domingo, 26 de novembro de 2017

A BOLHA DO TEMPO


Trip to Nowhere
Capítulo II
(Um conto sobre viagens à outros mundos)



Não era uma bolha qualquer. Era enorme. Tinha por volta de três metros de circunferência, película leve, idêntica à uma bolha de sabão, transparente e reluzente. Dentro, uma figura humana despida, flutuando em seu centro. Era a cópia fiel do nosso gnomo, um pouco mais bem tratado, mais iluminado.

No seu estado natural a criatura trazia somente uma placa de cristal, do tamanho de um smart phone, entranhada em seu braço direito. Um implante certamente. Algo que fazia parte daquele ser.

Gnomo aproximou-se. Quando tocou a bolha sentiu uma descarga de energia. Como um formigamento a se espalhar pelo corpo, incomodante, irritante. A bolha cedia mas à medida que tentava se aproximar de seu centro e da criatura, ficava mais rígida e as descargas de energia aumentavam ao ponto de se tornarem insuportáveis.

Sentiu que aquele ser desejava se comunicar. Mas não produzia nenhum som. Pensamentos entravam em sua cabeça e o aquietavam quanto ao mistério ali presente. Sentiu-se aliviado.

A bolha parecia uma espécie de nave. Não voava, era estática. Mas demonstrava ser capaz de se deslocar, não no sentido linear que conhecemos mas em todas as direções, simultaneamente. Ou seja, capaz de ali estar e no momento seguinte ter-se esvanecido num piscar de olhos.

A criatura lhe transmitia dados que o levavam a tais deduções. Vinha de outro mundo, uma réplica do nosso, através do tempo e das dobras entre universos distintos. Ali estava em mais uma destas incursões. Ali estava em uma missão específica e esta, incluía gnomo.

A esfera era capaz de perfurar uma dobra quântica, atravessando dimensões e universos paralelos. Era conduzida pelo tablete de cristal, algo capaz de criar um vórtex temporal. Algo capaz de atravessar o tecido de mundos paralelos. Algo capaz de desvendar nossas vidas simultâneas em outros universos, vidas que existiriam como produtos de decisões quânticas que nos fazem existir em universos onde as decisões tomadas se diferem daquelas que aqui escolhemos.

No livre arbítrio dos universos, vivemos em missões que assumem o papel de todas aquelas decisões feitas ou tomadas. Uma vez tomadas, atravessamos a barreira entre os planos universais e nelas a vida segue, com outros “nós”, com outras situações adversas ou semelhantes. Gnomo conhecia a teoria dos mundos paralelos. A criatura lhe havia dado algo de fato, algo real, que pudesse acreditar.

Mas por que era tão semelhante a ele mesmo?

Lentamente apercebeu-se que aquele ser era ele mesmo. Vindo de outra dimensão, vindo de um outro tempo, vindo de outro universo….



Amanhã: Terceiro capítulo   O Convite   Não percam!

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