RUBRO E LOUCO
(ou seria louco e rubro?)
Totalmente louco.
Nasceu assim, cresceu, disléxico, prolixo, patético,
desparafusado, pirado, idiota e imbecil.
Combinação incrível de valores (?). Gostava de vermelho.
Seu duvidoso gosto exigia sanduíches de mortadela. Por ela, na
goela, empinava rubros estandartes em enrubescedoras situações. Um palhaço de multidões.
Entoava cânticos patéticos, vociferava frases dignas de ventos
estocados e luas lunáticas.
Ali na turba era um, mas louco que era, era muitos. Fazia um
barulho de lobos famintos. Famintos de sangue, do rubro líquido, do farfalhar
de bandeiras morféticas, estranhos símbolos de ideologia dos descerebrados,
eviscerados por líderes e imundos profetas da desgraça.
No manifestar por um líder abatido notou um jovem, empunhando a
vermelha bandeira, à escalar um poste para mais alto vibrar. Subia com a
destreza dos malucos, galgava os píncaros nos emaranhados dos fios de alta tensão.
Dançava como um bufão tendo um transformador por amada.
A explosão incrível, o corpo caindo estatelado, torrado, negro
no asfalto negro, agora tingido de rubro.
O estandarte tremulante, como uma pena gigante, descendo lentamente,
meio queimado meio assado.
Tomou-o nas mãos.
Um mártir havia nascido. Era o que mais queria.
Ali, naquele momento, fez seu melhor discurso. Disse tudo e não
falou nada.
Era tão prolixo que seu falar passou a ser usado como regra em
tribunais superiores. Mais douto que o latim, mais confuso que jargões de causídicos
e togados de praxe, mais disléxicos que discursos de presidentas.
Mas mortadelas não entendiam nada delas e por isso…
Virou líder instantaneamente.
Prometeu tudo de graça, em sanduíches gigantes e trinta mangos
diários, por votos e suporte. Disse que acabaria com a opressora polícia, o
corporativo judiciário, a mídia vendida. Tomaria todo o dinheiro dos ricos e os
daria às multidões de vermelho. Dividiria tudo com eles até não haver o que dividir.
Foi por isso eleito…
Galgou o topo do mundo tinto de sangue, a cor que tanto
gostava.
Cumpriu suas promessas.
Louco que era, entre mortadelas e outras sequelas, fulminou com
tudo.
Executou, tomou, estripou, massacrou, dividiu. E dividiu tanto que não
houve mais como dividir. E no infinitésimo do que restou não lhe sobrou mais
nada, nem a bendita mortadela. Sem ela, seu mandato virou uma pinguela. Nem a
pinga em sua rubra goela lhe salvou.
Foi dividido em praça pública. Seus tintos fragmentos
queimados na cor do asfalto, no mesmo lugar onde morrera o incauto do poste.
Os esquerdopatas o louco mataram, ao pó somente restaram.
Acompanharam seu grande líder e mortos de fome se acharam.
Haviam conseguido dividir tanto que chegaram ao zero absoluto.
E de zero não se vive.


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