terça-feira, 31 de março de 2020


PRESO

Preso estou
Preso pela besteira dos homens
Que brincam com coisas, para coisas destruir
Matar, sem sentido
Ganância desmedida
Preso
Na minha própria vida
Com medo de extinguí-la
No passar das horas, inexoráveis, lentas, pachorrentas
Imagens, espectros, doces e amargos
Que geram saudades
Saudades dos dias de folguedos
Da piscina, das partidas de basquete,das amadas belas e belas amadas
Saudades da juventude, das bagunças que fiz, da irreverência jovem
Me prendo em prisão que mesmo construí
Me prendo ouvindo meu som, que é mudo, mouco
Não reverbera, somente ecoa, rouco, pela oca cabeca em pensamentos perdidos
Saudades de momentos alegres, conversas inúteis sobre assuntos sem pauta
Palavras ao vento, sem nexo, sem coro
Somente saudades de amplos espectros, num amplexo me deito
Na prisão que me pus, por vírus tomada, quiçá impregnada
Dos últimos instantes que me levarão ao ocaso, em mim mesmo imposto
E em decúbito me deito… deixo…
Minh’alma partir

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