A TRIP TO NOWHERE
VIAGEM POR OUTROS MUNDOS
Capítulo I
Gnomo
em Conceição
Ele era diferente. Eu, gostava da criatura
que achava que eu não gostava dela. Mas na verdade, gostava.
Tinha um jeito irlandês, meio judeu, mas
embora mais italiano que tudo, era americano. Não aquele que torcia para o time,
mas o tal nascido em berço de Uncle Sam.
Para ele, o mundo era uma conspiração contínua.
De políticos, empresários e mega milionários tudo conspirava contra todos, até
os alienígenas de outros planetas. Sim, pois não só acreditava existirem quanto
já os havia visto. Tinha de todo tipo, altos, baixos , verdes, magrelos,
horrorosos, reptílicos e outros mais. Uns moravam debaixo da terra em cavernas,
outros, capturados em Rosswell distribuíam tecnologias aos humanos sedentos
por guerra, poder e subjugação.
Era assim que os via…
No seu viver parecia um duende. Ganhou o
apelido de gnomo não somente pela aparência mas pela maneira em que se movia.
Surgia do nada e no nada desaparecia. Casou-se com minha filha…
Ela, equilibrada, artística e incrédula
vivia às turras com os repentes do rapaz. Criativo e com um vozeirão
tonitruante enchia todos os espaços e, no processo, os ouvidos dela. O melhor
de tudo era sua simpatia. Não havia jeito de não gostar do dito cujo.
Um dia, entre fracassos nas telas que
pintava e medo do fim do mundo que se aproximava, mudou-se para Conceição do
Mato Dentro. Conception of the Deep Weeds era um local no meio do quadrilátero
ferrífero do estado das Gerais, no sertão brasileiro. Paisagem linda, cidade
nem tanto, sobravam uns dois prédios barrocos que os locais ainda não tinham
tido a chance de dizimar. Mas havia calvalgadas. Coisa de louco…
Pelas montanhas, ao luar, viola em punho
partiam de um lugar ermo para outro mais ermo ainda. Dormiam ao relento, liam e
viam a Via Láctea, Milk Way para os gringos de plantão. Tocava o baixo. Diria
que relativamente bem embora talvez fosse fruto da guitarra maravilhosa que lhe
havia sido dada pela então amada esposa.
Conceição tem música, e muito boa. Tem também
uns bares, boa comida e grandes linguiças. Terra de cachaça, irrigava as
gargantas do cavaleiros quiçá de seus cavalos. E foi numa destas cavalgadas que
se perdeu…no escuro de uma noite chuvosa.
Apavorado que era, entrou em um pânico
irreversível. Via discos voadores, seres reptílicos à sua caça, cobras, serpentes,
lagartos e, é claro, aquilo que mais temia…carrapatos. Gringos não gostam dos
bichinhos.
Parou na escuridão pois não sabia para onde
ia. A chuva havia cessado, o céu sem nuvens mostrava no escuro de lua nova,
bilhões de estrelas à brilhar.
À luz das mesmas pesquisou os arredores.
Esqueceu-se de amarrar o cavalo. Quando deu por si já não mais o tinha.
Piorou tudo…e no terror desmaiou.
O dia amanheceu lindo. O sol timidamente se
refletia nas gotas de orvalho. A bruma da manhã, preguiçosa e dolente se
levantava rumo aos céus e na sua viagem se dissipava como algodão doce nos lábios
da amada.
Ele acordou. Ainda sobressaltado não
conseguiu descobrir onde estava.
O lugar era deveras diferente. Talvez como
Milho Verde, um local onde as montanhas rodeavam um vale chato, de vegetação
rasteira. Um local onde vertentes desciam pelas encostas e desapareciam no seu
centro, num sumidouro aterrorizante.
Pior ficou…. Perto do tal sumidouro achou
que iria sumir, ele mesmo, naquela terra sem nome.
Mas gnomos gostam de ouro e, como há ouro
no fim de um arco-íris, para lá se foi pois o tal havia aparecido, brincava com
a bruma, dançava ao sol nascente. Em sua procura tradicional descobriu algo que
reluzia mais do que ouro, uma bolha dourada, transparente à flutuar sobre a
relva. Dentro dela uma criatura que se assemelhava a ele mesmo.
Nenhum gnomo que se preza deixa sua
curiosidade de lado. E esta, que mata os gatos mata também gnomos… Criou
coragem, sorrateiramente se aproximou…
Primeiro capítulo da saga. Amanhã será postado o segundo…aguardem…





Sério, isso é negócio de senhora dos anéus
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