SOB O CHÃO DE ESTRELAS
Os vagalumes
cintilavam como as estrelas do firmamento. Em sua dança intermitente confundiam-se com os reflexos prateados dos
astros nas águas calmas de um regato.
Veios de
prata ardente, luminosa, calma e deslumbrante. O mundo se coloria em matizes
argentêos.
Olhou e
sonhou.
Sonhou com a
amada de cabelos de ouro. Podia ver suas tranças se confundindo com o prateado das águas. Chegou a vê-la, nua, como uma sereia,
seduzindo-o com cânticos de doçura melíflua.
Ali ficou, por longos momentos. Não queria que terminasse. Queria
somente que o tempo parasse. Os ponteiros do relógio em rigidez frígida respondiam ao seu pedido suplicante.
Deliciou-se
com o congelar, com a monotonia do estático. Mas este, era mais lindo do que
esperava. O corpo escultural da bela musa, despida, registrado como uma sinapse
fotográfica ali estava, parado, preso ao comando do
tempo imóvel.
Ousou pedir-lhe
uma resposta.
Ousou
dirigir-lhe a palavra.
Sua voz
rouca, trôpega, tremulava… hesitante. Não tinha certeza de que seria bem
ouvido.
Sussurrou…
Como um
cristal de gêlo se espedaçando o tempo andou…
Moveu-se
lento, Seguia o despertar da musa, da sereia de seus sonhos, agora em forma
real. Deslumbrou-se mais ainda. Em êxtase orgásmica, tremeu…
O corpo nú. As formas divinas. O perfume inebriante.
Havia música no ar. Não era um cântico, mas os acordes divinos de um Mozart apaixonado.
Entremeavam-se entre o cintilar das estrelas no firmamento, seu reflexo nas águas e o bailar dos pirilampos.
Disse que a
amava…
Sentiu que
era olhado. Notou o lilás fulgurante de sua íris. O brilho apaixonante, a sedução irrefutável. Em um instante eterno se
entregou.
Dele não havia mais resistência. Dele não havia mais incertezas. Somente uma paixão fulminante. Se amar em um instante era tão inebriante, então, amar para sempre seria eternamente
divino.
Anjo em
forma de mulher. Diva Iluminada pela prata das estrelas. O ouro de seus cabelos
emolduram seus olhos de doçura infinda.
Achou-se
petrificado. O gêlo frígido havia se apossado de seu corpo.
Estático a via se aproximar, sem saber o que fazer, sem saber
sobreviver.
Pensou estar
morrendo de amor.
Dela, ouviu
somente uma frase:
“Querido,
sou só sua…faça de mim o que quiser…”
De dentro de
seu coração chamas de um vulcão adormecido acordaram. Sua cabeça rodou, seus pensamentos em espirais quânticas o levavam para um mundo de estrelas à seus pés.
Beijou-a na
face. Um beijo de um amor profundo. De respeito, carinho e ternura.
Não a tocou. Era linda demais.
Se apaixonou
para sempre, e assim ficou, mesmo quando um dia ela partiu e o deixou só, naquele chão de estrelas.
Não havia sonhado, tinha sido real.
Sereia
dourada colorida pela luz prateada das estrelas, volte para mim…
Sou
seu…somente seu…eternamente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário