quarta-feira, 20 de setembro de 2017


THE GRIM REAPER
brincando com a morte
The grim reaper, a morte …

Dizem que nascemos com uma certeza absoluta…um dia morreremos.

Ao nosso lado estará a figura assustadora que ceifa a corda que nos une à alma. Não a vemos, mas lá está, silente, imponente, assustadora. Nos visita na hora marcada. Não tarda, não erra. Nada diz, mas é a personificação do além, a tal “afterlife”, se realmente existe.

Dizem que é masculina em sua natureza, mas em outras mitologias, como a eslávica, é uma figura feminina, chamada Mazanna.

Prefereria morrer nas lâminas da segunda.

Um grande amigo, em suas horas de filosofia fúnebre pediu: “Quando partir quero deixar um estipêndio para ser gasto em um ventilador, uma mão de lata enferrujada, articulada, presa à minha lápide. O ventilador será para prover o vento que a movimentará para a esquerda e direita, como um adeus mecânico em um moto perpétuo. Peço colocá-lo em frente à minha tumba com as inscrições…se houver vida após a morte…Até Breve…se não…Adeus Para Sempre.”

Se ao morrer, ceifado, desconectado desta vida, sentirmos o desligar, e, neste momento o apagar das luzes, saberemos, nem que por um instante, que isto aconteceu, então…estaremos vivos. Só que em outro lugar, dimensão, inferno ou redenção.

Se nosso não tão caro companheiro, o Grim Reaper, simplesmente nos desconectar, então nada saberemos e nem mesmo o veremos. A negritude do nada prevalescerá. O fim será realmente finito, caput, nyet, nada.

Que pena…valerão os esforços passados? Valerá a vida exemplar, o sofrimento sofrido, a tristeza mais triste? Ou deveríamos ter vivido a vida no egoísmo, na embriaguês do poder, no vício, na traição e na luxúria?

A certeza de que nosso companheiro dos últimos instantes alí estará serviria como a existência de um passaporte para outra vida?

O barqueiro do rio Styx pede pela moeda, o óbulo. Sem ela não nos levará ao outro lado, é necessário portanto, o pagamento. Dizem, e não sei por que, que se parecem. O Grim Reaper e Caronte, filho de Nix, a noite. Mas Caronte o levará ao lado de Hades, senhor das trevas. Sem o pagamento irás vagar por cem anos nesta margem.

E os anjos? Almas luminosas existiriam para não seres presos pelas garras de Hades? Para estas almas merecedoras de um outro fim mais nobre, caberia uma recompensa?

Corro os olhos para a humanidade. Vejo a ganância, o ódio, a corrupção, o desvairio, a tragédia, o desalento. Destruição de tudo, até de nossa mãe Gaia, que nos acalenta.

Me lembra a mitologia que a mãe terra, Gaia, era vingativa com quem a traía. Até Zeus, filho de Reia e Cronos sentiu sua ira. O que a impede hoje, de fazer o mesmo com o homem, filho mortal e insensato?

No ocaso da idade sinto o Grim Reaper mais perto. O hálito da morte perdeu suas nefastas emanações oloríficas. Chego até pensar que há um perfume misterioso no viajar à “afterlife”. Não o temo. Digo que, se me aturou por tanto tempo, não deve ser tão mau assim.

Já reservei meu óbulo. Não sei se comprarei o ventilador e a mãozinha enferrujada do meu amigo, muito menos a lápide, pois não acredito em ocupar o espaço dos vivos nos braços de Gaia. Serei cremado e a ela retornarei, agradecido.

Mas, caso tenha de atravessar o rio Styx, terei comigo o preço da passagem.

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