Me, once more
terça-feira, 2 de fevereiro de 2021
sábado, 30 de janeiro de 2021
BABÁ SEDUTORA
Mini saia, mini mesmo, do tipo abajur de perereca. Já havia seduzido
diversos incautos, entre eles o amásio da nossa secretária doméstica. Mas não
ficava por aí. A lista de vítimas só podia aumentar.
Tinha vindo do interior, era de menor, de acordo com os conformes da época.
Trabalhava para o Fajuto Magrelo, aquele dos quatro pneus furados.
Apresentava-se fagueira desfilando para a vizinhança. Tinha olhares para o tio
do traquinas. Este, o tio, já rapazola, era também adepto de travessuras.
Morava na esquina oposta ao lado da casa do mau-caratista em treinamento.
O cenário era perfeito. Dois jovens assanhos, um fajuto marido, uma
mulher frustrada, meio perua e meio pirada, uma secretária doméstica em modo de
vingança e outra que adorava o jovem rapaz a ponto de protegê-lo em tudo e de
todos. Um sobrinho traquinas ao lado e uma mãe, minha sogra, que era um doce.
Cheguei em casa, já era fim de dia, a tarde em decúbito. Um ajuntamento
se fazia crescer à frente da casa de minha sogra. Um carro da polícia, dois
oficiais fardados, braços para o ar, pedidos de justiça.
Esbaforida, minha querida sogra me puxou para o lado. Vão prender seu
cunhado...meu filhinho querido...não sei o que fazer.
Perguntei: O que houve? Respondeu: “Está escondido lá no quarto, no
segundo andar. Dizem que estava fornicando a babá.”
E ele foi visto fazendo tal coisa?
“Não sei”...
Deixa comigo que eu resolvo.
Simpaticamente procurei pelos oficiais cercados que estavam pela turba
liderada pela esposa do Fajuto Magrelo. Este, atrás dela, dizia: “É um tarado,
um perigo para a vizinhança.” Aplausos se ouviam...”Cortem-lhe os instrumentos”!
Seu guarda, argumentei, cheguei agora e encontro meu cunhado acuado em
seu quarto. Graves acusações estão sendo feitas, vejo nisto um mal entendido,
certamente. Vamos aos fatos...
Aparentemente um jovem rapaz foi visto no quarto da digníssima senhora
vizinha bolinando sua babá que é de
menor. Dizem que ao ser flagrado fugiu, n
Analisemos os fatos...o quarto e a babá se situam do no segundo andar do
prédio em frente. Nele existe uma janela que dá para um muro de três metros de
altura. Este muro se encontra à mais de dois metros da edificação.
Diz a voluntariosa senhora que ao adentrar o quarto o viu. Este logo
fugiu, pulando da janela até o muro, pulando deste até o chão, atravessando a
rua, subindo outro muro de três metros e entrando pela janela do segundo andar
de sua casa. Isto por que a porta da frente estava trancada, conforme afirma a
secretária doméstica desta casa.
Estamos à frente de um acróbata de circo. Um malabarista. Um atleta de
flexibilidade ímpar, quiçá alado. Garanto-lhes caros oficiais, que meu cunhado
não possui tal destreza.
“Foi ele, foi ele sim, afirmou a furiosa perua. Sim, sim, acrescentou o
fajuto marido com o braço em riste, por detrás da patroa”.
Os oficiais olharam para mim e disseram: “Prossiga, caro senhor.”
Indaguei à senhora: Como o viu?
Respondeu: “Por trás, ia vestir as calças. É ele sim, eu ví com estes
olhos que a terra há de comer!”
Minha senhora, se o viu por trás, como podes dizer que é meu cunhado? A
senhora conhece o traseiro do rapaz? Ele pulou a janela após ter vestido as calças?
Ou foi sem calças? Se foi sem calças, onde elas estão? A senhora afirma que
viu, por trás, um homem semi-nú voando pelos muros, atravessando uma via pública
e escalando a casa de sua vizinha, e, sem ver o seu rosto, afirma ainda, que
este terrível tarado voador é meu jovem e gentil cunhado?
“Eu posso reconhecer o traseiro, falou... Peça que êle desça e o
reconhecerei.”
Caros oficiais, ponderei, há necessidade de que exponhamos um jovem, forçando-o
a mostrar seu derrière, em público, para satisfazer os desejos de uma senhora cujos
argumentos falhos são produto de uma imaginação erótica e desmesurada? Que dirá
seu marido sobre este desejo obsceno?
Neste momento havia ganho o apoio de todos os curiosos. Aplausos se
faziam ouvir. Os guardas em gargalhadas não se continham. O tio do traquinas
surge na janela e é também ovacionado. A quase desvirginada babá dava voltinhas
ao redor dela mesma, a saia que quase não existia se levantava e para deleite
de todos deixava à mostra um bumbum redondinho e protubero.
Ganhei abraços e beijos. Os guardas partiram e a multidão se desfez.
O Fajuto Magrelo levou um cascudo por não defender a honra da donzela e
sua guardiã.
O traquinas e seu tio comemoravam, do alto.
Foi meu dia de advogado. O primeiro e o último... Dá muito trabalho
falar mentira.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2020
quarta-feira, 9 de dezembro de 2020
ABELIÉZER STRIKES AGAIN
(da série Abeliezer, o agente do Mossad)
Era uma manhã fria. A bruma espessa descia sobre Canada Gardens.
Em seu
Mercedes, o intrépido agente Abeliézer levava sua bela apotecária para seu boticário nas montanhas.
A densa
bruma fazia dos transeuntes espectros a se moverem pelas ruas. Se este Canada não fosse no Brasil diria que a tundra trazia seus habitantes
do norte para assombrarem as almas do sul.
Abeliézer não se importava. Para ele bastava sua
indelével amizade a Bibi e o amor da apotecária. Por eles enfrentaria até os camelos do inferno.
O som de um
rotor possante e o vento que ele trouxe indicavam o pouso iminente de um helicóptero. A nave estranha abre suas portas e nosso agente ouve o
chamado em hebraico. Beija sua bela,sussurra-lhe algo
ao ouvido e desaparece na bruma com a agilidade nata dos agentes secretos. Suas
fiéis abelhinhas eletrônicas o seguem em voo frenético e enfeitiçado.
No dia
seguinte, numa isolada área do Iran desce de para-quedas de
seda negra com escudinho do Mossad. Cercado por suas fiéis escudeiras, monta um breve acampamento à alguns metros de uma interseção viária, abre seu laptop e sincroniza as
abelhinhas dando-lhes as ordens de patrulhar a rodovia. Sabia que por alí passaria o líder do programa nuclear dos habibes
persas. Bibi lhe havia incumbido a missão de eliminá-lo do planeta, coisa fácil para Abeliézer.
Para o
sucesso da operação o Mossad havia adquirido um Fiat
Pulga. O tal cinquecento, mas aquele de outrora. A geringonça ainda andava Os cortes de verbas haviam acontecido porque
o Trump perdeu a eleição e o Biden não gosta de dar dinheiro para Israel. Abeliézer entendia. Afinal, havia também votado, em vão, no Presidente, mas isto não o impediria de completar a missão. O fim de Fakhir Azedo, o cientista, estava próximo. Dois agentes recrutados na Sicília estavam ali para ajudá-lo à pilotar o Fiat. Eram os irmãos Carabinni Pistolettis, sicários que haviam sido despedidos da Máfia por causa daquele juiz da operação manu politi. Aquela praga de juiz gerou um
desemprego maciço na bela península. Se a coisa ficasse preta os Carabinni o ajudariam a
fugir.
Como o tal
cientista estava demorando muito, os três resolveram ir até o SevenEleven mais próximo e comer um snack. Afinal,
ninguém é de ferro e Abeliézer estava com a barriga vazia. Só havia tomado umas 20 cápsulas de própolis, seu desejum favorito. Lá chegando pediu um falafel. Os
sicilianos se recusaram a comer. Para eles só existia tomate. “Ma que? Non c’é pomodoro? Questi habibes sono tutti imbecili”, assim
falaram.
Uns dez
falaféis depois ouviram uma caravana chegando. Não era motorizada. Eram 10 camelos abarrotados de persas
portando metralhadoras, RPGs, uma caixa de alcorões e uma bandeira do Che Guevara.
(Nunca se soube o que esta bandeira fazia ali)
Programou as abelhinhas e soltou as bichinhas nos habibes. Explodiu habibe para todos os lados, junto, o tal cientista que gritava Alahu Akbar até que uma abelha entrou por um orifício disponível e o mandou para o beleléu.
Os tais
iranianos eram danados. Imediatamente acionaram seus sistemas de defesa. Era uma
luta contra o tempo. Abeliézer e os irmãos Carabinni fugiam pelo deserto em alta velocidade (mais ou
menos 20Km/h) correndo para chegar ao “rendez-vous point”, onde seriam
salvos pela força aérea israelense. Mas os sicilianos não entendiam de “rendez-vous” como ponto de encontro, estavam
mais familiarizados com os “rendez-vous” das putanas e para lá foram esculhambando os planos de fuga do nosso herói. Na verdade ele sabia que conseguiria escapar, mas se sua
amada apotecária soubesse que foi para um “rendez-vous”…aí a morte seria certa.
Abeliézer deixa seus companheiros sicilianos se esbaldando com as
belas e cabeludas habibas, veste seu traje de homem voador e se manda na direção do caça stealth da Embraer que o
levaria de volta.
Mais uma
missão cumprida. Fahkir Azedo, o cientista, havia sido eliminado.
Tão alegre estava que chegou ao Canada Gardens cantando Hava
Naguila. Ao adentrar o boticário viu, sob a porta, uma mensagem de
Bibi e mais uma medalha para sua coleção.
Sorria feliz
até quando levou uma porretada no alto da sinagoga. Sua bela
havia recebido uma foto dele com os dois sicilianos no tal “rendez-vous”
iraniano.
Já dizia minha falecida nona… “Não se pode confiar em italiano do sul”…
terça-feira, 27 de outubro de 2020
CLONE
Eram dois. Um parecia com o outro e o outro com o um. Como era mais novo
virou clone do outro. Era meio nuclear, gostava de coisas quânticas.
Especialista em trapalhadas deixava o outro para trás. Este, mais discreto foi
cuidar de vacas. Ele, mais afeto às obras de Bacco, juntou-se à um bando de etílicos
para contar seus feitos.
De feito em feito enche estas páginas de momentos inesquecíveis.
Recentemente, após uma rodada de Jack Daniels e seus asseclas foi para
casa onde, para manter a tradição, tinha de tomar uma expulsadeira. Isto porque
já tinha sorvido saideiras incontáveis discutindo teoria das cordas e mundos
paralelos.
A casa, deliciosa, de madeira e degraus diversos era o lar da filha de
Corina. A doce madame tinha o hábito de prover sua mansão com tapetes voadores.
Uma ilustre dama de qualidades espanholas já havia pilotado um. O trágico
desfecho a deixou empenada e adernada.
Sua última façanha voadora fez do Clone um bólido destruidor de um
criado mudo. Dizem que a criada era muda ou estava nela. O fato é que hoje fala
que nem maritaca assanhada.
Sua pressa era tanta que não tirou o Johnny da caixa. Em um copo cheio
de gelo despejava o precioso líquido, com choro e vela de praxe. Não viu o degrau
atrás de seus pés.
Voou. Voo curto, para baixo, de costas. Acertou seu cóccix em algo protubero.
Desmantelou tudo ao redor.
Não perdeu uma gota sequer do elixir sagrado. Nem do copo, nem da
garrafa.
Com dor em região suspeita resolveu se anestesiar, tomando o resto da
garrafa toda. A filha de Corina estarrecida não sabia o que fazer. Queria
passar pomadinhas em locais que nem ele gostava de por a mão. Resistiu enquanto
pode. Desmaiou não por dor, mas por excesso.
Não consegue explicar por que se sente um tanto lubrificado. As más línguas
já falam que sua voz é de soprano.
Em tempo e segundo o Aurélio:
:”CLONE; conjunto de indivíduos originários de outros por multiplicação
assexual. Todos os membros de um clone têm o mesmo patrimônio genético.”
terça-feira, 6 de outubro de 2020
segunda-feira, 5 de outubro de 2020
domingo, 4 de outubro de 2020
THE
TEMPLE OF HATSHEPSUT
LUXOR EGYPT
Hatshepsut a
pharaoh queen ruled Egypt about 3.500 years ago
This temple
designed by the architect Senenmut is dedicated to the gods Amon, Anubis and
Hator
It is said
that it was an inspiration of the classic architecture later adopted by the
greeks when designed the Parthenon



























