sábado, 25 de novembro de 2017

A TRIP TO NOWHERE

VIAGEM POR OUTROS MUNDOS


Capítulo I  

Gnomo em Conceição

Ele era diferente. Eu, gostava da criatura que achava que eu não gostava dela. Mas na verdade, gostava.

Tinha um jeito irlandês, meio judeu, mas embora mais italiano que tudo, era americano. Não aquele que torcia para o time, mas o tal nascido em berço de Uncle Sam.

Para ele, o mundo era uma conspiração contínua. De políticos, empresários e mega milionários tudo conspirava contra todos, até os alienígenas de outros planetas. Sim, pois não só acreditava existirem quanto já os havia visto. Tinha de todo tipo, altos, baixos , verdes, magrelos, horrorosos, reptílicos e outros mais. Uns moravam debaixo da terra em cavernas, outros, capturados em Rosswell distribuíam tecnologias aos humanos sedentos por guerra, poder e subjugação. 

Era assim que os via…

No seu viver parecia um duende. Ganhou o apelido de gnomo não somente pela aparência mas pela maneira em que se movia. Surgia do nada e no nada desaparecia. Casou-se com minha filha…

Ela, equilibrada, artística e incrédula vivia às turras com os repentes do rapaz. Criativo e com um vozeirão tonitruante enchia todos os espaços e, no processo, os ouvidos dela. O melhor de tudo era sua simpatia. Não havia jeito de não gostar do dito cujo.

Um dia, entre fracassos nas telas que pintava e medo do fim do mundo que se aproximava, mudou-se para Conceição do Mato Dentro. Conception of the Deep Weeds era um local no meio do quadrilátero ferrífero do estado das Gerais, no sertão brasileiro. Paisagem linda, cidade nem tanto, sobravam uns dois prédios barrocos que os locais ainda não tinham tido a chance de dizimar. Mas havia calvalgadas. Coisa de louco…

Pelas montanhas, ao luar, viola em punho partiam de um lugar ermo para outro mais ermo ainda. Dormiam ao relento, liam e viam a Via Láctea, Milk Way para os gringos de plantão. Tocava o baixo. Diria que relativamente bem embora talvez fosse fruto da guitarra maravilhosa que lhe havia sido dada pela então amada esposa.


Conceição tem música, e muito boa. Tem também uns bares, boa comida e grandes linguiças. Terra de cachaça, irrigava as gargantas do cavaleiros quiçá de seus cavalos. E foi numa destas cavalgadas que se perdeu…no escuro de uma noite chuvosa.

Apavorado que era, entrou em um pânico irreversível. Via discos voadores, seres reptílicos à sua caça, cobras, serpentes, lagartos e, é claro, aquilo que mais temia…carrapatos. Gringos não gostam dos bichinhos.

Parou na escuridão pois não sabia para onde ia. A chuva havia cessado, o céu sem nuvens mostrava no escuro de lua nova, bilhões de estrelas à brilhar. 

À luz das mesmas pesquisou os arredores. Esqueceu-se de amarrar o cavalo. Quando deu por si já não mais o tinha.

Piorou tudo…e no terror desmaiou.

O dia amanheceu lindo. O sol timidamente se refletia nas gotas de orvalho. A bruma da manhã, preguiçosa e dolente se levantava rumo aos céus e na sua viagem se dissipava como algodão doce nos lábios da amada.

Ele acordou. Ainda sobressaltado não conseguiu descobrir onde estava.

O lugar era deveras diferente. Talvez como Milho Verde, um local onde as montanhas rodeavam um vale chato, de vegetação rasteira. Um local onde vertentes desciam pelas encostas e desapareciam no seu centro, num sumidouro aterrorizante.

Pior ficou…. Perto do tal sumidouro achou que iria sumir, ele mesmo, naquela terra sem nome.

Mas gnomos gostam de ouro e, como há ouro no fim de um arco-íris, para lá se foi pois o tal havia aparecido, brincava com a bruma, dançava ao sol nascente. Em sua procura tradicional descobriu algo que reluzia mais do que ouro, uma bolha dourada, transparente à flutuar sobre a relva. Dentro dela uma criatura que se assemelhava a ele mesmo.

Nenhum gnomo que se preza deixa sua curiosidade de lado. E esta, que mata os gatos mata também gnomos… Criou coragem, sorrateiramente se aproximou…


Primeiro capítulo da saga. Amanhã será postado o segundo…aguardem…

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