quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

SORRISO


Era lindo.
Um pouco tímido no seu despertar,
Um pouco pálido no conversar…
Mas era lindo.

Linda também era ela…
Palavras poucas, lábios rubros,
Molhados, doces, mel e fel…
Com sorriso ou com suspiro.

Meio inteiro, meio brejeiro,
Sorriso morde,
Sorriso pode.
Segredos contar…

Às vezes amarelo,
Tinha cores, muitas delas…
De vermelho ao batom rosado,
De açúcar, ao macio algodão.

Mas era lindo, e por ele…
Me apaixonei.
Quero seus lábios, quero o doce,
Do beijo ardente, do sorriso dolente…

Quero amar, amor…
Quero amor, amar…
Quero sorrir, sorrindo…

Com seu sorriso lindo.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018


MELANCOLIA

Os olhos eram tristes…
Traziam neles as lágrimas do mundo.
No rosto, refletiam uma dor sofrida,
Um amor perdido,
Um sonho desfeito…

Melancólicas cores de um mundo pálido.
Cinzas de um céu outrora em cores.
Nuvens monótonas,
Música muda, desnuda…
Choro silente, pungente.

Perdeu-se sem amor?
Achou-se na dor?
Onde vais, meu amor?
Não te ouço, não te vejo…
Deixo-te um beijo.

Que leve então, a tua triste melancolia…
Watercolor
By Miriam Gilberti



segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

GALO ON ICE

Tenho amigos atleticanos, e muitos.

Mas tenho que dizer que ser atleticano não é torcer por futebol. É algo que se assemelha ao estado islâmico, ou seja…fanatismo. 

Falta a razão.

O coitado do time não ganha quase nada. Quando o faz, de 40 em 40 anos parece que se transforma na maior criação do universo.

Um dia, lá pelos idos 50, o time das penosas criaturas partiu das Gerais rumo à Europa. Jogou dez jogos, todos amistosos. Jogou contra times de segunda e terceira divisão, até time de Luxemburgo.

Pelo que eu saiba Luxemburgo treina futebol, já até jogou, mas time de Luxemburgo? Existem? Quais são?

Nos dez amistosos que fez, perdeu dois, empatou outros dois e ganhou seis. Grande feito…com pompa e circunstância alardeado por um incauto jornalista. O dito inventou que o preto e branco time disputou um torneio. Ele, na sua sabedoria jornalística deu-lhe o nome de Campeão do Gelo. “The Ice Champion”, para ficar mais internacional.

Tão alardeado foi o feito que virou parte do hino da famigerada nação alvi-negra.

Com duvidosa expressão em termos nacionais o conhecido time monotítulo abraçou a invenção do jornalista sem sequer saber que o título, ao clube dado, se referia à jogos efetuados no fim do verão daquele hemisfério.

Não nevava, não houve gelo.

Champion of the Ice? Ice Champion? Está mais para Galo on Ice. Gelado, congelado, esperando por um título.

Show de segunda, em emissora de igual classificação em campeonato também de segunda, onde se ambienta bem.

Provavelmente receberei uma enxurrada de notas ameaçadoras após a publicação da crônica. E daí?

Tenho a pena e o papel.

Escrevo…


sábado, 30 de dezembro de 2017

GAMBÁ AO MOLHO DE PIZZA

Era frio.

Uma noite gelada, doze polegadas de neve. Tudo branco. Lindo…

Um bangalô, um subsolo aconchegante, lareira acesa, TV ligada.

Bells were jingling…

O vinho descia rápido, o cômodo quente. Ar condicionado perfeito.

Cleo, a cadela alegre e jovial pedia para sua visita ao jardim. Já era hora.

No amarelar da neve viu algo a se mover. Cão que se preza não deixa oportunidades passarem. Como uma flexa partiu para debaixo do deck. Um barulho de algo temerário se fez ouvir. Um gambá assanho, com um arsenal de perfumes franceses defendia seu território.

Diria que penas voaram, mas nem o gambá nem a cachorra tinham penas. 

Mas Cleo foi borrifada em cheio. Espirrava, balançava, sacudia e espalhava o perfume de emanações morféticas em seu incauto dono. Desesperado, o dito fugiu para o aconchego da casa, abandonando a fiel escudeira a decidir sobre o destino do fedorento animal.

No processo da insana luta, resolveram espalhar seus resultados sobre o condensador do ar condicionado. A brilhante manobra levou, de uma só vez, uma borrifada substancial do perfume de Belzebú, direto para as entranhas da casa. Perfumada com os bafos do demônio esta se transformou na morada dos capetas.

Dizem que se lavam aqueles borrifados pelo atleticano animal com suco de tomate. Tira o cheiro, assim consta.

Mas na casa não havia tal suco. Havia sim, um molho de pizza, cheio de tomates, alho em abundância.

A bela da casa não teve dúvidas … entregou seu consorte à própria sorte. 

Deu-lhe o molho, ordenou-o à lavar a cadela e ligou para seu melhor amigo pedindo que o mesmo viesse para lhe dar um banho.

“O que??? Dar um banho??? Em um homem???....Jamais!”

Inútil dizer que o mesmo não veio.

O amado e fedorento ser passou então à lavar-se e ao seu bichinho querido, aplicando doses generosas de molho de pizza.

Finda a obra notou que havia ficado rosado. Também assim se encontrava Clio, ambos com cheiro de alho misturado a bafos ainda remanescentes de “Gambá de Coty”, o novo e recém criado perfume.

A casa demorou uma semana a voltar ao normal. Ele também demorou a voltar à sua cor natural. Seu cheiro ainda deixa dúvidas se voltará à originalidade do passado. Clio rosa ficou. Uma cachorra preta e rosa, cheirando a alho.

Verdadeira atração na vizinhança.

Ele, andou segregado no escritório, por um bom tempo. Dizem que os eflúvios afetaram seus neurônios. Há até quem o comprove.

Quanto ao amigo, ainda se sente insultado pelo pedido.

E olhe que ele era atleticano…


sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

ELE QUER VOLTAR

Megalomaníaco. Mau caráter. Cretino e safado.

Se acha o máximo. Um apedeuta, mal educado, escroto, picareta. Dizem que foi até alcagoete dos próprios “cumpanheiros”.

Inventou a disléxica. Um poste idiota, de conhecimentos parcos, empáfia gigantesca, grotesca e vocífera.

Ele boquirroto, ela retardada.

Ambos levaram o país à bancarrota. No processo locupletou-se. Ela, se não o fez, é mais retardada que parece. Afinal, dizem que os dois têm 300 milhões em uma conta propícia, uma cornucópia num local paradisíaco. “For a rainy day...so they say…”

Esta indo para o xilindró. Aqui, no Pindorama, isso é um processo lento. 

Mais devagar somente uma tartaruga severamente tetraplégica. Mas o calhorda das multidões, ilusionista de parvos, quer voltar. Acha que assim foge à lei, entra em outra traficância, pixuleca de novo e fica mais rico. E o povo mais pobre…

Mas este, o povo, já esqueceu que ele rouba. Afinal esquecem de tudo, até que são parte do conjunto de pessoas mais assanhas por coisas desonestas do planeta. Por isso, votariam de novo, no que pensa que volta, mas que está querendo e não podendo voltar. Porem voltará, pois aqui tudo é possível, até a volta sem volta.

Ele, então vai voltar.

Eu quero é votar…ele, ela, asseclas, espertas, safadas e safados, bandidos e bandidas…para fora deste mundo.

Se ele volta eu vou.

Vou embora, não dá.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

STARRY NIGHT
In a fabric of light,
Over my head,
Luminous dots,
Dancing like fireflies,
Make me think,
How beautiful you are…

The moon shines,
Like a silvery blanket,
Casting shadows,
Ghosts, specters,
And I, see you smile…
Making me happy.

My heart pounds,
Emotion, love, tenderness…
I feel lost in the vast space,
Where twinkling stars,
Play a song of love,
That melts my heart…

Oh, love of mine…
Oh, dear one…
Give me your kiss,
Give me your body,
I promise, eternally…
I’ll love only you…


sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

A CAPA INVISÍVEL

Harry Potter já usava uma. Agora, um cientista chinês inventou outra.

E funciona.

Você se cobre com a dita e…voilà…desaparece. Ou melhor, fica invisível.

O tal inventor foi até convidado para ser presidente da Universidade de Hong Kong. Muito merecido, uma senhora invenção!

Vejo aplicações imediatas, no Pindorama.

Políticos viajarão de primeira classe sem serem descobertos. O povo chato que os espezinha não conseguiria vê-los. Que pena…

O molusco miserável, aquele que não sabe de nada, nada viu, nada tem e nada roubou, poderá almoçar em restaurantes chiques, tomar uísque de 25 anos ou champanha Crystal. Ninguém o veria escondido debaixo da capa invisível.
Também poderia fazer discursos para plateias que, se tornadas indóceis, uma sumida com a capa evitaria uns tomates podres em sua direção.

E a disléxica? Será que se esconderia atrás da invenção? Talvez, se desse para estocar vento, certamente.

Por fim, o Tiririca sumiria, para entrar o Genoíno…cruz credo



FARFALLE

Voo trôpego…
Incerto, esperto,
Pulsante, passas perto…
Bela pluma, danças leve.

Cores belas, singelas…
Brincas ao vento,
Perdes no sopro, beijas as flores…
Tremendo, num breve momento.

Oh…Linda criatura…
Vives três vidas, encantas nas asas,
Colores o mundo,
No teu bailar vagabundo…


quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Xmas is around the corner

In Marcinha's house

THANK YOU

OBRIGADO

To my friends a warm thanks for all you have done this year. I wish you all a Merry Christmas and a very Happy New Year.

Aos meus amigos um obrigado carinhoso por tudo que fizeram este ano. Desejo-lhes um Feliz Natal e um muito alegre Ano Novo.

Thanks. We have reached 10.000 hits since we started this blog in March.

Obrigado. Nós chegamos à 10.000 visualizações desde que começamos em Março.


Graças à vocês.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O POLÍTICO


 Gritava…

Um grito horrível, mudo.

Ali onde estava, ninguém ouvia, ninguém ligava. Mas gritou…

Contorceu-se, rastejou. Já havia rastejado antes, de onde veio, de onde cresceu.

Não queria fazê-lo, de novo, mas fê-lo. E gritou…ninguém ouviu.

Por um momento pareceu que via sua vida desenrolar-se à sua frente.

Um palanque, voz tonitruante, verve frouxa. Um barítono, talvez?

Era pastor? Por que as ovelhas não prestavam atenção?

Um púlpito, sectários e sicários. Estes ouviam, mas parecia um passado. Passado que reconhecia, vozes que ouvira, palavras que falou…para moucos ouvidos.

Surdos eram, talvez mudos como se sentia agora. Certamente cegos.

Por isso gritou de novo. Um grito surdo, um lamento, um uivo de cães na noite vazia. A lua era cheia, pedia o choro, o canto triste, ululante, desesperante, desfalecente. Mas gritou.

E ninguém ouviu…

Por que não olham para mim? Onde estão as multidões? 

Prometi prometer, queria querer, fazer o que não farei, nem fiz, nem faria, nem quero. Jamais quereria. Pois sei o que sou…um político.

Um político…

Minto e quero mentir, Grito palavras ao vento. Espero ouvidos que ouçam, pois se ouvem, votarão em mim…

Oh…imbecís criaturas. Ouçam minha voz, escutem o meu grito. 

Por vós grito, falo, berro. Por vós, minha boquirrota voz ressona, reverbera as mentiras que fiz e que sempre farei.

Mas por que não ouvem?

Por que sinto um mundo surdo? Um mundo cego, um mundo roto, vermelho, em chamas…

Ah…

Não pode ser…


Não, não,  é injusto…

Estou no inferno.

Por favor me ouçam…aqui não pertenço!

Sou imaculado, ilibado, probo…

Sou um político…

Por favor, ouçam meus gritos…


Por favor…por favor…por favor…