OCASO
Não pensei que o fim fosse assim…
Sempre achei
que viria subitamente.
Mas este é um fim programado.
Entra-se em
quarentena, escondemos de algo que não se vê.
Medo do
invisível, das estatísticas, do palavrório infinito, lambuzado de terror.
Terror induzido
por atos maléficos, mera ignorância ou avidez incontida.
Terror que
vende jornais e palavras banhadas em mentiras sensacionais, na sordidez humana
que se torna mais desumana à medida que valsamos escondidos com
espectros da morte.
Mas não é o ocaso do sol, no entardecer multicor.
Não é a chegada da noite, da tempestade,
dos vultos da escuridão.
Este é o ocaso de cada um de nós, sem fanfarra, sem festa, sem velório.
Corpos
jogados fora…
Medo do
vizinho próximo.
Pavor da
mentirosa mídia.
Horror do
matraquear de mil políticos.
O ocaso dos
homens…
Um ocaso pífio.
Grande em números, bruto em efeito, miseravelmente
mesquinho, pífio de amor.
Mas é um ocaso. Sem graça, terminal…
Sem explosões, terremotos, tsunamis.
Um ocaso de
almas e corpos.
Mesmo os que
não foram levados levarão consigo tristeza, amargura, solidão, abandono e desprezo.
E veremos
então…
O nascer de
um amanhã que não saberemos como será.
Pois um acaso
nos levou ao ocaso de nossas vidas.
Excelente!
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