THE GRIM REAPER
brincando com a morte
The grim reaper, a morte …
Dizem que
nascemos com uma certeza absoluta…um dia morreremos.
Ao nosso
lado estará a figura assustadora que ceifa a corda que nos une à alma. Não a
vemos, mas lá está, silente, imponente, assustadora. Nos visita na hora
marcada. Não tarda, não erra. Nada diz, mas é a personificação do além, a tal “afterlife”, se realmente existe.
Dizem que é
masculina em sua natureza, mas em outras mitologias, como a eslávica, é uma
figura feminina, chamada Mazanna.
Prefereria
morrer nas lâminas da segunda.
Um grande
amigo, em suas horas de filosofia fúnebre pediu: “Quando partir quero deixar um
estipêndio para ser gasto em um ventilador, uma mão de lata enferrujada,
articulada, presa à minha lápide. O ventilador será para prover o vento que a
movimentará para a esquerda e direita, como um adeus mecânico em um moto
perpétuo. Peço colocá-lo em frente à minha tumba com as inscrições…se houver
vida após a morte…Até Breve…se não…Adeus Para Sempre.”
Se ao
morrer, ceifado, desconectado desta vida, sentirmos o desligar, e, neste
momento o apagar das luzes, saberemos, nem que por um instante, que isto
aconteceu, então…estaremos vivos. Só que em outro lugar, dimensão, inferno ou
redenção.
Se nosso não
tão caro companheiro, o Grim Reaper,
simplesmente nos desconectar, então nada saberemos e nem mesmo o veremos. A
negritude do nada prevalescerá. O fim será realmente finito, caput, nyet, nada.
Que
pena…valerão os esforços passados? Valerá a vida exemplar, o sofrimento
sofrido, a tristeza mais triste? Ou deveríamos ter vivido a vida no egoísmo, na
embriaguês do poder, no vício, na traição e na luxúria?
A certeza de
que nosso companheiro dos últimos instantes alí estará serviria como a existência
de um passaporte para outra vida?
O barqueiro
do rio Styx pede pela moeda, o óbulo. Sem ela não nos levará ao outro lado, é
necessário portanto, o pagamento. Dizem, e não sei por que, que se parecem. O Grim Reaper e Caronte, filho de Nix, a
noite. Mas Caronte o levará ao lado de Hades, senhor das trevas. Sem o
pagamento irás vagar por cem anos nesta margem.
E os anjos?
Almas luminosas existiriam para não seres presos pelas garras de Hades? Para
estas almas merecedoras de um outro fim mais nobre, caberia uma recompensa?
Corro os
olhos para a humanidade. Vejo a ganância, o ódio, a corrupção, o desvairio, a
tragédia, o desalento. Destruição de tudo, até de nossa mãe Gaia, que nos
acalenta.
Me lembra a
mitologia que a mãe terra, Gaia, era vingativa com quem a traía. Até Zeus,
filho de Reia e Cronos sentiu sua ira. O que a impede hoje, de fazer o mesmo
com o homem, filho mortal e insensato?
No ocaso da
idade sinto o Grim Reaper mais perto.
O hálito da morte perdeu suas nefastas emanações oloríficas. Chego até pensar
que há um perfume misterioso no viajar à “afterlife”.
Não o temo. Digo que, se me aturou por tanto tempo, não deve ser tão mau assim.
Já reservei
meu óbulo. Não sei se comprarei o ventilador e a mãozinha enferrujada do meu
amigo, muito menos a lápide, pois não acredito em ocupar o espaço dos vivos nos
braços de Gaia. Serei cremado e a ela retornarei, agradecido.
Mas, caso tenha de atravessar o rio Styx, terei comigo o preço da passagem.
Mas, caso tenha de atravessar o rio Styx, terei comigo o preço da passagem.

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