SE EU FOSSE UM FANTASMA
Fantasmas,
ah…fantasmas…
São espíritos?
Criaturas
da noite?
Almas
penadas?
Eu sou um
fantasma!
Não sei como virei um, mas sei que sou.
Meio
transparente, meio esvoaçante, meio provocante…
Mas sou
um fantasma…
Não sei se tenho um rosto.
Nunca me
vi no espelho.
Aliás, dizem que fantasmas não refletem sua imagem.
Mas acho
que tenho uma aparência.
Não demoníaca, mas de certa maneira simpática…
Não tenho dentes, não uso lençol, não tenho chifres…
Mas sou
um fantasma!
Acho que
já viví.
Era um
cara qualquer.
Tinha
cara, mas não chifres,
Era
chato, mas não tanto,
Morrí, não de chatura…
Mas morrií de morte morrida.
Virei
fantasma.
Quando
virei, descobri que já havia vivido,
Não o chato da última,
Mas um
cara legal em outras.
Era até bonito…
Mas eles
morreram também, daí sou hoje…
Um
fantasma!
Queria
voltar e dizer à todos que há outras vidas.
Queria
voltar e assombrar uns mais chatos do que eu.
Queria
voltar e ver minha amada,
Mas tenho
medo que se no quarto dela entrar,
Posso
encontrá-la peladinha, com um outro cara…
Aí, viro fantasma com chifre.
E isso não é legal
Por isso
sou um fantasma simples…
Assombro
só quem não acredita.
Assombro
até padre.
Estes, é mais fácil ainda…
Dizem que
acreditam,
Dizem que
há vida do outro lado,
Dizem que
não fazem nada errado.
Mas outro
dia, assombrei um…
Na
igreja, na sacristia.
Estava lá, nuzinho da silva,
Com dona
Sinhá, sem calcinha.
O que
eles faziam nem eu,
Um
fantasma,
Posso
contar.
Porém vou lhes dizer,
Se eu
fosse um fantasma,
Daqueles
que sabem fantasmar,
Não estaria aquií tentando explicar o inexplicável.
Afinal, é isso que eu sou…
Algo que
não se explica.
Acredite
se quizer…um fantasma.
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