SALTOS DO GUAIRÁ SETE QUEDAS
Dezenove saltos que agrupados em sete deram o nome, no lado
brasileiro, de Saltos das Sete Quedas.
Era o conjunto de cachoeiras mais fantástico do mundo. Duas
vezes mais volumosas do que Niagara Falls, com 13.300 m3/segundo despejando um
rio em um cânion de 4 km de extensão com profundidades incríveis, entre 140 e
170 metros.
Deixou de existir… Mas, não antes de levar 32 turistas que
lá estavam para vê-las pela última vez, partirem para o “after life”, em
janeiro de 1982, com a queda da ponte (pinguela) Presidente Roosevelt.
Guairá, em tupi-guarani, “o intransitável”, “além do que não
se pode passar”, um bom nome para uma cachoeira que, de tão portentosa, rugia
em suas entranhas produzindo sons audíveis até 30 km de distância.
Quando a Terra ainda tinha a Pangea como maior massa
continental, houve nela uma ruptura tectônica há cerca de 130 milhões de anos
quando o extravasamento de lavas vulcânicas basálticas, fundidas em grandes
profundidades subiram à superfície através de fraturas de distensão, provocando
o derramamento de material vulcânico em camadas diversas e sobrepostas.
Esta atividade gerou uma divisão criando terras que corriam
para o mar à leste e o restante, para dentro da América do Sul, por onde correm
os rios Paraná e Iguaçu, formando um conjunto de quedas d’água gigantesco e de
beleza incomparável. A foz do Iguaçu, que ainda existe e as Sete Quedas submersas
pelo lago da Usina de Itaipu, na tríplice fronteira Brasil/Argentina e Paraguai,
são uma expressão fantástica da natureza e dos feitos do homem.
O rio Paraná que caía em si mesmo ao longo dos quatro km do
cânion formado por uma fratura basáltica gigantesca, transformou-se em um lago.
Hoje, em períodos de seca e quando a Usina Hidroelétrica verte suas águas ressurge
parte das quedas num espetáculo estranho no meio do lago.
Fica aqui um registro para a posteridade. A memória do
homem é curta, infelizmente.







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