AMANTE
DESAMADO
Sonhou,
chorou, implorou. Queria que fosse sua, queria ser somente dela.
Aqueles
lindos olhos cristalinos, curvas suaves faziam nela ver somente virtudes, unicamente
a beleza de um cego amor que não mais se esvaneceria.
Trocaram
palavras, nem sequer se tocaram.
Para
ele bastava a presença.
Mas a
bela amada não o amava. Talvez achasse interessante aquele desvario, talvez
quisesse ser idolatrada. Mas a linda moça, rebelde, esvoaçante partiu para
outro e com ele se casou.
No
farfalhar de pensamentos desconexos viu onde havia errado. Médico que era, no afã de proteger a
amada pediu-lhe que não fumasse. O interesse
que ela tinha por ele esvaneceu-se como a fumaça de seu cigarrete. Nunca mais a
viu…
Mas
nunca é somente uma expressão, pois nunca e sempre não existem e quiçá em
sonhos se assanham.
Casou
também, trocou de amores como se trocava de camisas, sempre a procura daquela
em outras. Mas não achava, por isso trocava.
Um belo
dia o sol lhe iluminou com raios diferentes. Reflexos de olhos de cristal aos
dele se cruzaram. A diva havia ressurgido e um raio fulminante nele tocou bem no
fundo de seu coração, acendendo a chama do amor perdido.
Louco
ficou.
Insano
de delícias amorosas, pensamentos em espirais divinas se desenhavam em um amor
mais ardente, uma paixão mais tórrida, uma luxúria escaldante.
Ela, à
estas alturas descasada, vivia com um certo desdém para seres do sexo oposto. A
vida lhe havia tirado os prazeres das carícias o desejo de corpos nus, a embriagues
do amor por corriqueiras histórias entre os amigos que tinha, os filhos que
tivera e o netos que se avizinhavam.
Ele,
voltou aos sonhos, e cego continuou…
Aceitou
seus avanços. Estes entretanto, somente com distância regulamentar. Nada de
beijos, abraços, mãozinhas e afagos. Podia a ela adorar, somente venerá-la,
somente idolatrá-la. Era o preço do reencontro, a penalidade das fumaças
proibidas.
À essas
fumaças sucumbiu. Não faria mais nada para contrariá-la. Somente queria
embevecidamente ser seu escravo.
Mas a
bela diva, peça de um conto shakespeariano, somente o aceitava. Não o amava. Ou
se o fizesse, era sem os adereços e enrolar de mãos e beijos.
Se
fosse platônico penso que ele talvez aceitaria. Se fosse distante certamente,
pois à distância já havia ficado e à distância continuava amá-la.
Mas amor
unilateral soa como masoquismo inconteste.
No
sofrer masoquista se entregou ao sadismo oposto e nele sucumbiu…
O proposto
amante desamado ficou.
Hoje
procura por moça em seus vintes, assanha e sedenta de prazeres. Pensa ele ser
capaz de nesta aventura ter sucesso. Mas os amigos, sábios que são, já lhe
avisaram…
Outros
que esta trilha de aventuras seguiram morreram.
E, o
fizeram na noite de núpcias.

A realidade doi quando nua e crua. O receio de ficar sem a segunda chance é doloroso
ResponderExcluirVero...com muito drama!
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