segunda-feira, 31 de julho de 2017

N
TRIÂNGULO




Nasceu
à sombra das pirâmides.
Nem árabe era, mas era equilátero.
Talvez isósceles…
Certamente hetero.


Não pensava em uma linha, mas em três.
Assim, não tinha vez…
Prolixo, se achava,
Tinha GPS, se triangulava.


Um dia descobriu ângulos…
Tinha os seus.
Mas queria a bissetriz,
Não a sua, pois não a tinha.
Mas sabia que acharia,
Uma outra, uma gracinha.

Apaixonou-se por um tetraedo.
Casou com o poliedro.
Em triângulos se perdeu.
Mas uma bissetriz achou,
E por ela morreu…


A morte é escalena,
Lhe levou com a bela Lena.
Num triângulo amoroso,
Se encontrou com o tinhoso.


No inferno que ficou,
Descobriu, não o triângulo,
Mas π (pi) bem redondinho…
Num mundo sem nenhum ângulo.
Alí, no tridente, espetado…
E, cozinhado,
Lá estava, assadinho…





domingo, 30 de julho de 2017

PRIM



Era uma princesinha. Nadava como um peixe, não saía d’água.

Competia como ninguém, gostava de borboletas. Azuis.

Da água foi à grama. Com esquerda portentosa marcou mais gols do que qualquer outra menina no campeonato da cidade. Foram 36, alguns furaram as redes.

Destra nas mãos, sinistra nos pés. Resolveu salvar o mundo, começando pela Guatemala. Entre maias e aztecas dormia com escorpiões. Mas fez muitas coisas boas, nem os escorpiões puderam evitar.

Escalou um vulcão, chegou tão perto que voltou chamuscada, com buracos nas roupas.

Deve ser por isso que seu gênio é explosivo. Resolveu ser um vulcão.

Perfeicionista, sofre com isso. Ninguém a entende, acho, que nem ela mesma.

Quiz voltar ao Brasil e o fez. Pensa que ainda é brasileira, talvez no local de nascimento, pois na realidade é mais gringa do que muitos gringos.

Pinta tudo, até o sete. E pinta muito bem. Voltou para lá, acho que decidiu bem.


Mas deixou saudades.

sábado, 29 de julho de 2017

PEÇAS SOBRESSALENTES




Contou-me um amigo;

Há algumas décadas atrás,quando a Serra do Curral ainda era inteira um estudante de medicina, que viria a ser um grande médico, tentava conciliar seu tempo entre os esportes e o estudo.

Seu sucesso nas quadras levaram-no, e a seu time, à inúmeros campeonatos e menos tempo na faculdade.

Preocupado com os exames de anatomia que se aproximavam e antevendo um longo feriado se aproximar resolveu recuperar o tempo perdido em estudos profundos sobre o corpo humano. Sobravam-lhe os livros e faltavam-lhe as partes. A escola fechada não lhe permitiria o estudo “in loco” de tão importantes peças e partes anatômicas.

Não teve dúvidas...tomou por “empréstimo” algumas delas e as levou para casa, no porão, onde entre os livros e as ditas cujas debruçou-se em estudos. A empregada, muito religiosa suplicava:

“O seu dotô, dervolve...Os ispírito tão por toda as parte procurando seus pedaço”.

É...achou que ela tinha razão. Cedeu e por fim tentou retorná-las. A faculdade, entretanto, já havia tomado medidas mais restritivas de segurança, ante ao sumiço das partes, ficando impossível seu retorno às escondidas.

Não titubeou. Em lote distante, ao sopé da Serra, enterrou-as, em manobra digna de Alan Poe.

Fico pensando...um dia destes vou acordar com a Itatiaia, em bom som, reportando:

Encontrada, durante construção, pés, mãos, cabeças e outras partes humanas nas Mangabeiras. Seria um” serial killer” do passado?


p.s.:  ele tirou nota máxima em anatomia.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

PARTIDO TRAIDOR



Começou bem. Dizia amar as massas. Cometeram o primeiro erro: pelêgos se colaram no partido. Depois artistas fisiológicos, do tipo Xico de algum país lá na Europa, junto com intectualóides imbecís.

Mas nenhum erro maior do que anexar um molusco de nove tentáculos como seu inconteste líder.

Entre ratos, fuinhas, cobras, polvos e moluscos ficou peçonhento. Amar o povo? Só se for eles mesmos, ou seriam nóis?

Petrobrás tem P e T no nome, então deve ser deles, os peçonhentos. Venenosas e mentirosas criaturas com suas ventas que sugam a nação e fazem os pobres mais pobres.

Dizem que é culpa dos ELES mas são os NÓIS que são eles, os humanóides de Brasília.

Entre as sub criaturas que lá estão, foram liderados por uma tal Mulher Sapiens cuja ignorância e prepotência transcende a compreensão dos que são realmente humanos. Agora, uma outra, bonitinha mas ordinária vocifera palavras de ordem à incitar conflitos.


Traíram todos e tudo... Mentirosos mostros, foragidos do umbral... Voltem para o inferno de onde vieram, lá deve ser vermelho como a cor de suas bandeiras! Ou caiam de Maduro, como o comparsa do norte.
O REI URRAVA.
(jogo bôbo de palavras)



O rei urrava.  Urrei? Não, o Rei.  O rei urra mas não erra.  Eu erro mas não urro.

O rei urrava quando errava.  Rei erra?  Não, rei urra. E se eu urrar?  Não pode.  Você não é rei.  Mas urro...então você errou, pois só reis podem urrar... Você pode errar.  Rei não.

Errei.  Sim, você não é rei!

Arranhei as palavras, mas não errei.  Claro, você não é rei, pode arranhar. O rei urra e arranha.  E a aranha?

A aranha não é rei,  se arranha não sei. Mas se você arranhar o rei, sei que vai errar. O rei urrará e você nem aranha arranhada será.

Urrei.  Não, o rei...


quinta-feira, 27 de julho de 2017

O MOCORONGO DO GASTÃO




Foi na década de 60, no século passado. Meu irmão, o Tirano, havia partido para Suez e lá fez amizade com um amigo que eu tinha nos tempos de basquete. Este, grande jogador, seleção mineira, jogava no América. Lá na Alameda existia outro, super cobra, chamado Zé Ernesto. Era tão bom que praticava qualquer esporte. Foi até goleiro nos profissionais.

Conheci o Zé desde o Colégio Arnaldo, ainda tenho fotos dos times que jogamos juntos. O outro, Gastão, vim à conhecer no América. Torna-se-ia, mais tarde grande amigo de meu irmão, o Tirano das Montanhas.

Gastão era aventureiro, como meu caro fratello. Partiram para salvar o mundo à comecar por Suez. Lá jogou no time do Brasil que disputou um campeonato com as seleções dos outros países que compunham a força de paz. Gastão era o fino da bola. Meu irmão, entretanto, um carniceiro contumaz. Ganharam o título como ganharam também a medalha de Paz da ONU.

Voltaram, com dinheiro no bolso. Gastão comprou um carro, um Nash 1949. Uma jóia do passado. O carro parecia um bólido. Tinha polainas nas rodas traseiras, todo arredondado, de janelas pequenas, uma delas, a de trás, em forma de amêndoa. Sentado na frente à olhar pelo retrovisor tinha-se a impressão que havia lá um tunel interminável. Um buraco para outra dimensão.

Como não sabia dirigir, contratou um chofer.

O dito era meio diminuto. Feio feito a fome, mais burro do que a porta e custava barato. Nós o apelidamos de “Mocorongo do Gastão”.

Feliz da vida Gastão nos convidara para um passeio em sua poderosa máquina. Sentávamos no banco de trás, afinal éramos a fina flor de um passado que não voltaria mais.

O Nash tinha 3 marchas à frente. A ré ficava na mesma linha da terceira, mais esticada. O motor tinha uma quantidade enorme de cavalos, todos famintos. Tão famintos que sugavam os tanques dos postos de gasolina simplesmente ao passar por perto.

Fomos até a praça da Liberdade e descíamos a João Pinheiro. Lá na frente do Detran o “mocorongo” resolveu engatar uma terceira com duas debreadas. Entrou a ré.

Um barulho ensurdecedor se fez ouvir. Olhamos para trás, pela janela amendoada e vimos um rastro de óleo salpicado de peças metálicas entre molas, planetários, satélites, parafusos e o eixo traseiro com suas duas rodas.

A gente ainda andou por uns15 metros naquela descida. O carro havia falecido. Morte súbita, cruel, pois nunca mais veio à rodar.

O Mocorongo...bem...saiu correndo. Foi pego pelo Gastão após calçado pelo Tirano. Levou bolachas mil, cascudos e impropérios impublicáveis. Também nunca mais foi visto.


Gastão saiu pelo mundo afora assim como o Tirano. Aposto que ainda aprontam por aí. Afinal está no DNA dos dois. Ficou a saudade, mas que foi divertido, foi...

Markets of the World

Acrylic on canvas
by Rachel Gilberti
detail

SHADOWS AND COISAS
Reflections in two languages, not translated but interchangeable, uma troca de pensamentos à voar, como a brisa do mar. Perdoe-me se só quero complicar. Sorry, my friends, but I couldn’t resist.

O descanso à sombra de uma árvore… Pensamentos à voar com a brisa que afaga. A esperança que dizem não morre, mas anda defunta, como este moribundo paraíso ao sul do equador.

Não sei se o ocaso é uma sombra. Mas a sombra que descansa também se cansa com vermes famintos que alí se procriam. E em terras do sul, nascem muitos, nascem assanhos. Então este ocaso talvez possa ser o decúbito final e a sombra amiga, o sol do amanhã, em outro mundo, outro universo, plagas distantes ou coisas afins.

I think the shadow is good. I can think of things, I can feel the silk of the breeze refreshing my face, cooling my heart. But my heart is sad…because I can’t believe in the world anymore. I see men thinking only things that money can buy. I see them blind with the ones needing love. They don’t see, they don’t care. How can they really love if they only think of themselves? Is there a time of reckoning, a moment of reflection, a light that shine? Something that makes you feel in this beautiful world, here for the take, but for you to share, and not to destroy? Can you see more than yourself, beyond your own nose? I dare if you can…

A sombra é mais fria, mas resfrescante. Coisas que sombras podem fazer. Mas na noite escura, mais fria ainda, mais triste…a sombra não existe. Fica só a mão do medo, do desalento, do abandono. À espera do sol da manhã, onde a sombra, de volta, como um manto de paz, deixa pensamentos para sua mente levar, ao sol, àqueles que a luz cobrirá com esperança e amor.

Because I think, and thinking I say, if the shadow will rest your body, the sun and its light will revive your soul. To make you better? To make me better? To make them better?

I sincerely hope so…

E assim, talvez, a esperança volte…


terça-feira, 25 de julho de 2017

MULHER FOGUETE

Mulheres…são tão lindas, doces, carinhosas, dengosas…gostosas. Se não existissem não existiria mais nada. Para que existir? Se a não existência, destas musas dolentes, nos desse um presente de homens somente?  
Por isso prefiro, lidar com a existência, com toda minha essência, do que perder a paciência que sua inexistência, certamente traria.
Que sempre existam então as muheres, de cama e de mesa, com todo os talheres, mesmo as sem cama e sem mesa, mas com sua beleza.
Se só a gente existisse, um bando de hermafroditos, ditos e não ditos, triste seriamos, e que graca teria? Imaginem vocês…barbudos barbados, que nem arame farpados, beijando peludos e bichos bigodudos, carecas pelados e cabeludos assanhados?
Que coisa horrorosa!
Por isso e mais que isso, fico com elas, e, com elas fico.
Mas estas belas, dengosas, gostosas também são foguetes. Me levam pra lua, me mandam pro espaço, me comem em pedaços, me fazem de pato.
Não acho que isto defeitos sejam, são mais corretivos para que nós, bobocas de praxe, entendamos que, para as gostosas pegarmos e amarmos e as dengosas beijarmos, as carinhosas dirão, que ser doces devemos e com jeito sereno, darmos a elas o amor, e uma linda semente no seu coração deixar.
E os salgados da vida? Somente no mar, no bar, no churrasco, num momento de amasso, na pele das lindas, amadas, suadas de amor, numa cama, numa cabana. E, pelados, jurando e amando, mas jantados e fritados como petiscos de festa, se entregando felizes como um pastel de mel num lindo bordel.
Deixem-nas então, mulheres…serem  foguetes.
Eu, já sou até astronauta. Me visto no traje, me sinto no vácuo, me treino com antenas, quem sabe até penas? Pois quero com elas ir mesmo é pra Venus.
Pois deixo que Marte, onde elas não vão, ficar com aqueles que gostam da guerra, se perdem na goela, de papos banguela, na tijela vazia, sem nada, sem elas, sem belas.
Ah, e eu?…ah…eu gosto do amor,
E, no foguete eu vou.

Vou com você,.. mulher foguete…

Time flyes

Getting old is not so bad!

VOU SER UM FANTASMA

Vou ser um fantasma.
Dizem, por aí, que para tal tenho que morrer.
Sou mais esperto, iludo dona Morte, passo-lhe a perna, quebro sua foice e dou uma de brasileiro. Um jeitinho qualquer, no morro, mas viro fantasma.
Vai ser de noite. Fantasma de dia não serve pra nada. Vira reflexo de espelho, sombra assombrada.
Tenho mais classe, vou ser fantama depois da meia noite, é claro.
Já passa das doze…da noite. Em outras terras vinte e quatro, bem mais expressivo. Duas em vez de uma dúzia. Não é à toa que a turma do norte sabe dar mais valor às coisas.
Mas, vejam só, começou tudo errado. Os relógios não mais batem as horas. Tirou o charme da última batida. Agora, não sei se estou fantasmando na hora certa. Fantasma que se preze não usa relógio e nem Iphone pra saber as horas.
Mas fantasmei…e saí por aí.
No início achei que bastava dar uma aparecida na frente de alguém. Ledo engano, A turma não dorme mais, bebe muito, tomam todas, baseados e outros bichos. Quando dava uma fantasmada neles eles riam, achavam que eu era um velho doidão, vestido num lençol. Até me ofereceram uma pitada da fumaça deles, fui dar uma e minha pressão baixou tanto que achei que ia virar fantasma de verdade.
Eles, morreram de rir. Olha lá, o velhote capotou…
Mudei de tática. Fui pro cemitério.
As coisas lá eram piores. Tinha mulher pelada em cima dos túmulos. Carinhas roubando ornamentos, outros dançando funk e, certamente pena voando pra tudo quanto é lado. Até os fantasmas verdadeiros do lugar entraram na dança. E olha que fantasma de verdade, dançando, é realmente ridículo.
Saí de lá…fui experimentar entrar em uma casa, e assombrar lá dentro. Quem sabe eu pegaria uns dois fazendo amor, peladinhos da silva? Valeria pela aventura pornô. Será?
Pois não é que tinha dois, fazendo amor… aliás quatro. Dois num quarto, dois no outro. O rapaz, pelado, com outro cabeludo e bigodudo, feio feito a fome, beijando na boca. No outro quarto, uma moça bonita, com outra garota. Me deu esperança de ver algo pelo menos esteticamente bonito, mas uma delas era tão feia, tão tatuada que parecia um crocodilo gordão. Aqueles lá do Nilo.
Fiquei chocado. Afinal, virar fantasma não é coisa fácil. Esculhambaram o sistema.
Desistí de morrer.

A gente assombra bem melhor por aqui mesmo.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

THOUGHTS

I think I think. Having thoughts, thinking things…
So, I thought, if I think that thinking would make me think better.
But thinking is a thing that, when you do it, you are supposed to do better.
But thoughts are not always for better, so thinking things, may make not make you think at all.
So, if I think better would my thoughts be a thing of beauty?
Ah…silly thought. Not a thing. Just kidding, I think.
And I think that I lost my train of thoughts.

So much for that…

Under the sky of Belo

winter flowers

sábado, 22 de julho de 2017

O TEMPO E A VIDA



O tempo e a vida são lineares. Passam, não voltam mais.

O tempo continua, para frente. A vida acaba, de repente.

Quando se vive a vida, se vive com um “script”, um enredo, com personagens que se interagem, amam, se conhecem ou se tornam conhecidos. O enredo traça a história, os amores e desamores, sempre para a frente. Não há “flash back”.

O tempo brinca com a vida que passa ao largo. De novos, ficamos velhos, de perto, ficamos longe, de gostos mudamos e de amores trocamos. O enredo não se repete. Só é executado uma vez. É como um único trem. “All aboard”! Se perder, não voltará mais, seguirá em frente.

Há empatia entre os seres que vivem este drama linear. Por alguma inexplicável razão achamos que já os conhecíamos. Por uma razão, mais estranha ainda, achamos que vamos vê-los, de novo, no tal de “after life”.

Mas o enredo, único em sua história, único em sua performance, poderá existir em livros, em relatos, até no boca à boca dos que ficaram ao lado, dos que ficaram depois que o show acabou.

Mas a vida, extinta, não registra mais nada do que foi. Já era.

Do outro lado, na estação do trem que ainda está por chegar, um novo roteiro é formado. Uma nova história será escrita. Uma outra linha do tempo, com sua natural relatividade, alí estará, na mesma direção, sempre para frente.

No novo roteiro, papéis diferentes para partícipes antigos. Todos acharão que se conhecem, todos acharão que há um “deja vu”, intrínseco, inexplicável.

Mas não são os mesmos rostos, os mesmos nomes. Na verdade mal se conhecem, no início. Às vezes nem bem se dão. Mas já foram de um roteiro antigo, que jamais se lembrarão. Este novo “script”, tem também sua linha do tempo. Alguém terá de conquistar um amor. Seria este, o amor passado?

Talvez. Mais certo seria, que nesta nova história, serão todos amores diferentes, nada como outrora foram.

Quando a vida se foi, o outro lado surgiu. Deve-se sentir que as vidas extintas se encontrem, se comuniquem. Mas não terão forma. Não existirão abracos, não existirão beijos. Só a certeza de um amor comum. Uma empatia mágica. Um momento breve para se ajustar ao novo enredo.

O trem chega, “all aboard” dirá o condutor. O novo jogo da vida se iniciará, não sei aonde, quando ou em que teatro.

O tempo emparelhado seguirá em frente. Somente existirá a certeza de que ele, o tempo, continuará, mas o show... este... certamente terá um fim.

Gostaria de escolher meu papel. Talvez tenha até escolhido o que presentemente performo. Mas como o tempo que passa, minhas linhas se acabam e as outras, que estão por serem escritas, contarão uma outra história.


Nesta, não sei quem serei.

Rose

a rose is a rose

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Two Suns #2

Dois sois
Are we in another planet?

MOTO CONTÍNUO

dedicado a Sheila van Leyen no dia do amigo {julho 2017}
1.
Nasceu pequeno, chorando, pedindo só amor.
Um pedaço de dois, cheio de carinho e calor,
Alí, sozinho, com o mundo esperando.
Um senhor daquele espaço, à procura um abraço.
Passa o tempo, passa a vida, passa pra frente…
E, como um trem, passa dolente…
Vai devagar, para aquele pequeno,
Que sem paciência quer ser logo velho.
Não sabe ainda, que mundo bonito, também tem veneno.        
Não ouve seus pais, não gosta do espelho.
Quer o vento tomar, empurrar o tempo, sem tempo…
Pro tempo esperar…


Passa o tempo, sopra o vento…
Passam amores, desamores.
Ficam beijos, ficam lágrimas…
Choram sonhos, sonham flores.

2.
Num momento do tempo, soprou-lhe um vento,
De momentos felizes, alegrias e alentos.
Amores achados, amigos amados,
Embevecido ficou, inebriado de amor…
Em falsos abraços achou seu espaço.
Não era o de fato, mas sim sem calor,
E dos amores verdadeiros, dos acalentos ardentes,
Ficou só o gelo, da falsa ilusão…
Que o mundo de então era só perdição,
Sem o brilho da luz, de uma estrela cadente.


Passa o tempo, sopra o vento…
Alegrias e sorrisos,
Ficam memórias, ficam brilhos,
Choram amores e amadas…




3.
E então o tempo com seu vento,
No trem da vida, ficou velho, ficou lento.
Mas o pequeno menino, de pressa apressada,
Mais velho ficou, perdendo, com a pressa,
O amor que passou…
Chorou, não se achou, seu corpo vergou,
Amigos perdidos, amores fugidos.
Nas lágrimas vertidas, somente o suspiro,
Num copo de um bar, num brinde sem gosto,
Num enterro do amigo, chorou de desgosto…




Passa o tempo, passa o vento,
Chora a alma, choram dores,
Amigos achou, de todos fugiu.
Choram sonhos, choram amores.




4.
Mais frio no tempo, seus brancos cabelos,
Voam ao vento procurando modelos,
Que ainda lembrava, menino, brinquedos,
Nas barras das saias de quem sempre amou,
Que com alvos cabelos com carinho o beijou,
Acariciou e deixou, a saudade infinita,
Que sua alma criança em carícias infindas,
Marcou de tristeza, com aquela beleza,
Que agora sabia, não mais voltaria,
Num pranto de dor, chorou e sentiu, perdão lhes pediu…



Passa o tempo, passa o vento,
Esfria a alma e o coração.
No velho da vida, sentiu esperança,
Choram sonhos, choros de criança.



5.
No ocaso tão triste, da vida partistes,
Deixando uma prece, achou que sorristes,
Mas quando perdido encontrastes,
Uma outra porta abristes,
Para nela saber porque tu existes,
Pois a vida querido, é uma coisa partida…
Em pedaços de dor e em bocados de amor…
Nunca acaba, só passa…
Para outro pequeno, com seu choro escaleno,
Fugir do veneno, que o tempo sereno, certamente trará.



Passa o tempo, passa o vento,
Nasce outro lindo rebento,
Ficam amores, ficam amigos,
Sonham sonhos infinitos, sonham sonhos mais bonitos…



quinta-feira, 20 de julho de 2017

Just like in Tuscany

In a Paladian home
O DOCE DE COCO



Era a receita para o doce perfeito.  Daqueles branquinhos, com leite condensado, contrastando com  outros, moreninhos, todos, deliciosos à cada mordida.

Mas este, era um doce de coco com ambas as formas. As vezes branquinho, outras, quando voltava da praia, mais torradinho.

Doce é sempre uma coisa gostosa. Tenho amigos que se declaram formigas, somente para terem a chance de experimentar, nem que seja um pedacinho pequeno.

O que eu não sabia é que estes docinhos são tambem sedutores. Seduzem com charme e carinho. Lideram grupos de outros doces que por razões desconhecidas preferem não se revelarem como tal. Uma pena, pois sei que todos nós gostariamos de saber que doces são. Fica o mistério, a surpresa...quem sabe um dia se revelarão?

O doce de coco tem propriedades mágicas. Dizem ser o líder de todos os outros. Até o de leite sucumbe a seu melífluo sabor. No seu adocicar leva palavras de mel aos outros, faz a roda alegre, mantém a conversa perdida em algodões de açúcar.

De vez em quando foge.Arrisca-se, com a certeza de irradiar doçura, e passa por mesas salgadas, quentes e confusas...deixa um ar de suspiro, com muitos deles a se perderem na leveza do adocicado, na clara do ovo batido.

Os olhos das sogras, severos, talvez não os aprovem...mas doces são moleques, com seus pés, fogem e visitam o apimentado ao lado. Na confusão deixam todos no melado, presos, esperando pela sua volta.

Volte, doce de coco... nas nossas rodas... sem açúcar... falta o mel. Sobram beija flores.

 O sonho de todos é sermos de chocolate. Seria a mesa ao lado um prato de bombons? Ou aqueles de coco?

Assim, todos vão gostar...

Eu...já havia escolhido... prefiro doce de coco.





quarta-feira, 19 de julho de 2017

O CRIADO MUDO



Sexta Feira, dia de encontrar com a turma, dia de se deixar ao sabor do vento e da sorte. Aquele que amava hortências preparava-se para nova aventura. Qual seria? Deixou-se abraçar pela Barrica #7, lá do Tennessee, aquela que o fazia perder os sentidos, aquela que o deixava no Nirvana. No terceiro torpedo notou que seus amigos partiram mais cedo e o haviam abandonado.

Triste, olhou para o copo e viu algumas gotículas no fundo. Pediu reforço, e, de outro em outro, descobriu-se leve, a flutuar.... novamente.

Caminhou passando pelas suas amadas hortências. Hoje não havia nada para elas, tinha outro programa. Ao chegar ao fim da trilha olhou para o céu estrelado e pensou ter ouvido a voz de amigos. Deixou-se cair, inclinando-se para trás. Os amigos o receberiam, com braços abertos...certamente.

Ledo engano, não havia nenhuma alma penada ou sem penas nas proximidades. Somente o vazio interrompido que foi com a queda ao cimento frio. Machucou as costas, doía. Passou alguns minutos estudando o que fazer. Chegaria ao carro? Como? Num esforço ímpar conseguiu dêle se aproximar e adentrar.

Pensou...se cheguei até aqui, chego até em casa. Deu partida e se foi. Encontrou-se à frente da porta. Não se lembrava exatamente como chegara, mas lá estava. Abriu a porta e procurou o quarto.

A filha de Corina, sua encantadora esposa tinha sempre preocupações com o estético. Assim havia comprado um tapete que adornava sua casa, logo abaixo de um degrau inventado por algum arquiteto desvairado. Naquele lugar, em outra festa, uma digníssima madame levantou vôo antes de ter bebido nada. O vôo foi breve mas a aterrisagem sensacional.

Por causa do incidente, a filha de Corina, a indecifrável, mudou o local de repouso do tal tapete voador. Colocou-o no quarto à frente do criado mudo. E foi alí que ele o encontrou.

O vôo foi mais longo do que o de sua amiga. Teve até piruetas. A aterrisagem mais espalhafatosa. Foi-se o criado mudo. Dizem que ao espedaçar-se gritou. Não era mais mudo, e faleceu em pedaços, ferpas, cacos, estilhaços adornando nosso herói.

Cabisbaixo nos encontrou no dia seguinte. Mostrou as marcas de sua desdita, pareciam arranhões de uma mulher que lutara por sua virgindade. Achou que podia mentir e...disse:

A criada era muda.



Two suns

Two suns or a meteorological phenomena?