra frente, não volta jamais…
Das rosas do mar, em  beijos ao ar,
Na tristeza envolvente, o carinho quente, dolente…
Do beijo da amada achada.

Vita bella, bela vida!