Era
linda. Um sorriso infindo, um olhar meigo e um jeito doce. Um abraço que ninguém
esquecia.
Foi-se
há dois anos e meio.
Deixou
saudades, lágrimas, corações machucados pela sua ausência. Mas teve que ir…era
a sua hora.
Não
se parte sem um pouco de sofrimento, não se deixa sem um choro triste… mudo.
Da
bela mulher restava somente um punhado de cinzas em uma caixa, etiqueta no
fundo.
Dois
anos e meio…
Presa
na caixa, uma vela ao lado, sempre acesa. O token para o outro lado. A luz que
a deixaria cruzar o rio Styx.
Mas
lá a deixei por demais.
Dois
anos e meio…
No
alto das montanhas que tanto amava foi dispersa. Assim o queria. Assim foi
feito.
Se
prova queria que existe uma outra vida, esta a tive. Pois no dispersar, as
cinzas desceram ao fundo do vale e subiram…
Subiram
como estrelas cintilantes. Subiram bailando alegres, livres, soltas, numa dança
etérea, fantasmagórica.
Um
desenhar de espectros felizes, poeira mágica, mágica no ar.
Juraria
que a vi. Não como era, mas uma forma deliciosa, divina, angelical. E a forma
em retrato ficou…
Mas
se isso não fosse a prova que queria me dar que lá estava, deixou outra, mais
cabal, mais fática, mais contundente.
Pois
ao ali chegar notei as pedras limpas, o vento leve, o dia em cinzas azulados.
No
preparo para render-lhe minhas últimas homenagens o fiz, primeiro com as cinzas
de Max Mínimus e Eddie, seus cãezinhos adorados. Depois seguiu-se a dispersão
feita pelo meu segundo filho, momento no qual a dança dos espíritos se iniciou.
Ao término, uma cruz com seus restos em pó…cuidadosamente desenhada na pedra.
Olhei
para o mais velho, disse-me que não a havia feito. Nem minha netinha que jogava
pétalas de margaridas ao ar. Eu e o segundo não a fizemos, muito menos minha
nora, que empunhava o celular registrando o momento.
Mas
a cruz estava lá.
Senti-me
abençoado. Senti-a livre, alegre e gentil como sempre foi.
Deixou-me
vê-la, pela última vez, em sua nova forma. Deixou-me entender que ela existia e
que há vida, no outro lado…
Deixou
o sinal da cruz, da ressurreição, da verdade, do amor, do carinho…da redenção.
Deixou
tudo, registrado em fotos.
Prendi-a
por dois anos e meio.
Perdoe-me
querida, por tê-lo feito…
Se
quiseres me indicar as portas do mundo de Hades para pagar pelo que lhe fiz, lá
irei, sem reclamar.
Obrigado
pela linda mensagem.
Mesmo
sem merecê-la…





















