A BOLHA DO TEMPO
Capítulo II
(Um conto sobre viagens à outros mundos)
Não era uma bolha qualquer. Era enorme.
Tinha por volta de três metros de circunferência, película leve, idêntica à uma
bolha de sabão, transparente e reluzente. Dentro, uma figura humana despida,
flutuando em seu centro. Era a cópia fiel do nosso gnomo, um pouco mais bem
tratado, mais iluminado.
No seu estado natural a criatura trazia
somente uma placa de cristal, do tamanho de um smart phone, entranhada em seu
braço direito. Um implante certamente. Algo que fazia parte daquele ser.
Gnomo aproximou-se. Quando tocou a bolha
sentiu uma descarga de energia. Como um formigamento a se espalhar pelo corpo,
incomodante, irritante. A bolha cedia mas à medida que tentava se aproximar de
seu centro e da criatura, ficava mais rígida e as descargas de energia
aumentavam ao ponto de se tornarem insuportáveis.
Sentiu que aquele ser desejava se comunicar.
Mas não produzia nenhum som. Pensamentos entravam em sua cabeça e o aquietavam
quanto ao mistério ali presente. Sentiu-se aliviado.
A bolha parecia uma espécie de nave. Não
voava, era estática. Mas demonstrava ser capaz de se deslocar, não no sentido
linear que conhecemos mas em todas as direções, simultaneamente. Ou seja, capaz
de ali estar e no momento seguinte ter-se esvanecido num piscar de olhos.
A criatura lhe transmitia dados que o
levavam a tais deduções. Vinha de outro mundo, uma réplica do nosso, através do
tempo e das dobras entre universos distintos. Ali estava em mais uma destas
incursões. Ali estava em uma missão específica e esta, incluía gnomo.
A esfera era capaz de perfurar uma dobra quântica,
atravessando dimensões e universos paralelos. Era conduzida pelo tablete de
cristal, algo capaz de criar um vórtex temporal. Algo capaz de atravessar o
tecido de mundos paralelos. Algo capaz de desvendar nossas vidas simultâneas em
outros universos, vidas que existiriam como produtos de decisões quânticas que
nos fazem existir em universos onde as decisões tomadas se diferem daquelas que
aqui escolhemos.
No livre arbítrio dos universos, vivemos em
missões que assumem o papel de todas aquelas decisões feitas ou tomadas. Uma
vez tomadas, atravessamos a barreira entre os planos universais e nelas a vida
segue, com outros “nós”, com outras situações adversas ou semelhantes. Gnomo
conhecia a teoria dos mundos paralelos. A criatura lhe havia dado algo de fato,
algo real, que pudesse acreditar.
Mas por que era tão semelhante a ele mesmo?
Lentamente apercebeu-se que aquele ser era
ele mesmo. Vindo de outra dimensão, vindo de um outro tempo, vindo de outro
universo….
Amanhã: Terceiro capítulo O Convite Não percam!





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