terça-feira, 12 de setembro de 2017

A GAIOLA DOURADA

Não sabia que era um pássaro. Ave rara, emplumada.
Vivia feliz pois se achava livre. Entre cores de suas penas e penas de suas cores pululava de galho em galho sempre a trinar.

Cantava, compunha, voava. E em vôos mil se sentia um dono do mundo.

Curioso, via nestes vôos uma gaiola dourada à brilhar, pendurada na varanda de um bangalô.

Atreveu-se dela se aproximar. E nela adentrou…
Não se sabe se nela ficou, se ela fechou, se dela gostou.
Mas, dentro dela se sentiu confortável. Comia, bebia, cantava, pulava. Só não voava…

A bela que o adorava gostava de suas plumas, de seu canto. Pela bela ficava nela, a gaiola, que brilhava aos raios do sol poente, dourada que era.

Mas um pássaro é livre, quer ser sempre livre. Sem seus vôos ficou triste. E pássaro triste não canta, então, não encanta.

A bela sentiu que não mais o tinha, abriu as portas da casa dourada. Deixou que procurasse aquilo que o fizesse feliz, deixou-o livre, a voar.

Mas o pássaro alegre, de muitas cores e canto sutil sentiu a ausência da bela musa que lhe dava o amor. Voltava de vez em quando e de quando em vez cantava, de fora da gaiola, na janela, nas tardes de outono.

A gaiola abandonada se enferrujou. Seu brilho de ouro apagou, suas portas cairam, suas grades partiram. Mas o pássaro cantante com suas penas brilhantes feliz saltitava, e, em trinados alegres dizia à musa que dela, longe... não ficaria.

Acabou-se a gaiola, ficou a janela, e nela, o pássaro livre a amar a musa que o amava, a bailar suas asas ao vento das montanhas, a cantar seus cânticos de um amor que só existe quando livre se é, quando livre se dá.

E a musa, dia após dia, feliz esperava a visita daquele que seu coração conquistara.

E o pássaro livre mais lindo cantou…

E o pássaro livre nunca mais a deixou…



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