sábado, 6 de julho de 2019




UMA PORTA QUE SE ABRE (capítulos finais)

CAPITULO III


( o tecido inimaginável )


No mundo que teci, tudo estava em harmonia. Fui arquiteto do pensamento que criava. Formas familiares, replicadas em sintonia com uma natureza digna de um Monet. Cores, sons, tudo era possível. Assim fiz meu novo mundo. Nele habitavam todas as criaturinhas que gostei, não somente as últimas mas todas aquelas que haviam existido em minhas vidas.

Escolhi o tempo e a forma que me era mais agradável. Abri as portas para todas as outras entidades que sentia conhecer. Era maravilhoso recebê-las.

Nos encontros notava que me transmudava para as criações de cada uma delas. Numa constante harmonia  movia-me entre espaços virtuais, magníficos, sedutores e possuidores de uma calma perene.

Vivia em tempos passados, mudava o que via conforme queria. Comunicava-me em pensamentos. Nenhum deles  tinha realmente forma mas podia vê-los com a aparência que me era mais familiar e deixá-los ver-me com aquela que emitia.

O mundo material tem um componente sedutor  insubstituível.  Era ele que lhe dava a energia que, armazenada, permitia as transformações que experimentava. A força que tinha sempre se reduzia, se drenava quando  perto dos vales escuros, quando pensava naqueles que lá habitavam. E muitos deles haviam sido amigos que já haviam partido.

Através dos tempos ví Roma, ví o Egito antigo, a China, um Brasil selvagem, paisagens que já se foram, amigos que havia tido. Só os reconhecia quando me deixavam vê-los.  Sensações são difíceis de serem controladas. Em todas as relações passadas haviam existido momentos bons e maus. O afloramento dessas circunstâncias se dava, à medida que as entidades se apresentavam em uma forma conhecida por mim.


Aprendi que o futuro ainda não estava ao meu alcance. Não tinha ainda condições para passar para a dimensão seguinte.

Mas aquele presente multidimensional era fascinante. E belo. Um belo que de certa maneira era criado por mim mesmo e por aqueles de quem gostei ou não. Senti falta da matéria. Ela me recarregava, dava-me forças. Ali, já  sentia-me exaurido.  Criando e percorrendo tantas proposições quânticas havia perdido a energia que havia acumulado. Quais seriam as alternativas ?


CAPITULO IV

(a sedução do retorno)

O universo é mais belo e complexo do que pensamos. Não é mensurável mas contém tudo. Este tudo, em constante evolução, abre-se em outros universos. Há luz, mas também há escuridão. Nela habitam os que tem a essência desprovida de luz.








Poder-se-ia dizer que essas trevas seriam talvez o inferno. Pode-se pensar que tal escuridão é também horrível, mas esta não se apresenta como tal. Minha entidade-guia  evitava que  me aproximasse. Um magnetismo gigantesco dela  emanava. Assustava, mas era doce. Apavorava, mas era arrebatante.


Podia-se ouvir vozes, cantos reconhecíveis como algo já ouvido e sentido antes. Corpos etéreos semelhantes a amigos e entes perdidos, chamando, pedindo ajuda, carinho, reconhecimento.

Era um lugar triste. Não tinha saída, mas tinha uma mensagem cativante, prometia a volta de tudo, com tudo. Poder, fama, luxúria, ao alcance dos mais influenciáveis.

Na dimensão em que estava a energia utilizada não era inesgotável. Talvez em dimensões superiores isto não seja um fator de desequilíbrio. Mas entre a quarta e quinta dimensões gastamos muito da energia que havíamos acumulado. É necessária a volta ao mundo de três, onde tudo se transforma para que possamos reabastecer nosso eu etéreo.


Àqueles presos no espaço negro a volta é fácil e rápida. Aos que estão próximos à luz, a volta é lenta e requer uma preparação junto aos entes protetores. Vêm em forma de uma proposta de aperfeiçoamento. A volta traz mais luz e energia e consequentemente força para partirmos rumo à universos outros.

Aos que sofrem no nada tudo lhes é oferecido. Muito fácil de aceitar, muito difícil de conseguir algum aperfeiçoamento. Muito pobre de evolução. Mas é deveras sedutor.

Queria ver o futuro. Não me foi dada a opção. Poderia voltar e talvez, atingido um nível mais alto de perfeição, evoluir rumo a outra dimensão. O retorno era a única forma de chegar e participar do futuro.

Voltei.



CAPITULO V

( a porta se fechou )

A volta requer preparação. A necessidade de se criar novas alternativas em um mundo tridimensional preveem dobras quânticas que podem se abrir em paralelas situações.

Existe um guia, um conjunto de decisões prévias que estabelecem um destino. Serve somente de parâmetro básico. O livre arbítrio influencia no desdobramento da missão acordada. Mas existe um tempo, um cronograma  a ser executado.

Sabia de tudo o que era, quais variáveis, quais mutações. Só não sabia em qual delas estaria. Estas dependem de como você se conduz. O espírito que orienta é também o que o segue como mentor. É sua alma gêmea, equilibrada, isenta de erros, mais sábia. Aquilo que os católicos chamam de anjo da guarda.

Este lhe dá o empurrão final.

A luz se apaga, por momentos você se sente real de novo, mas  esse apagar tira-lhe a consciência anterior e elimina tudo que você sabia. Isto, ainda está em seu banco de conhecimentos, em forma quântica,  mas somente revelar-se-á na transposição para a quarta ou outras dimensões superiores.

 Voltei, estou novamente na terceira dimensão, não sei mais nada. A porta se fechou...

Nasci.




sexta-feira, 5 de julho de 2019


UMA PORTA QUE SE ABRE (cont.)


CAPITULO  II

(se vivo estou por que não me reconheço?)


Quando era, tinha três dimensões. No mundo tridimensional em que vivia o tempo era relativo. Imaginava um dia poder visitar o passado, quiçá o futuro.
O tempo é linear, passa, não volta. Para dominá-lo teríamos de estar na quarta dimensão ou outras subsequentes. O ser de quatro dimensões controla os de três, o de cinco pode controlar o de quatro.

A morte não deixa rastros. A massa corporal inerte perdeu a vida. Algo se depreendeu, foi-se sem deixar vestígios. Não há registro confiável de transferência energética. Não há perda de peso, de massa. No plano de três dimensões tudo se transforma mas, quando somos pinçados à uma outra dimensão superior à nossa, não deixamos pistas, a transformação não ocorre ali, aparece no mundo da quarta.

Quando estamos nela podemos andar por janelas temporais, ver o que passou, em quantas dobras quisermos. Mas o fazemos retroativamente .  Se quisermos controlar o futuro, precisaremos ter cinco dimensões. As disposições se transformarão em alternativas infinitas, em dobras quânticas. Poderemos ser mais do que somos, em diversas versões.

Gostava de ponderar sobre possibilidades. Agora, estava no âmago delas. Entendi que poderia ver quem fui mas ainda não sabia mover-me através das alternativas.

Quem sou, realmente? Quem fui?

Teci  um mundo de partes virtuais. Arquitetei paredes, castelos. Construí
jardins, plantei tudo porque tudo dava, já nascia crescido.Como mágica tudo passou a existir. Pensei em ligar-me a outras formas que via ao longe.


Embora sentisse que haviam outros, estes ainda não estavam comigo. Não conseguia distingui-los, só sabia que os conhecia. Teria de estender a mão? Chamá-los para perto? Será que viriam? Como?

Não era um mundo como havia conhecido. Entre espectros, vultos e formas indistinguíveis via o tempo passar por janelas que controlava. Mas só podia ir para trás, para o que já foi, o que já acabou.

Vi civilizações que deixaram de existir. Vi momentos que marcaram a história, vi-me neles em formas diferentes. Era um ser de quatro dimensões  não físicas, e sim etéreas. Senti falta da substância que havia tido.

Pouco a pouco consegui criar um sentido lógico para o que acontecia. Eu existia, não como já havia sido, mas como uma presença que era uma compilação de diversos eus.

Meu livre arbítrio estava lá. Entretanto, esta força era também o juiz de meus atos. Ao ver tudo que fui, julguei-me e aceitei as penas que me impus.

Para voltar a ter a substância que havia tido, teria de voltar. Como?

Pouco a pouco consegui relacionar-me com as entidades que ali estavam. Uma delas, que transmitia uma paz incomensurável, se aproximou. Apontava para as janelas do tempo, deslizava comigo em espaços indescritíveis. O mundo que havia criado para mim mesmo estava lá. Outros mundos de outros seres também. Mundos que não eram físicos mas pareciam-me reais.

Em meio a beleza, abismos mostravam uma realidade triste. Como uma força incontrolável sugavam tudo e todos que vacilavam. Habitavam o mesmo espaço-tempo mas pertenciam à universos involuídos. Buracos negros, matéria sem luz, cheia de sofrimento. Sofrimento de seres que não deixaram nada. Do nada viveram embora achassem que tudo tinham. Viviam no escuro do universo.


A força era poderosa e sedutora. O lado mal de todos nós falava com voz suave e adocicada. O melífluo gosto do poder permeava os grotões. Belas pinturas de cenas carnais se tornavam realidade. Prometiam a volta como recompensa. O nada poderia ser tudo, novamente.

Criaturas lindas, etéreas e sedutoras se aproximavam. Prometiam uma volta ao mundo com luxúria, poder e riquezas intermináveis. Era uma volta fácil. Bastava ser instrumento da vontade das criaturas que habitavam o vazio. O mal não se apresenta de maneira assustadora, é lindo e cativante. Aproxima-se como um súcubos e devora a essência luminosa. Alimentam-se do sofrimento oferecendo o prazer.

O canto de sereias foi cortado. Antes que o abismo me sugasse fui retirado do transe que me apossava. Começava a entender onde estava. A morte nos separa da dimensão em que vivemos. Ao abrirmos o portal mudamos para universos paralelos. Nas dimensões adquiridas passamos à viajar pelo espaço-tempo. Não somos vidas, somos energia. Criamos nossos próprios mundos. Não necessariamente para tê-los, mas para neles nos sentirmos familiares.

O tempo passa ao largo. Visitamos o passado, mas só podemos saber do futuro ao adquirirmos uma outra dimensão. O passado traz as lições dos acertos e dos erros. O julgamento é seu, se existe uma falha, a correção é por você mesmo aplicada.

Nada interfere com o destino. O atraso é fruto da perda da luz que cada um traz consigo. Aqueles que chafurdavam na massa negra haviam perdido essa luz. Não era difícil de lá sair, mas o preço era alto.

Neste mundo etéreo outras formas se comunicavam. Transmitiam uma frequência harmônica que nos fazia acreditar que eram entes queridos do passado, mas não eram os mesmos. Todos eram compilações deles. Como os eus que sentí, também eles tinham os seus próprios. Mas eram familiares, já haviam estado com meus eus em outras ocasiões. Até outras formas menos complexas gravitavam ao meu redor. Seriam as criaturinhas que amei? Seu calor estava lá, a forma porém não estava. 


Next: O Tecido Inimaginável

quinta-feira, 4 de julho de 2019


UMA PORTA QUE SE ABRE


(Experiências em outra dimensão)

CAPÍTULO  I
( o desenlace )


Morri.

Antes foi difícil. Via a aproximação do fim, mas seria isto o fim? Os anos se passavam longos. Não era um fim abrupto, era esperado. Afinal a morte é certa, mas se existe, e não há nada depois, então não se sabe nem se a morte realmente aconteceu.

 O nada é horrível. Deve ser por isto que o universo se criou. Para deixar de ser nada, monótono, nem sequer repetitivo. O nada é abjeto, não há do que gostar, o que sentir, ver, tocar.
O nada leva à nada e sem nada, nada é.

Por isso pensei, naqueles últimos instantes, se eu sei que morri, então não estou morto. Continuo pensando e, se penso, existo. Esperei pelo último suspiro. A ansiedade era grande. Quando se morre de verdade? Quando o coração para? Quando os pensamentos desvanecem? E se não somem? Sou ainda um eu?

Sei que meu corpo já se foi. Dele usei e abusei. Me deu alegrias, prazeres incontáveis. Sei que, se não morri a ele não tenho mais, mas se vivo estou, onde estou? Nem corpo tenho. O que sou?

Morri.


Mas estou vivo. Sei que estou vivo. Sinto tudo, talvez mais. Vejo tudo, todos, vejo janelas do passado, não entendo nada. Acho que para o nada voltei.

Luzes, túneis, entes queridos, nada disto apareceu. Vejo um nada real próximo, mas ele é horrível, tenebroso. Cobra de você por tudo que errou.  Quer devorá-lo. Não gosto deste nada. Parece um rio de águas negras. Corpos flutuantes. Seriam corpos ou simplesmente formas? Chamas sem brilho, porém causticantes envolvem todos e tudo. O nada é tudo. Um tudo que devora, sofre, arrebata, massacra. Quer você.

Eu não gosto do nada. Sempre gostei de tudo. Recuso-me ao nada servir. Volto e vejo o tempo parado. Terei eu quatro dimensões? O tempo é tão fácil de se manejar. Volto atrás e me vejo criança, me enxergo mas não me toco. Me vejo em momentos que queria ver de novo, me vejo em momentos que quis esquecer.

Quem é realmente este eu? Voltei no tempo que agora é meu e me vejo outro, também vejo-me ainda em outros, através do tempo passado, em janelas que controlo. Não estou gostando, não acho que os outros eus, que sou, me agradam.

Se não morri, quem sou? Não era aquele que daqui saiu. Sou muitos outros. Só sei que não quero ser nada. Sempre fiz do nada alguma coisa, só para não ser nada. Preciso saber se morri de fato ou não. Como ainda estou pensando?

Olho o tempo, parece uma porta. Quando quero vejo até o que não quero. Mas, que bom, vejo também os que já se foram antes de mim. Parecem que comigo querem falar. Mas não se fala aqui. Sou um estranho em um lugar no qual já estive e onde me encontro, novamente.

Disseram-me que existe vida após a morte. Sempre acreditei, mais por boa vontade ou vontade de acreditar. Tinha céus, deuses, infernos e explicações tão idílicas que nunca neles pude crer. Mas isto é diferente. Não tem nada do que me contaram, nem gente vestida de branco, enfermeiros, hospitais, harpas a tocar, sinos, liras e música divina. Era eu mesmo, não parecia comigo, mas era eu. Ali estava eu, vendo o passado dizer-me o que realmente era. O rio escuro, de corpos, partes e seres estranhos continuava ao largo.

Onde realmente estava? Controlava o tempo ao bel prazer. Via o que queria e não queria. Dei forma a mim mesmo. Supus ter poderes. Arquitetei um mundo que me agradava, senti que alguém, algo, qualquer coisa me ajudava. Era aquilo o meu céu, “my heaven”? Era um paraíso só meu, onde só quem eu amava poderia chegar?

Notei que a felicidade não é plena sem a matéria. Não se sente o toque, o carinho, a carícia. Não se sente o calor. Nem naquele rio de chamas escuras havia calor, nele só havia o desespero, a infâmia.

Como ter matéria de novo? Não tinha o menor domínio de onde estava. (Era minha criação, mas não a dominava). Uma ordem superior, que não sei se realmente existia, me circundava, fazendo-me acreditar que existisse. Não tinha capacidade ou qualidade para dali sair, não para outra dimensão mais evoluída, somente para a mesma em que havia estado, anteriormente.

Havia felicidade no ar. Havia a memória viva dos que haviam partido. Podia vê-los pelas janelas. Podia senti-los. Podia comunicar-me sem palavras. Sentia-me bem vindo, querido.
Ao mais sentir, senti também que falhei. E chorei. Não tinha lágrimas, mas o choro doía mais. Arrependi-me lá muito mais do que aqui. Dói mais, é mais real. Senti-me insignificante. Somente um amor inexplicável permeava por estas janelas. Amor dos que amei e dos que me amaram. Chorei, de novo, sem lágrimas.


Acho que morri. Mas a morte não era finita como diziam. Não era o último ato. Era somente uma porta que se abria e outro mundo que começava. Mas não era vida. Esta ficou para trás, num corpo inerte, morto de verdade. À este só o pó restaria.

Quero voltar. Quero achar aqueles que amei de novo. Quero vê-los e amá-los mais ainda. Quero não errar. Sei que se o fizer serei tragado por águas negras, águas que devorarão o meu ser, águas que derreterão as passagens que para mim se abririam.

Sim, agora sei que morri...estou vivo.




quarta-feira, 3 de julho de 2019

YETERDAY
Look for the green thing up in the middle
above the sun
SOLAR ECLIPSE IN BELO
The sun was bright...the picture shows
a strange green thing
Around 4:22 PM
Strangely bright for an eclipse
The green UFO

domingo, 23 de junho de 2019


PELADINHA

Nem peluda era. Daquele tipo leve, poucos pelos, muitas formas.
Que deleite.
Os olhos recebiam o colírio do amor.  Marejados… de felicidade.
Mas mulheres são assim.  Se tem, há que tirar…
Então fica pelada, peladinha.
Ah…caros homens, quem há de reclamar?
Dizem que a moda dita.  E a dita moda fala …pelada!
Amanhã…peluda!
Se peluda ou pelada, pra mim não vale nada,
O que vale é o vale onde o pêlo estava.
Hoje pelado, outrora peludo…
Eu perdido…
Me despeço, sem fala.

sábado, 22 de junho de 2019


PALAVRAS



Sussurro…namora
Frisson…sufoca
Amante…perfume
Delícia
Nunca deixa, envolve…
Suave sede
Molha a mulher macia…
Intenso arrepio
Sente, finge, lambe…
Sensação
Que me declara às claras
Oh linda morena
Sonho de amor

JOHNNY

quinta-feira, 20 de junho de 2019


CONTOS DE OURO PRETO I

Toledo

Nas montanhas de Minas existe um brinco de cidade. No sobe e desce morro esconde algo lindo que o tempo ainda não destruiu.

Casarios coloniais justapostos, igrejas barrocas quebrando o ritmo das portas e janelas, cores deliciosas contrastando com o anil do céu e a silhueta do Itacolomi.

Nos seus 300 e poucos anos esconde não somente o ouro que ainda lá está mas junto á ele, os fantasmas daqueles que materialmente daqui partiram deixando seus espíritos à vagar, atrelados ainda à cobiça, ao brilho do metal, às intrigas e traições que ali frutificaram.

Em cada bar, na sacristia das igrejas, em contos nas noites frias de junho seus espectros ainda vivem assanhos à encostar no curioso turista, à pedir por algo que não escuta, à sugerir subliminarmente onde seus tesouros se escondem, onde o amor perdido se foi, onde o amigo se matou.

Nos ardis, nas elucubrações soturnas, nas histórias contadas e escritas, nas sepulturas, no fundo de suas minas abandonadas acha-se o vestígio da verdade, as intrigas não resolvidas, a curiosidade satisfeita e aquela que move almas à procura de uma resposta ou recompensa.

No caminho de Mariana encontrei, quando ainda estudante de arquitetura, uma figura simpática de um ex-sapateiro, esperto, de olhar brilhante e sorriso alegre. Dizem as línguas ouro pretanas, e são muitas, que teve a fortuna a lhe sorrir. Seu nome era Toledo.

Trabalhador que era deu-se ao gosto das belezas antigas que existiam em cada casa, em cada canto desta misteriosa cidade. 

Passou, quando podia, a colecionar umas e outras peças que podia comprar com as economias de seu trabalho.

Casado que era com uma mulher de dotes culinários exemplares, oferecia aos amigos e clientes de sua lojinha de antiguidades um delicioso cafezinho, uma linguicinha frita de sabor ímpar e, não menos importante, as cachacinhas que trazia das fazendas que visitava quando de suas incursões à procura de imagens barrocas de capelas rurais, fazendas e coleções de família. O pequeno elétrico e espoletado filho único o acompanhava e ele o ensinava à apreciar a arte de comprar e vender com uma paixão tão efusiva que incendiava os olhos do comprador como sua mais bela aquisição.

Curioso que era perguntava sempre por objetos que podiam ser vendidos. Numa destas aventuras comprou uma casa semi abandonada e cheia de fantasmas. A casa era real, os fantasmas talvez nem tanto, mas o ouro que nas paredes achou era da mais fina qualidade. Isso é o que todos dizem. Ele, entretanto nunca o confirmou, mas eu que o conheci por muitos anos acho que um pingo de verdade ali estava. Talvez os fantasmas existissem e lhe sussurraram para quebrar a parede e encontrar o botim. Talvez fosse sorte. O fato é que outras casas comprou e a tal sorte lhe sorriu de novo.

Seu negócio expandiu. Dele comprei muitas peças barrocas. Uma Nossa Senhora do Rosário, de artista português, mais linda do que qualquer imagem do famoso Museu do Oratório. 
Dele ouvi histórias, regadas à mais fina birita e sempre acompanhadas de linguiças inesquecíveis.

Um pouco antes de partir deste mundo por saudades da amada que já havia ido, comprou uma casa cuja lenda dizia…” Ali foi enterrada a cabeça de Tiradentes. Com ela um tesouro em prata e ouro”. Ligou-me nos States e pediu-me que comprasse para ele um detector de metais. Dizia que acharia o tesouro mas tinha medo do feito. Isso porque todos os que ali moraram e tentaram, morreram de morte horrível. Um fantasma de um guardião ali estava e trazia fim terrível àqueles que se aventurassem a descobrir o mistério. O detector o salvaria das garras de tal guardião.

Acho que desistiu. Seu espoletado filho que a casa herdou não se arrisca. Mas arriscou a comprar outra mansão, mais histórica, mais velha ainda e, é claro, cheia de fantasmas. Nela coloca suas economias para restaurar e dela fazer um centro de eventos. Já vi a obra, algo para levantar sobrancelhas. Cheia de minas de ouro, algumas ainda com o vil metal, fantasmas de feitores e escravos num morro chamado de Queimada, onde em passado distante milhares de negros morreram torrados pelo fogo.

Mas esta é uma história para o conto de numero dois.

Os fantasmas do morro da queimada!

Até, então.

terça-feira, 18 de junho de 2019


FALÁCIAS E MENTIRAS

Mentir, mentir, mentir…
De tanto falar, verdade ficou!
Dizem os mestres da mentira…
Em terra dominada e aparelhada por bandidos e crápulas a mentira é usada para convencer os vazios intelectuais daqueles que idolatram cretinos que se dizem defensores de pobres e oprimidos.
Sim, infelizmente uma verdade na mentira que pregam, oh embevecidas criaturas, com seus lavados cérebros, que acreditam em tudo que vem da boca destes famigerados seres.
Transformam o fato, retorcem a história, inventam, chafurdam, insultam, atacam.
Bando de lobos famintos interessados somente no vil metal que roubam sem piedade.
Segundo esses ratos…os fins justificam os meios.
Um notório ladrão, hoje encarcerado, mas de natureza vocífera, brada:
Não foi facada…não saiu nem sangue!
Os babacas de plantão repetem…Não foi…não foi…
Dá-lhe mortadela…
Soltem o apedeuta! Injustamente condenado. Roubou só um pouquinho…bilhões e bilhões…
Mais mortadela…
Prendam o juiz honesto…botou o Ali Babá na cadeia…Que horror, tadinho do bichinho barbudo, só vomita besteira!
A anta, que presidenta já foi, está na Rússia…fazendo o quê?? Reciclagem em Lenine? Abluções à Stalin??
Quem paga??
Enquanto isso aqui estamos, com jornais safados trabalhando a notícia em mentira, o fato em falácia.
Com tantos ignaros nesta terra não me surpreende que haja ouvidos e olhos para tal enxurrada de asnices.
Sorry, I couldn’t resist!

domingo, 16 de junho de 2019


CLEPTONISMO



Cleptonismo, neologismo petista.

Um transtorno de controle de impulsos que resulta em um impulso irresistível de roubar (cleptomanismo) somado à deletéria doutrina comunista. Prefixo clepto + sufixo nismo (de comunismo).
Nova forma de fazer política à todo o custo desde que resulte em sacos de dinheiro para os cretinos que se dizem representantes do povo.
No Pindorama esta prática é bastante comum. Gera debates intermináveis nos quais os vermelhinhos se despontam como defensores de um povo (massa de manobra) contra fantasmagóricas elites que assombram o planeta. Têm um líder…claro…um ladrão. Mas é um ladrão ídolo. Meio parecido com o tal de Ali Babá, um habibe idolatrado nos contos das mil e uma noites. A ele se misturam Robin Hoods, os tais que roubam mas fazem e os que se dizem ilibados e vítimas de aleivosias quando pegos com dólares em cuecas e calcinhas.

Diziam que comunismo não pegaria no Brasil. Mas, já pegou.

Diziam que o povo é honesto. Mas, não é, pois defende ladrões.

Na mistura insana da roubalheira e da ideologia dèmodè sai o CLEPTONISMO. Verdadeira mercadoria fabricada ao sul do equador. Material de exportação. Estamos à frente da Nigéria, dos regimes comunas que ainda existem, agora bancados por narcotraficantes e criaturas do gênero.
Querem livrar o super ladrão da cadeia nem que para tal soltem outros do tipo Cabral, Cunha e espúrios do gênero.
Saiem às ruas vestidos de vermelho. Entoam cânticos de ordem, comem pães com mortadela, ateiam fogo em pneus.
Aparelham as cortes de justiça com togados safados e regados em espécies verdes.
Nada como uma “gruja”, um caraminguá…

Viva a Cleptocracia…

O Cleptonismo nasceu!!!


sábado, 8 de junho de 2019


ELOCUBRAÇÕES


O presente, passado e futuro são concomitantes. Em um círculo se interagem no imenso vazio do tempo.
Se assim são ou o fazem estamos sempre vivendo com as alternativas que se apresentam, inclusive aquelas de forma quântica.
No emaranhado das opções e oportunidades, vivemos todas, somos gatos de Shorödinger escolhidos quando a caixa de surpresas da vida é aberta.
Caminhos bifurcados, amores achados e perdidos, coisas que fizemos e não queríamos fazer, enfim, todas as opções realizadas. Somente não sabemos vivê-las simultaneamente, embora o façamos sem interagir.
Num universo de mundos paralelos e infinitas resoluções continuamos a nos achar ser nele o centro.
Oh… pobres criaturas. Não tens o mínimo de compreensão para veres que não passamos de um atmo na existência de tudo.

segunda-feira, 3 de junho de 2019


AMANTE DESAMADO

 Quando a viu pela primeira vez uma onda de amor dele se apossou.
Sonhou, chorou, implorou. Queria que fosse sua, queria ser somente dela.
Aqueles lindos olhos cristalinos, curvas suaves faziam nela ver somente virtudes, unicamente a beleza de um cego amor que não mais se esvaneceria.
Trocaram palavras, nem sequer se tocaram.
Para ele bastava a presença.
Mas a bela amada não o amava. Talvez achasse interessante aquele desvario, talvez quisesse ser idolatrada. Mas a linda moça, rebelde, esvoaçante partiu para outro e com ele se casou.
No farfalhar de pensamentos desconexos viu onde havia errado.  Médico que era, no afã de proteger a amada  pediu-lhe que não fumasse. O interesse que ela tinha por ele esvaneceu-se como a fumaça de seu cigarrete. Nunca mais a viu…
Mas nunca é somente uma expressão, pois nunca e sempre não existem e quiçá em sonhos se assanham.
Casou também, trocou de amores como se trocava de camisas, sempre a procura daquela em outras. Mas não achava, por isso trocava.
Um belo dia o sol lhe iluminou com raios diferentes. Reflexos de olhos de cristal aos dele se cruzaram. A diva havia ressurgido e um raio fulminante nele tocou bem no fundo de seu coração, acendendo a chama do amor perdido.
Louco ficou.
Insano de delícias amorosas, pensamentos em espirais divinas se desenhavam em um amor mais ardente, uma paixão mais tórrida, uma luxúria escaldante.
Ela, à estas alturas descasada, vivia com um certo desdém para seres do sexo oposto. A vida lhe havia tirado os prazeres das carícias o desejo de corpos nus, a embriagues do amor por corriqueiras histórias entre os amigos que tinha, os filhos que tivera e o netos que se avizinhavam.
Ele, voltou aos sonhos, e cego continuou…
Aceitou seus avanços. Estes entretanto, somente com distância regulamentar. Nada de beijos, abraços, mãozinhas e afagos. Podia a ela adorar, somente venerá-la, somente idolatrá-la. Era o preço do reencontro, a penalidade das fumaças proibidas.
À essas fumaças sucumbiu. Não faria mais nada para contrariá-la. Somente queria embevecidamente ser seu escravo.
Mas a bela diva, peça de um conto shakespeariano, somente o aceitava. Não o amava. Ou se o fizesse, era sem os adereços e enrolar de mãos e beijos.
Se fosse platônico penso que ele talvez aceitaria. Se fosse distante certamente, pois à distância já havia ficado e à distância continuava amá-la.
Mas amor unilateral soa como masoquismo inconteste.
No sofrer masoquista se entregou ao sadismo oposto e nele sucumbiu…
O proposto amante desamado ficou.
Hoje procura por moça em seus vintes, assanha e sedenta de prazeres. Pensa ele ser capaz de nesta aventura ter sucesso. Mas os amigos, sábios que são, já lhe avisaram…
Outros que esta trilha de aventuras seguiram morreram.
E, o fizeram na noite de núpcias.