PRESENTE DE BELZEBU
Um pai, em uma viagem a Europa
comprou para si, em loja de elegante
estirpe, um par de sapatos italianos. Lindos e estilosos o fariam mais guapo do
que já era.
Passado uns meses eis que se aproximou do filho mais velho e lhe disse: Por que você não fica com este par do mais
legítimo italiano? Ficará bem em seus pés.
O filho, entusiasmado aceitou.
Alguns dias depois, vestido para corresponder ao par presenteado,
incomodou-se com um odor desagradável cuja origem não conseguia decifrar.
Momentos depois, em visita ao banheiro, por necessidade de praxe, ao
abrir a braguilha de suas calças, sentiu fortes emanações odoríficas de
qualidade demoníaca. Parecia o cheiro de Belzebu. Algo assustador, quente e
poder-se-ia dizer, corrosivo.
Um exame mais aprofundado indicava que provinha dos próprios pés. Com
mais cuidado. descobriu que o lindo par de sapatos italianos, presente de seu
próprio pai, era o emanador daquele cheiro aterrorizante.
Lavou seus pés, jogou fora as meias e voltou ao escritório, descalço.
O presente de Belzebu havia sido encaminhado à lixeira mais próxima,
matando, no processo as moscas, os ratos e as baratas que lá habitavam.
Com o pai, deixou de falar por um bom tempo.
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