REALIDADE
REAL
O dia
era frio.
Um
frio gostoso em um mês de maio, nas montanhas.
O céu
anil, esparsas nuvens, um vento leve à sibilar entre os cânions de pedras
pontiagudas e ritmadas pela erosão dos anos.
Pássaros
alegres, entre eles o gavião feroz, fingindo que não era notado.
Chegara
o inverno, noites claras estreladas, festas e balões que não mais subiam. Uma
estrela cadente, um canto noturno de uma desconhecida criatura. Pitada de mistério
à colorir as mentes sonhadoras.
A
beleza do mundo, em sua forma natural, simples, previsível.
Um sonho gostoso, sentindo
a calma aconchegante de mãe Terra a cuidar de seus incontáveis rebentos.
Mas os
dias passam, manhãs chegam, noites partem.
No
real do mundo que pouco muda, mudam eles, os seres que se acham escolhidos.
Acham-se, porque não sabem que não o são. Escolhidos sim, são todos aqueles que
nele vivem, e, provavelmente, não aqueles
que se acham.
Pois
estas arrogantes criaturas, nos seus afazeres deletérios, destroem, povoam
inconsequentemente, não respeitam o mundo que lhes dá guarida. Ali, chafurdam
em mixórdias convolutas, pois se acham com tal direito.
O real
sucumbe à realidade mundana e aviltante.
Se a mãe
ainda não os recusou, certamente o fará, não somente para sua própria sobrevivência,
mas pela existência de todas as outras criaturas que dela dependem e a ela
respeitam.
Vejo
um amanhã triste . Uma soberba espécie se auto extinguindo. Um mundo cansado.
Vejo
um amanhã alegre, quando o cansado mundo acorda sem seu filho insensível, o
homem.
A
realidade real…
Que
certamente virá.


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