sábado, 24 de junho de 2017

FUGA DO PLANETA TERRA

Um amigo me disse: “Não posso mais viver em um planeta com tantas iniquidades. Veja só, até o Stephen Hawkins já indica que o homem precisa de sair deste planeta. Estamos acabando com ele e com isso estamos nos auto exterminando. Por quê voce não escreve um conto sobre a Fuga da Terra?”
Daí...segue abaixo, à pedidos...


2086. O mundo não era mais o mesmo.

Os ataques terroristas do EI haviam desequilibrado a economia mundial. A Europa foi a primeira a cair. A invasão africana trouxe levas de terroristas infiltrados. Financiados pelo óleo do oriente médio e as multinacionais da energia, os fanáticos atentavam contra tudo e contra todos.

Na América do Norte as mudanças climáticas haviam destruído a capacidade dos Estados Unidos e Canadá de produzirem grãos e proteínas suficientes para alimentar a população.
O aquecimento global elevou o nível dos oceanos. Cidades e terras costeiras foram submersas.

A China se fechou. Havia estocado grãos e matéria prima nos anos de fartura. Voltara a ser feudal. O Japão sucumbiu, colapsou pela ausência de riquezas naturais. Austrália e Nova Zelândia ficaram inabitáveis. As temperaturas durante o dia oscilavam em volta de 55 graus centígrados. O mesmo aconteceu com o continente africano. A devastação era total.

Sobravam as Américas Central e do Sul. Políticas populistas haviam tranformado tudo à sul do Estados Unidos em um país chamado Bolivária. Lá o crime, drogas, escravidão e abuso eram as marcas dominantes daquela sociedade. Com a capacidade de produzir grãos ainda em escala gigantesca a região chantageava todas as outras nações do planeta. O caos era completo.

Vinte anos antes uma nave espacial oriunda de Antares havia se aproximado da Terra. Trazia uma tecnologia estonteante. Eram capazes de voar através do tempo. Em dobras quânticas penetravam portais intergaláticos. Dominavam a quarta e quinta dimensões.

Em 2045 a Terra havia investido pesadamente nas descobertas quânticas do grande acelerador de partículas. O CERN, localizado entre a França e a Suiça havia sido duplicado. As experiências em busca do bóson de Higgs haviam aberto portais quânticos durante os experimentos. Em certas situações o tempo parava. Outras partículas ainda mais incríveis foram descobertas. Estavam no limiar de controlar a anti-matéria.

As criaturas de Antares acompanhavam o desenvolvimento do projeto. Havia receio que a Terra fosse incapaz de sair do seu estágio inicial de civilização, o chamado estágio I. Neste, as civilizações geralmente feneciam. Guerras, terrorismo, autodestruição e intolerância eram sempre os fatores mais incisivos na eliminação das mesmas.

O aquecimento global e a exploração predatória já haviam causado um impacto irreversível. A ganância das mega-corporações internacionais aliadas aos experimentos genéticos imorais da indústria farmacêutica haviam gerados pragas, pestilência, fome, guerras e terror. A Terra, como planeta, não passaria do estágio I. Sua civilização estava marcada para extinção.

Havia entretanto, uma aura de brilhância nos seres humanos. Esta luz era a única motivação que tínham os seres de Antares para ainda tentarem salvar a raça humana. Se não podiam existir no planeta condenado, talvez poderiam  viver em outro mundo. Sua missão era salvar alguns espécimes mais iluminados e guiá-los para uma fuga do planeta Terra. Não seria fácil. O próprio homem se encarregaria de destruir todas as tentativas e avenidas. Uma guerra pelo controle da CERN se iniciou.


BOLIVÁRIA


Após uma série de bárbaros atentados no coração da Europa uma líder demente de um país irresponsável passou à proteger os terroristas islâmicos acolhendo-os e protegendo-os contra o ataque das potências ocidentais.

Uma coalizão se formou entre os países do cone sul. México, líder na produção de drogas cada vez mais poderosas aliou-se à Venezuela. Juntos pregavam uma união latina sem precedentes. Seria fundada nos princípios bolivarianos defendido por um psicopata morto no início do século XXI.

À estes dois paises juntou-se o Brasil e a Argentina. Em ação militar conjunta atacaram os países vizinhos fundando a Bolivária. Nela prevaleceria a corrupção, o crime em todas as formas, o tráfico e produção de drogas. Calcaram sua fôrça econômica no agronegócio e no petróleo. À eles se juntou a recém criada gigante da energia, a ENERGEX, uma empresa sem escrúpulos, bandeira ou moral.

Seu líder, o Comodoro Psycus, queria dominar o mundo. Havia se aliado com um tal de El Phetid, um árabe tresloucado e violento. Não teriam tido sucesso se a grande líder de Bolivária não garantisse salvo conduto. Hermafroditus, a aberração humana vivia consumindo Fornicália, a droga recém inventada por um cientista cubano de nome Che Esgotus. Fornicália levaria todos os habitantes do cone sul à escravidão.

Energex aumentava seu já inigualável poder. A economia do hemisfério norte havia colapsado com o aumento do nível do mar. New York foi submergida. A costa leste dos Estados Unidos praticamente desaparecida junto com grande parte da Europa. Os mercados financeiros já não funcionavam. A solução era consumir Fornicália. E o mundo se tornou dependente da droga.

Existiam somente os controladores. O povo escravizado pela Fornicália funcionava como zumbís. Durante o dia trabalhavam nos campos petrolíferos e na produção de alimentos. À noite tomavam a droga e nela se perdiam. Ninguém era dono de nada. O capitalismo foi totalmente exinto. Viviam em ruínas do passado.

Tudo era poluído, tudo era destruído.

A produção de alimentos em Bolivária ainda era fortíssima. A líder, Hermafroditus, controlava os mercados. Chantageava pela fome. A omissão dos asiáticos aumentava seu poder. Queria tomar o CERN.

Conclamou uma reunião com os comandantes supremos, Hermafroditus, El Phetid e o Comodoro Psycus. Indicariam seu chefe da segurança suprema, o grande Calhordus Plenus e sua  espiã Frigília como líderes do ataque ao CERN. Era de suma importância controlar a anti-matéria.


O PORTÃO DE ANTARES


A Terra não passaria do estágio I. A maioria dos planetas sucumbe quando não consegue harmonia entre seus habitantes. Viajavam pelas galáxias utilizando-se de portais quânticos para dominar o tempo. Podiam visitar em qualquer lugar ou dimensão. Ajudavam os planetas jovens à conquistar seus estágios evolutivos superiores. Salvavam alguns espécimes locais para um projeto maior, de codificação genética perfeita, sem as variáveis que os levavam à destruição.

Haviam chegado à Terra com o propósito de salvá-la. Haviam desistido da missão primária, salvariam somente alguns de seus habitantes. E quais seriam estes? Por mais de 40 anos mantiveram sua presença em segredo, mas com a queda dos controles e governos foram descobertos. O tempo era de essência. Tinham que acelerar o cronograma.

O CERN havia, com sucesso, conseguido criar diversas colisões de partículas diminutas. Na descoberta do bóson de Higgs notou-se um desdobramento quântico. Haviam sinalizado serem capazes de ir além. As teorias da simetria do universo foram provadas e com elas vislumbrou-se o controle da anti-matéria. E a fórmula para este controle estava guardada à sete chaves.

A nave mãe possuia um graviton cilíndrico. O aparelho replicava, em dimensão maior, as dobras quânticas do CERN.  Do outro lado do universo Antares se contrapunha com outro graviton de proporções gigantescas. Localizava-se no planeta Xanadu. Ficava assim criado um “worm hole” diretamente ligado ao complexo Franco-Suiço. Era por este caminho que um certo número de pessoas escolhidas iriam fazer sua jornada para fora da Terra, através do Portal de Antares.

Na interligação entre os gravitons formava-se uma quantidade expressiva de anti-matéria. Instável, este líquido azul pulsante trazia em si a fôrça destruidora de milhões de bombas atômicas. Seria capaz de destruir o planeta, se fosse desestabilizada.

Era necessário que a escolha dos viajantes fosse terminada com urgência. Era importante que fosse mantida em segredo. Sabiam que as fôrças contrárias à lei e ordem estavam à procura do poder maior, o controle sobre a anti-matéria.

O CERN havia sido protegido por uma enorme parede virtual. Energizada, esta parede impedia a entrada de tudo. Raios fulminantes exterminavam quaisquer objetos e seres interessados em se aproximar do grande colisor. Lá fora, tudo havia sido destruído. O que restava da Europa eram somente edificações em ruínas. Os viciados em Fornicália vagavam como seres sem alma, famélicos e com tendências canibalescas. A Europa linda e civilizada não existia mais.

O que havia sobrado de controle e comando civilizado estava alí, no CERN. Em reunião com os seres de Antares o grupo foi escolhido. Era liderado por Pussy Flower, a destemida.

Pussy era linda, como todas as pussys. Inteligente, formada em física nuclear, havia estudado com o grande “scholar” de Harvard, o Professor Clone, conhecido como “troublemaker”. Pussy seria fundamental em salvar os poucos terráqueos escolhidos.

O Portão de Antares estava quase  pronto.


FORNICÁLIA


Che Esgotus, cubano, mau caráter e inescrupuloso, era um cientista brilhante. Na sua juventude teve como inspiração o líder Fidel. Tinha dois filhos, Puñeta e Luleta.

Em seu laboratório na antiga base de Guantánamo estudava cruzar o crack com suco de tubérculos do Barão de Samedi. Diziam os antigos que o grande chefe do voodoo havia plantado uns tubérculos de orquídeas negras do Afeganistão. Ao degustá-los teve uma sensação fora do corpo realmente transcendental.

Resolveu então a misturá-las com crack e testá-las nos seus queridos rebentos. Luleta e Puñeta sorveram ávidamente a poção do pai cientista. Morreram na hora, não antes de experimentarem mudanças na cor da pele que reluzia em matizes psicodélicos. Tiveram vinte e três orgasmos consecutivos e depois passaram para o outro mundo.

Che Esgotus havia descoberto Fornicália. Um retoque aquí, outro alí, e a coisa estava pronta para consumo. O vício era instantâneo. A vontade de tomá-la novamente, em 24 horas era absurda. Não fazê-lo significava morte certa. As pessoas se tornavam escravas para poderem ter certeza que a teriam novamente.

As criaturas viciadas reluzem em cores mil. O sorriso orgásmico, contínuo retrata a êxtase plena que toma conta do usuário. A sensação de fornicamento amplificado domina os sentidos. Para voltar a tê-los abandonam sua liberdade e personalidade. Se tranformam em mortos vivos.


OS ISLÂMICOS


Tudo comecou com uma invasão mal sucedida a um país do Oriente Médio. Um presidente maluco e despreparado, intrinsecamente ligado à indústria do petróleo e aconselhado por uma eminência parda de alma negra desestabilizou uma região.

À época o planeta caminhava célere para passar ao estágio II. O recrudescimento do terrorismo iniciou um processo de invasão da Europa por extremistas religiosos mais interessados em 72 virgens após a morte do que conviver em paz com seu semelhante.

Paulatinamente destruíram monumentos, cidades, arte e cultura. Seu grande líder o Califa El Phetid levantou 2 bilhões de almas árabes e com elas exterminou aqueles que julgava serem infiéis. Não teria conseguido tal proeza se os efeitos do aquecimento global não tivessem arruinado as economias ocidentais.

Protegidos pelos bolivários, financiados pelo tráfico de drogas e pelas riquezas oriundas da única área produtora de alimentos no mundo, o Estado Islâmico cresceu. A descoberta da Fornicália os fortaleceu. O pacto com Hermafroditus o fez invencível.

Já se podia ter 72 virgens somente tomando uma dose de Fornicália. Virtuais, é claro!


HERMAFRODITUS


Talvez o mais hediondo dos mau caráteres. Terrorista por treinamento chegou por vias tortas à ocupar a cadeira de presidenta de um país sul-americano de reputação duvidosa. Seu mentor era uma criatura de nove dedos. Nunca trabalhou, sugava seus seguidores consumindo a seiva de suas vidas. Era um succubus vivo. Ambos idolatravam o Estado Islâmico.

No afã de consolidar seus planos de poder destruía barragens de lama inundando cidades, matando flora e fauna, com auxílio de empresas criminosas. Ficou feliz quando o mundo começou à esquentar. Em homenagem à ela mesma fez uma operação transformadora. Usando a genialidade perversa de Che Esgotus, mudou de sexo. Queria ser homem e mulher ao mesmo tempo. Passou a procriar criaturas deformadas que lhe serviam de pagens, em sua corte.

Sabia tomar Fornicália, nunca exagerava. Nos seus orgasmos insanos vislumbrava um mundo de cores etéreas, figuras cósmicas e dragões alucinados. Via a anti-matéria em suas mãos. Controlaria o universo. Tinha que destruir os seres de Antares.


ENERGEX


Comodoro Psycus era inescrupuloso. Treinado em uma empresa petrolífera do Brasil havia aprendido a distribuir pixulecos e com isto conquistar servos para sua vil causa.

Queria dominar o mundo através do controle da energia. Comprou, tomou, roubou e se apoderou de todas as outras empresas do ramo. Matou quando preciso. Junto com sua amada Hermafroditus traçou um plano diabólico de subjugação da humanidade.

Financiou as pesquisas genéticas promovidas pela sua afiliada farmacêutica o mega laboratório VIREX, com sede na Coreia do Norte. Testava nos habitantes da África. Matou todos.

Quando Fornicália foi descoberta teceu uma teia de distribuição instantânea. O sucesso foi total. Em três meses o mundo estava dominado. Somente os controladores não eram afetados, o resto da humanidade era escrava.

Agora, o CERN era uma ameaça aos seus planos hegemônicos. O ataque tinha de ser feito. Deveriam se apoderar da anti-matéria à todo custo. Juntos, Hermafroditus e o Comodoro Psycus ordenaram o ataque final.


O  ATAQUE


Era uma manhã de inverno. Aos pés dos Alpes os seres de Antares iniciavam a contagem retroativa e sincronizada dos colisores com os gravitons. Os escolhidos estavam preparados, últimas preleções feitas, quando o alarme soou.

O grupo liderado por Calhordus Plenus e Frigília tentavam destruir o campo de fôrça que protegia o complexo. Usavam armas sofisticadas e se utilizavam de escravos de Fornicália para, em hordes assustadoras, tentarem furar o bloqueio virtual.

O morticínio era tremendo. Os corpos caídos começavam a servir de atenuantes ao campo gravitacional causando distúrbios e brechas, enfraquecendo a proteção ao colisor.

Pussy Flower aparece. Sua beleza estonteante leva os viciados em Fornicália a aumentarem seus orgasmos consecutivos. Calhordus perdia controle de seus exércitos. Frigília tenta uma manobra desesperada, despindo-se e tentando competir com a fulgurância de Pussy Flower. O desequilíbrio era total.

Entre explosões, raios e petardos Pussy isola o grupo dos escolhidos. O graviton se sintoniza com o outro maior. O colisor acelera e o Portal se forma.

Rapidamente Pussy Flower empurra os antarianos e os escolhidos através do “worm hole”. Sua fuga é instantânea. O tempo para, o vórtex aumenta, a abertura quântica se materializa. Todos escapam.

Calhordus desesperado empurra Frigília na direção do grupo. Há um breve hiato, a Porta se fecha, o distúrbio quântico intensifica e uma inesperada colisão de hádrons se faz, fora do tempo, mas dentro do vórtex.

Uma bola azul de anti-matéria se forma.

Ávido por poder e controle, Calhordus consegue por um breve instante aprisionar a fôrça luminescente. Enlouquecido pensa ter domínio sobre a mesma. Tenta manipulá-la. Queria ainda impedir a saida dos seres de Antares e a expedição terráquea. Prejudicou o equilíbrio espaço-temporal.

De repente, em sua frente, via por janelas do tempo, a história da humanidade se desenrrolar como um filme.

Viu o início, o paraíso. Viu as guerras, as desgraças. Viu a destruição da Terra pelo homem. Rios de lama, rios de óleo. Sangue, peste, sofrimento, desgraça.

Viu seus amados líderes, Hermafroditus, El Phetid, o ignominioso Che Esgotus. Viu Frigília interrompendo o desenrrolar quântico. Viu o futuro.

O mundo acabara. A anti-matéria explodiu e com ela tudo se foi.

Tomou um comprimido de Fornicália em seu momento final. Reluziu, coloriu e foi para o espaço. Mas ainda teve tempo de mergulhar nos braços das 72 virgens que lhe pertenciam.

Quanto aos outros, fugiram do planeta Terra.  Subrepticiamente um espião àrabe de nome Abdulphajut havia penetrado junto aos escolhidos. Com um volume do Alcorão debaixo do braço chegou a Xanadu. A mistura terrível indicava o possível fim da civilização de Antares. Teriam eles escolhido o povo certo?

Pussy Flower aparece e como uma diva cósmica fulmina Abdulphajut, desferindo-lhe um raio epsilônico.  Abdulphajut fora exterminado.

O universo estava salvo.

FIM








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