terça-feira, 27 de outubro de 2020

 

CLONE

 

 

Eram dois. Um parecia com o outro e o outro com o um. Como era mais novo virou clone do outro. Era meio nuclear, gostava de coisas quânticas. Especialista em trapalhadas deixava o outro para trás. Este, mais discreto foi cuidar de vacas. Ele, mais afeto às obras de Bacco, juntou-se à um bando de etílicos para contar seus feitos.

 

De feito em feito enche estas páginas de momentos inesquecíveis.

 

Recentemente, após uma rodada de Jack Daniels e seus asseclas foi para casa onde, para manter a tradição, tinha de tomar uma expulsadeira. Isto porque já tinha sorvido saideiras incontáveis discutindo teoria das cordas e mundos paralelos.

 

A casa, deliciosa, de madeira e degraus diversos era o lar da filha de Corina. A doce madame tinha o hábito de prover sua mansão com tapetes voadores. Uma ilustre dama de qualidades espanholas já havia pilotado um. O trágico desfecho a deixou empenada e adernada.

 

Sua última façanha voadora fez do Clone um bólido destruidor de um criado mudo. Dizem que a criada era muda ou estava nela. O fato é que hoje fala que nem maritaca assanhada.

 

Sua pressa era tanta que não tirou o Johnny da caixa. Em um copo cheio de gelo despejava o precioso líquido, com choro e vela de praxe. Não viu o degrau atrás de seus pés.

 

Voou. Voo curto, para baixo, de costas. Acertou seu cóccix em algo protubero. Desmantelou tudo ao redor.

 

Não perdeu uma gota sequer do elixir sagrado. Nem do copo, nem da garrafa.

 

Com dor em região suspeita resolveu se anestesiar, tomando o resto da garrafa toda. A filha de Corina estarrecida não sabia o que fazer. Queria passar pomadinhas em locais que nem ele gostava de por a mão. Resistiu enquanto pode. Desmaiou não por dor, mas por excesso.

 

Não consegue explicar por que se sente um tanto lubrificado. As más línguas já falam que sua voz é de soprano.

 

 

Em tempo e segundo o Aurélio: :”CLONE; conjunto de indivíduos originários de outros por multiplicação assexual. Todos os membros de um clone têm o mesmo patrimônio genético.”

Nenhum comentário:

Postar um comentário