Eram todos cientistas. Meio loucos como todos os
cientistas. Mas, meio audazes, temerários, pirados, aloprados.
Inventaram uma máquina que andava no tempo sem sair do
lugar.
Uma louca teoria em louco lugar com loucos partícipes.
Um era quântico, o outro físico nuclear, o terceiro,
simplesmente desparafusado.
O primeiro partia do pressuposto que era possível comprimir
o tempo adiante e acelerá-lo atrás. A máquina não se moveria mas o tempo sim. O
outro, introduziu a possibilidade de dobrar o tempo e passar à outras dimensões,
outros mundos, universos.
O terceiro, bem…o terceiro só pensava em mulheres peladas.
Não tinha muita serventia, mas tinha o dinheiro necessário para financiar o
tresloucado projeto.
Muitos dólares depois a geringonça estava pronta.
Precisavam testá-la e, para tal nada como o dispensável terceiro.
A máquina era um cilindro. Possuía duas paredes, uma
interna e outra espaçada da primeira por onde jorrava o fluxo quântico. Caso não
desse certo, o sujeito dentro da máquina desapareceria e não mais voltaria. Se
fosse um sucesso, reapareceria segundos depois, após uma viagem para outros
universos onde o tempo não era linear.
A ideia de achar outras mulheres em universos diferentes
era somente o que fazia o amigo financista à se arriscar entrar dentro do tubo.
E para lá ele se foi.
Luzes piscantes, barulhos estranhos, faíscas e arcos
voltaicos depois o amigo desapareceu.
No pequeno intervalo que precedeu sua volta nosso herói se
encontrou em um espaço totalmente branco. A máquina ao centro, lindas mulheres
ao redor, seminuas, sentadas em poltronas também brancas. A música era leve, o
perfume de olor suave permeava o ar.
Achou-se no paraíso.
Notou que vestia um vestido branco, simples, transparente.
Notou que não era homem, mas uma linda mulher. Sentiu seus seios, pele macia,
curvas delicadas, púbis coberto de delicados cabelos, curtos, aloirados. Sentiu-se
sensual, delirante, apaixonante. Estava, como as outras, em uma poltrona, também
branca.
No mundo para onde fora era mulher. No mundo para onde fora,
estava em um prostíbulo.
Não se importou. Estava de olho nas belas. Então, por que não
amá-las?
Seus devaneios foram abruptamente interrompidos…
Uma porta se abre, um homem de aparência árabe, barbudo,
cabeludo, grotesco adentra o recinto. Olha ao redor, aproxima-se de cada musa
e, finalmente chegando perto coloca à seus pés um maço de notas.
Tirando a roupa ordena imediatamente…
Pegue aqui…agora!
O pânico que dele se apossou foi tão grande que, num piscar
de olhos reagiu. Um chute certeiro nas horrorosas gônadas do peludo indivíduo.
Este, contorcendo-se desmaiou a seus pés.
Pegando o dinheiro, atravessou o salão e segurando uma das
belas pela mão fizeram amor, as duas, rolando pelo chão, em beijos, abraços, amassos,
loucos, insanos, ferventes e luxuriantes.
Ser mulher era realmente uma experiência divina, mas seu
tempo estava curto e dali desapareceu.
Aos olhos dos amigos, extasiados ao abrir o cilindro, mostrou-se
comedido, um tanto soturno. Parecia querer dizer que o experimento fracassara.
Seu objetivo, entretanto, era voltar. Aquelas mulheres eram lindas e ele não se
sentia afim de as compartilhar. Disse somente que precisava voltar, que lhes
diria depois se foi um sucesso ou não, mas era imperativo que o fizesse,
imediatamente.
Voltou…
Ali chegou, no mesmo salão, com as mesmas divas, semi
despidas, perfumadas.
O árabe havia desaparecido.
Quando achou que controlava a situação a porta se abre e um
bando de peludas criaturas adentra o recinto. Não pararam para observar as
belas. Seguiram diretamente para ele, na sua forma de ela e a violentaram,
estupraram, espancaram. Foi seviciado, brutalizado, sodomizado. Para sua sorte
o episódio não demorou muito pois a janela da dobra do tempo se extinguiu e ele
voltou ao presente.
Seus colegas abrindo a máquina imediatamente perguntaram;
O que aconteceu? Foi um sucesso? Por que você esta meio
massacrado?
Antes que outras perguntas lhe fossem feitas respondeu:
Esta máquina é uma porcaria…não funciona…