sábado, 30 de dezembro de 2017

GAMBÁ AO MOLHO DE PIZZA

Era frio.

Uma noite gelada, doze polegadas de neve. Tudo branco. Lindo…

Um bangalô, um subsolo aconchegante, lareira acesa, TV ligada.

Bells were jingling…

O vinho descia rápido, o cômodo quente. Ar condicionado perfeito.

Cleo, a cadela alegre e jovial pedia para sua visita ao jardim. Já era hora.

No amarelar da neve viu algo a se mover. Cão que se preza não deixa oportunidades passarem. Como uma flexa partiu para debaixo do deck. Um barulho de algo temerário se fez ouvir. Um gambá assanho, com um arsenal de perfumes franceses defendia seu território.

Diria que penas voaram, mas nem o gambá nem a cachorra tinham penas. 

Mas Cleo foi borrifada em cheio. Espirrava, balançava, sacudia e espalhava o perfume de emanações morféticas em seu incauto dono. Desesperado, o dito fugiu para o aconchego da casa, abandonando a fiel escudeira a decidir sobre o destino do fedorento animal.

No processo da insana luta, resolveram espalhar seus resultados sobre o condensador do ar condicionado. A brilhante manobra levou, de uma só vez, uma borrifada substancial do perfume de Belzebú, direto para as entranhas da casa. Perfumada com os bafos do demônio esta se transformou na morada dos capetas.

Dizem que se lavam aqueles borrifados pelo atleticano animal com suco de tomate. Tira o cheiro, assim consta.

Mas na casa não havia tal suco. Havia sim, um molho de pizza, cheio de tomates, alho em abundância.

A bela da casa não teve dúvidas … entregou seu consorte à própria sorte. 

Deu-lhe o molho, ordenou-o à lavar a cadela e ligou para seu melhor amigo pedindo que o mesmo viesse para lhe dar um banho.

“O que??? Dar um banho??? Em um homem???....Jamais!”

Inútil dizer que o mesmo não veio.

O amado e fedorento ser passou então à lavar-se e ao seu bichinho querido, aplicando doses generosas de molho de pizza.

Finda a obra notou que havia ficado rosado. Também assim se encontrava Clio, ambos com cheiro de alho misturado a bafos ainda remanescentes de “Gambá de Coty”, o novo e recém criado perfume.

A casa demorou uma semana a voltar ao normal. Ele também demorou a voltar à sua cor natural. Seu cheiro ainda deixa dúvidas se voltará à originalidade do passado. Clio rosa ficou. Uma cachorra preta e rosa, cheirando a alho.

Verdadeira atração na vizinhança.

Ele, andou segregado no escritório, por um bom tempo. Dizem que os eflúvios afetaram seus neurônios. Há até quem o comprove.

Quanto ao amigo, ainda se sente insultado pelo pedido.

E olhe que ele era atleticano…


sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

ELE QUER VOLTAR

Megalomaníaco. Mau caráter. Cretino e safado.

Se acha o máximo. Um apedeuta, mal educado, escroto, picareta. Dizem que foi até alcagoete dos próprios “cumpanheiros”.

Inventou a disléxica. Um poste idiota, de conhecimentos parcos, empáfia gigantesca, grotesca e vocífera.

Ele boquirroto, ela retardada.

Ambos levaram o país à bancarrota. No processo locupletou-se. Ela, se não o fez, é mais retardada que parece. Afinal, dizem que os dois têm 300 milhões em uma conta propícia, uma cornucópia num local paradisíaco. “For a rainy day...so they say…”

Esta indo para o xilindró. Aqui, no Pindorama, isso é um processo lento. 

Mais devagar somente uma tartaruga severamente tetraplégica. Mas o calhorda das multidões, ilusionista de parvos, quer voltar. Acha que assim foge à lei, entra em outra traficância, pixuleca de novo e fica mais rico. E o povo mais pobre…

Mas este, o povo, já esqueceu que ele rouba. Afinal esquecem de tudo, até que são parte do conjunto de pessoas mais assanhas por coisas desonestas do planeta. Por isso, votariam de novo, no que pensa que volta, mas que está querendo e não podendo voltar. Porem voltará, pois aqui tudo é possível, até a volta sem volta.

Ele, então vai voltar.

Eu quero é votar…ele, ela, asseclas, espertas, safadas e safados, bandidos e bandidas…para fora deste mundo.

Se ele volta eu vou.

Vou embora, não dá.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

STARRY NIGHT
In a fabric of light,
Over my head,
Luminous dots,
Dancing like fireflies,
Make me think,
How beautiful you are…

The moon shines,
Like a silvery blanket,
Casting shadows,
Ghosts, specters,
And I, see you smile…
Making me happy.

My heart pounds,
Emotion, love, tenderness…
I feel lost in the vast space,
Where twinkling stars,
Play a song of love,
That melts my heart…

Oh, love of mine…
Oh, dear one…
Give me your kiss,
Give me your body,
I promise, eternally…
I’ll love only you…


sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

A CAPA INVISÍVEL

Harry Potter já usava uma. Agora, um cientista chinês inventou outra.

E funciona.

Você se cobre com a dita e…voilà…desaparece. Ou melhor, fica invisível.

O tal inventor foi até convidado para ser presidente da Universidade de Hong Kong. Muito merecido, uma senhora invenção!

Vejo aplicações imediatas, no Pindorama.

Políticos viajarão de primeira classe sem serem descobertos. O povo chato que os espezinha não conseguiria vê-los. Que pena…

O molusco miserável, aquele que não sabe de nada, nada viu, nada tem e nada roubou, poderá almoçar em restaurantes chiques, tomar uísque de 25 anos ou champanha Crystal. Ninguém o veria escondido debaixo da capa invisível.
Também poderia fazer discursos para plateias que, se tornadas indóceis, uma sumida com a capa evitaria uns tomates podres em sua direção.

E a disléxica? Será que se esconderia atrás da invenção? Talvez, se desse para estocar vento, certamente.

Por fim, o Tiririca sumiria, para entrar o Genoíno…cruz credo



FARFALLE

Voo trôpego…
Incerto, esperto,
Pulsante, passas perto…
Bela pluma, danças leve.

Cores belas, singelas…
Brincas ao vento,
Perdes no sopro, beijas as flores…
Tremendo, num breve momento.

Oh…Linda criatura…
Vives três vidas, encantas nas asas,
Colores o mundo,
No teu bailar vagabundo…


quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Xmas is around the corner

In Marcinha's house

THANK YOU

OBRIGADO

To my friends a warm thanks for all you have done this year. I wish you all a Merry Christmas and a very Happy New Year.

Aos meus amigos um obrigado carinhoso por tudo que fizeram este ano. Desejo-lhes um Feliz Natal e um muito alegre Ano Novo.

Thanks. We have reached 10.000 hits since we started this blog in March.

Obrigado. Nós chegamos à 10.000 visualizações desde que começamos em Março.


Graças à vocês.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O POLÍTICO


 Gritava…

Um grito horrível, mudo.

Ali onde estava, ninguém ouvia, ninguém ligava. Mas gritou…

Contorceu-se, rastejou. Já havia rastejado antes, de onde veio, de onde cresceu.

Não queria fazê-lo, de novo, mas fê-lo. E gritou…ninguém ouviu.

Por um momento pareceu que via sua vida desenrolar-se à sua frente.

Um palanque, voz tonitruante, verve frouxa. Um barítono, talvez?

Era pastor? Por que as ovelhas não prestavam atenção?

Um púlpito, sectários e sicários. Estes ouviam, mas parecia um passado. Passado que reconhecia, vozes que ouvira, palavras que falou…para moucos ouvidos.

Surdos eram, talvez mudos como se sentia agora. Certamente cegos.

Por isso gritou de novo. Um grito surdo, um lamento, um uivo de cães na noite vazia. A lua era cheia, pedia o choro, o canto triste, ululante, desesperante, desfalecente. Mas gritou.

E ninguém ouviu…

Por que não olham para mim? Onde estão as multidões? 

Prometi prometer, queria querer, fazer o que não farei, nem fiz, nem faria, nem quero. Jamais quereria. Pois sei o que sou…um político.

Um político…

Minto e quero mentir, Grito palavras ao vento. Espero ouvidos que ouçam, pois se ouvem, votarão em mim…

Oh…imbecís criaturas. Ouçam minha voz, escutem o meu grito. 

Por vós grito, falo, berro. Por vós, minha boquirrota voz ressona, reverbera as mentiras que fiz e que sempre farei.

Mas por que não ouvem?

Por que sinto um mundo surdo? Um mundo cego, um mundo roto, vermelho, em chamas…

Ah…

Não pode ser…


Não, não,  é injusto…

Estou no inferno.

Por favor me ouçam…aqui não pertenço!

Sou imaculado, ilibado, probo…

Sou um político…

Por favor, ouçam meus gritos…


Por favor…por favorpor favor

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

QUEM SOU EU?


Sonhei…
Sonhei que era outra.
Sai por aí, tomei umas e outras.
Encontrei com os amigos.
Eram os mesmos, eu outra…
Mas me conheciam e eu os conhecia, mas não era eu…
Era outra.
Fiquei cansada, foi para casa, queria dormir.
E sonhei que era eu mesma.
Sai por aí, outras tomei...
Amigos encontrei, eram os mesmos, e eu?…eu mesma?
Ou era a outra?
Eu os conhecia, e eu…a outra…era conhecida?
Era eu, ou a outra?
Era o eu, que sonhei, ou a outra sonhada?
Ou seria a sonhada, que sonhou que era eu?
Acordei…
Sou eu, ou a outra?
Sou a outra, ou eu?
Vou dormir de novo…
Quem sabe se quando acordar serei…
Eu?

Ou a outra?

domingo, 10 de dezembro de 2017

POESIA DESCONEXA


Sonho louco, rouco, mouco. Perdido no espaço me abraço, despido me acho, nos seios da amada, que bela e singela de mim quer somente…

Um pequeno pedaço.

Louco o sonho, bela a amada, em mudas palavras respondo aos carinhos, linda criatura, em um beijo tão quente, vejo o sol nascente, em raios dolentes, acender uma chama …

No seu coração.

Louca e rouca, também mouca, não ouve os pássaros, não ouve os anjos, só se acha nos beijos, de um doce de mel, marcado em um quadro borrado à pincel e nos panos de uma cama, de um insano bordel…

Recusa o anel.

Destruído o amor, perdido no tempo, na cama vazia, chora o pranto , canta o choro, chora o canto.

E desnudo na alma, mais seco o deserto, que no seu coração, desamado, massacrado, sem afeto, se quebra em pedaços…

No frio da alma que ali não estava.

Rouco, mouco, sonho louco. Mouca voz, grito mudo. Beijo o vento, corto o ventre, morro nu.

Parto, esqueço, não mais estremeço…

No mundo...que seco, matou meu amor, no vazio deserto,


Perdi minha flor… 
IF I HAD A LOVE
by sally pepper
Copyrighted

If I had someone,
That made me laugh,
With feelings of joy,
And a touch of silk…

If I had a man…
That held my hand,
Kissed my lips,
Telling I’m sweet…

If he had a soul,
Equal to mine,
More inebriating than wine,
And lyrics of honey…

I’ll call it suave…
Love of mine, and…
The birds would sing,
For us alone…

A love of my own…


sexta-feira, 8 de dezembro de 2017



THE NEW ERA


Capitulo IV
THE QUANTUM GRID


Conheci a verdadeira Gigi.

Não soube o que falar para ela. Tudo que pensava eram frases, daquelas que assustam qualquer moça. Limitei-me a sorrir e ela, sorrindo de volta, disse-me que meu sorriso era lindo.

Não queria que ela pensasse de mim como um voyeur. Afinal, eu me utilizava de programas que ela havia criado e, no mundo virtual, muitos preferiam se aproveitar das perversões que as programações permitiam. Ela provavelmente as havia incluído no leque de alternativas. A que havia selecionado era romântica, lúdica, inocente.


Perguntei-lhe o que precisava no novo projeto. A conversa se desenrolou leve, profissional e até um pouco distante.

Em um determinado momento deixou escapar um pedido de desculpa. A princípio não entendi.

Perguntou-me se não tinha medo de me apaixonar por um sonho.

Disse-lhe que não. Mas disse também, que se o sonho se materializasse e a amada fosse real, provavelmente apaixonaria, de fato.

“Por que você me pergunta?”

“Não quis encontrar com você, na segunda vez, respondeu.”

“Mas isto não é possível… No Grid você era virtual. Eu interagia com um programa…Somente um sonho…”


“Nao conte para ninguém…meu programa volta para mim, conversa comigo. É minha melhor amiga, contou-me tudo sobre você. E eu gostei…”

“Isto não é possível, retruquei, repetindo-me”

“As máquinas não permitiriam esta interação. A Gigi que conheci mostrava emoções. São sentimentos e isto não existe na inteligência artificial.”

“A emoção vinha de mim…” respondeu com o mais doce sussurro.

“Como”?

“Quando criei o programa eu o fiz para um quantum entanglement. O DNA do usuário se interagiria com o holograma, teleportando o que havia criado em um outro programa montado em níveis telepáticos. O feed back vindo do grid me deixou vê-lo telepaticamente e eu, gostei do que vi. Gostei mais ainda quando me tratou como mulher e não um objeto de prazer, gostei ainda mais quando me apaixonei.”


“O Conselho Supremo não sabe que isto existe. Nem as máquinas que uso”.

“Consegui separar as sinapses emotivas. As máquinas sabem que existem mas não as entendem. Assim passam ao largo, como memórias não registráveis em seus bancos”.

Estupefato! Flabbergasted! Atônito! Befuddled!

Era a mais brilhante coisa que havia ouvido em minha vida…e ela…me amava.

EPÍLOGO


As máquinas não se emocionavam e o homem caminhava para o mesmo. Não havia o colorido de viver, a intensidade de amar, a surpresa, o mistério. Era um viver na luxúria e na gula. Pecados capitais de um passado não tão longínquo. 

Mas pecados não mais existiam, nem as igrejas sobreviveram. Embora a capacidade de viver tivesse aumentado, ainda não era eterna. O único mistério existente era o da morte. Mistério que fazia os que tomavam fornicália se aproximar de desvendá-lo. Morte, para as máquinas era como uma porta…quando uma se fecha, outra se abre…


Não se podia amar ninguém. As máquinas não compreendiam emoções. Para o que não se compreende, nada melhor do que erradicação. E elas o fizeram.

Mas Gigi deixou as emoções entrarem em seus programas.

O que ela permitia não era possível ser pedido. Somente ela, e ela somente, abria as portas para esta interação. Havia necessidade que a Gigi virtual voltasse à criadora para gerar as sinapses da emoção. Gigi havia retirado as minhas, a nível quântico e as fundido com a etérea versão de si própria. Algo brilhante, nunca experimentado. Disse-me que havia se utilizado das propriedades trans mutacionais do DNA. O caminho para outras dimensões, o tempo, universos paralelos. Era física quântica no mais alto nível. Era Einstein dizendo que não há passado, presente ou futuro…o tempo existe em todas as suas formas, simultaneamente… Era brilhante…

Disse-me também que não mais nos poderíamos encontrar.

Uma imensa tristeza se apoderou de mim, mas ela, docemente falou:

“Nos veremos sempre no Grid”.

Voltei ao Conselho concordando com os planos apresentados. Justifiquei maiores investimentos nas acomodações dos programadores. Pedi para acesso à tecnologias maiores. Via no Quantum Grid a possibilidade de maior interação homem/máquina, vi maior harmonia. Com isso ganhei um enorme bônus de créditos extras que me levaram a poder encontrar Gigi quantas vezes quisesse. 


Estava feliz…

No Grid me encontrava, amava, me sentia realizado. Tão intensas eram as emoções entre nós dois que, naquele momento, achei que o mundo em que vivia era perfeito. De todas as minhas interações com Gigi a que mais me abismava era a sexual. Perfeita, inteira, inacreditável. Simulações virtuais nunca chegaram ao nível de se sentir, de experimentar o tato. Eram sensações que brincavam com a mente. O físico estava longe de ser real, mas ali, no Grid, com Gigi, era a realidade, por mais irreal que fosse.

Trocávamos ideias, fazíamos planos e falávamos até em vivermos juntos. 

Queria me iludir achando que era verdadeiro. Mas as surpresas não terminariam em lúdicas promessas. Em uma frase simples me disse:

“Estou grávida!”

Não sei se fiquei extasiado ou bestificado. Havia uma incongruência não explicada. Como?

Eu era real, ela virtual…

Aquela ela, que era real, não vivia ao meu lado, Vivia no mundo dos programadores. Eu, no Grid, nos sonhos, nas emoções do amor por Gigi. Como uma criatura virtual poderia se engravidar, de fato?

Consegui permissão para visitar Gigi. O Conselho gostava dos resultados que o novo projeto havia conseguido. Era bem vindo.

Quando me viu nos abraçamos e beijamos num momento intenso, interminável. Ela sabia que eu viria, sabia as respostas.


Os tubos quânticos agiam como um acelerador de partículas. Não transportavam matéria, somente energia. Tempo e dimensões se abriam e nestas aberturas tudo era possível. Assim o virtual se encontrava com o material e este, desmaterializado, era transportado através de portais. Eu e Gigi nos havíamos fundido, em um só, em outra dimensão. A criança que nasceria seria capaz de se conduzir através das 11 dimensões existentes. Teria também a capacidade de penetrar em mundos paralelos. Era a mistura perfeita da inteligência humana e das máquinas,

Era o futuro, o limiar de uma nova era onde seríamos criaturas do universo, imortais, indestrutíveis.

Criaturas perfeitas. Homem e máquina, artificial e real. Criaturas que se teletransportavam pelo universo.

A humanidade estava salva. Os programadores já trabalhavam em um Grid gigantesco que envolveria tudo e à todos.

Gigi seria lembrada como um anjo.


Osíris Rex havia nascido.

Inspiration:   1984 of George Orwell’s, Matrix, Cloud Nine, Star Trek and all the bright minds of quantum physics scientists… a trip into the imagination of man.
To my friends Architects, of the class of 1968

                                                      THE END