domingo, 6 de outubro de 2019


COMO SILENCIAR UM HINDU
(aventuras do Tirano)



Lá pelos idos 70, em São Paulo, morava o famoso Tirano em apartamento, no Sumaré.

Herói que já era, jurou defender a honra de sua amada Dantuzza. Disse-lhe uma vez: “querida nada de mal poderá lhe atingir, eu estarei sempre pronto a salvá-la.”

Morava no décimo primeiro andar. Acima, no décimo segundo entocava-se um hindu de hábitos estranhos. Ouvia suas músicas de instrumentos exóticos, uma mistura de cordas com percussão de tambores, sinos e reco-recos indianos.

Bebia muito este hindu. Cervejas e outros líquidos etéreos. Ficava com a porta aberta, ouvindo sua música e bebendo igual a um gambá. Jogava as latas pela porta, mirando a escada. As latas rolavam e aterrizavam em frente ao apartamento do Tirano. Batiam na porta e causavam medo à sua amada.

Um dia, chegando em casa a encontrou à chorar. Indignado procurou pelo seu melhor e maior martelo e subiu com olhos esbugalhados, espuma na boca e dentes em riste. Com um chute só (coisa de tirano enfurecido) pôs abaixo a porta do dito cujo hindu.

“Miserável  hindu, disse ele, você aterroriza minha doce Dantuzza. Vou exterminá-lo!”

O coitado, bêbado e escornado molhou suas calças. O Tirano implacável e enfurecido martelava sua eletrola produzindo piorras, válvulas, engrenagens em peças mil à voar pelo apartamento. De vez em quando brandia o martelo sobre a cabeça do mesmo. O terror era total.

Não satisfeito, atirou a eletrola do décimo segundo andar. Esta em um voo rápido espatifou-se no asfalto, em baixo. Por sorte não atingiu ninguém. Desceu a escadaria loucamente, como um projétil desgovernado. Em um tufão chegou ao solo e pulando como um orangotango pirado, esmagou o resto da malfadada eletrola.

Subiu como um bólido. Nem arfava. No décimo segundo chegou e mais uma vez se dirigiu ao estupefato hindu, ainda paralisado e borrado. “Energúmeno, deserdado de Shiva,amaldiçoado por Vishnu, condenada criatura,  não entrarás no Nirvana. Nunca mais faça isto, senão, voltarei para fazer o mesmo... Só que com sua cabeça”.

O filho de Brahma nunca mais produziu um som.

 Dantuzza fora salva.


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