quinta-feira, 7 de novembro de 2019


SE EU FOSSE UM FANTASMA




Fantasmas, ah…fantasmas…
São espíritos?
Criaturas da noite?
Almas penadas?
Eu sou um fantasma!
Não sei como virei um, mas sei que sou.
Meio transparente, meio esvoaçante, meio provocante…
Mas sou um fantasma…



Não sei se tenho um rosto.
Nunca me vi no espelho.
Aliás, dizem que fantasmas não refletem sua imagem.
Mas acho que tenho uma aparência.
Não demoníaca, mas de certa maneira simpática…
Não tenho dentes, não uso lençol, não tenho chifres…
Mas sou um fantasma!


Acho que já viví.
Era um cara qualquer.
Tinha cara, mas não chifres,
Era chato, mas não tanto,
Morrí, não de chatura…
Mas morrií de morte morrida.
Virei fantasma.


Quando virei, descobri que já havia vivido,
Não o chato da última,
Mas um cara legal em outras.
Era até bonito…
Mas eles morreram também, daí sou hoje…
Um fantasma!


Queria voltar e dizer à todos que há outras vidas.
Queria voltar e assombrar uns mais chatos do que eu.
Queria voltar e ver minha amada,
Mas tenho medo que se no quarto dela entrar,
Posso encontrá-la peladinha, com um outro cara…
Aí, viro fantasma com chifre.
E isso não é legal
Por isso sou um fantasma simples…
Assombro só quem não acredita.
Assombro até padre.
Estes, é mais fácil ainda…
Dizem que acreditam,
Dizem que há vida do outro lado,
Dizem que não fazem nada errado.


Mas outro dia, assombrei um…
Na igreja, na sacristia.
Estava lá, nuzinho da silva,
Com dona Sinhá, sem calcinha.
O que eles faziam nem eu,
Um fantasma,
Posso contar.

Porém vou lhes dizer,
Se eu fosse um fantasma,
Daqueles que sabem fantasmar,
Não estaria aquií tentando explicar o inexplicável.
Afinal, é isso que eu sou…
Algo que não se explica.
Acredite se quizer…um fantasma.




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