domingo, 17 de maio de 2020


      SALTOS DO GUAIRÁ        SETE QUEDAS


Maravilhas que não mais existem.

Dezenove saltos que agrupados em sete deram o nome, no lado brasileiro, de Saltos das Sete Quedas.
Era o conjunto de cachoeiras mais fantástico do mundo. Duas vezes mais volumosas do que Niagara Falls, com 13.300 m3/segundo despejando um rio em um cânion de 4 km de extensão com profundidades incríveis, entre 140 e 170 metros.

Deixou de existir… Mas, não antes de levar 32 turistas que lá estavam para vê-las pela última vez, partirem para o “after life”, em janeiro de 1982, com a queda da ponte (pinguela) Presidente Roosevelt.
Guairá, em tupi-guarani, “o intransitável”, “além do que não se pode passar”, um bom nome para uma cachoeira que, de tão portentosa, rugia em suas entranhas produzindo sons audíveis até 30 km de distância.
Quando a Terra ainda tinha a Pangea como maior massa continental, houve nela uma ruptura tectônica há cerca de 130 milhões de anos quando o extravasamento de lavas vulcânicas basálticas, fundidas em grandes profundidades subiram à superfície através de fraturas de distensão, provocando o derramamento de material vulcânico em camadas diversas e sobrepostas.

Esta atividade gerou uma divisão criando terras que corriam para o mar à leste e o restante, para dentro da América do Sul, por onde correm os rios Paraná e Iguaçu, formando um conjunto de quedas d’água gigantesco e de beleza incomparável. A foz do Iguaçu, que ainda existe e as Sete Quedas submersas pelo lago da Usina de Itaipu, na tríplice fronteira Brasil/Argentina e Paraguai, são uma expressão fantástica da natureza e dos feitos do homem.

O rio Paraná que caía em si mesmo ao longo dos quatro km do cânion formado por uma fratura basáltica gigantesca, transformou-se em um lago. Hoje, em períodos de seca e quando a Usina Hidroelétrica verte suas águas ressurge parte das quedas num espetáculo estranho no meio do lago.

Fica aqui um registro para a posteridade. A memória do homem é curta, infelizmente.


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