BABÁ SEDUTORA
Mini saia, mini mesmo, do tipo abajur de perereca. Já havia seduzido
diversos incautos, entre eles o amásio da nossa secretária doméstica. Mas não
ficava por aí. A lista de vítimas só podia aumentar.
Tinha vindo do interior, era de menor, de acordo com os conformes da época.
Trabalhava para o Fajuto Magrelo, aquele dos quatro pneus furados.
Apresentava-se fagueira desfilando para a vizinhança. Tinha olhares para o tio
do traquinas. Este, o tio, já rapazola, era também adepto de travessuras.
Morava na esquina oposta ao lado da casa do mau-caratista em treinamento.
O cenário era perfeito. Dois jovens assanhos, um fajuto marido, uma
mulher frustrada, meio perua e meio pirada, uma secretária doméstica em modo de
vingança e outra que adorava o jovem rapaz a ponto de protegê-lo em tudo e de
todos. Um sobrinho traquinas ao lado e uma mãe, minha sogra, que era um doce.
Cheguei em casa, já era fim de dia, a tarde em decúbito. Um ajuntamento
se fazia crescer à frente da casa de minha sogra. Um carro da polícia, dois
oficiais fardados, braços para o ar, pedidos de justiça.
Esbaforida, minha querida sogra me puxou para o lado. Vão prender seu
cunhado...meu filhinho querido...não sei o que fazer.
Perguntei: O que houve? Respondeu: “Está escondido lá no quarto, no
segundo andar. Dizem que estava fornicando a babá.”
E ele foi visto fazendo tal coisa?
“Não sei”...
Deixa comigo que eu resolvo.
Simpaticamente procurei pelos oficiais cercados que estavam pela turba
liderada pela esposa do Fajuto Magrelo. Este, atrás dela, dizia: “É um tarado,
um perigo para a vizinhança.” Aplausos se ouviam...”Cortem-lhe os instrumentos”!
Seu guarda, argumentei, cheguei agora e encontro meu cunhado acuado em
seu quarto. Graves acusações estão sendo feitas, vejo nisto um mal entendido,
certamente. Vamos aos fatos...
Aparentemente um jovem rapaz foi visto no quarto da digníssima senhora
vizinha bolinando sua babá que é de
menor. Dizem que ao ser flagrado fugiu, n
Analisemos os fatos...o quarto e a babá se situam do no segundo andar do
prédio em frente. Nele existe uma janela que dá para um muro de três metros de
altura. Este muro se encontra à mais de dois metros da edificação.
Diz a voluntariosa senhora que ao adentrar o quarto o viu. Este logo
fugiu, pulando da janela até o muro, pulando deste até o chão, atravessando a
rua, subindo outro muro de três metros e entrando pela janela do segundo andar
de sua casa. Isto por que a porta da frente estava trancada, conforme afirma a
secretária doméstica desta casa.
Estamos à frente de um acróbata de circo. Um malabarista. Um atleta de
flexibilidade ímpar, quiçá alado. Garanto-lhes caros oficiais, que meu cunhado
não possui tal destreza.
“Foi ele, foi ele sim, afirmou a furiosa perua. Sim, sim, acrescentou o
fajuto marido com o braço em riste, por detrás da patroa”.
Os oficiais olharam para mim e disseram: “Prossiga, caro senhor.”
Indaguei à senhora: Como o viu?
Respondeu: “Por trás, ia vestir as calças. É ele sim, eu ví com estes
olhos que a terra há de comer!”
Minha senhora, se o viu por trás, como podes dizer que é meu cunhado? A
senhora conhece o traseiro do rapaz? Ele pulou a janela após ter vestido as calças?
Ou foi sem calças? Se foi sem calças, onde elas estão? A senhora afirma que
viu, por trás, um homem semi-nú voando pelos muros, atravessando uma via pública
e escalando a casa de sua vizinha, e, sem ver o seu rosto, afirma ainda, que
este terrível tarado voador é meu jovem e gentil cunhado?
“Eu posso reconhecer o traseiro, falou... Peça que êle desça e o
reconhecerei.”
Caros oficiais, ponderei, há necessidade de que exponhamos um jovem, forçando-o
a mostrar seu derrière, em público, para satisfazer os desejos de uma senhora cujos
argumentos falhos são produto de uma imaginação erótica e desmesurada? Que dirá
seu marido sobre este desejo obsceno?
Neste momento havia ganho o apoio de todos os curiosos. Aplausos se
faziam ouvir. Os guardas em gargalhadas não se continham. O tio do traquinas
surge na janela e é também ovacionado. A quase desvirginada babá dava voltinhas
ao redor dela mesma, a saia que quase não existia se levantava e para deleite
de todos deixava à mostra um bumbum redondinho e protubero.
Ganhei abraços e beijos. Os guardas partiram e a multidão se desfez.
O Fajuto Magrelo levou um cascudo por não defender a honra da donzela e
sua guardiã.
O traquinas e seu tio comemoravam, do alto.
Foi meu dia de advogado. O primeiro e o último... Dá muito trabalho
falar mentira.
Muito Bom!!!
ResponderExcluir👋👋👋👋👋👋👋🤲👋👋