sexta-feira, 18 de maio de 2018


REALIDADE REAL


O dia era frio.

Um frio gostoso em um mês de maio, nas montanhas.

O céu anil, esparsas nuvens, um vento leve à sibilar entre os cânions de pedras pontiagudas e ritmadas pela erosão dos anos.

Pássaros alegres, entre eles o gavião feroz, fingindo que não era notado.

Chegara o inverno, noites claras estreladas, festas e balões que não mais subiam. Uma estrela cadente, um canto noturno de uma desconhecida criatura. Pitada de mistério à colorir as mentes sonhadoras.

A beleza do mundo, em sua forma natural, simples, previsível. 

Um sonho gostoso, sentindo a calma aconchegante de mãe Terra a cuidar de seus incontáveis rebentos.

Mas os dias passam, manhãs chegam, noites partem.

No real do mundo que pouco muda, mudam eles, os seres que se acham escolhidos. Acham-se, porque não sabem que não o são. Escolhidos sim, são todos aqueles que nele vivem, e, provavelmente, não aqueles que se acham.

Pois estas arrogantes criaturas, nos seus afazeres deletérios, destroem, povoam inconsequentemente, não respeitam o mundo que lhes dá guarida. Ali, chafurdam em mixórdias convolutas, pois se acham com tal direito.

O real sucumbe à realidade mundana e aviltante.

Se a mãe ainda não os recusou, certamente o fará, não somente para sua própria sobrevivência, mas pela existência de todas as outras criaturas que dela dependem e a ela respeitam.

Vejo um amanhã triste . Uma soberba espécie se auto extinguindo. Um mundo cansado.

Vejo um amanhã alegre, quando o cansado mundo acorda sem seu filho insensível, o homem.

A realidade real…

Que certamente virá.


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