AS AVENTURAS DE CASTANHO, O AGENTE DO MOSSAD
(série de três histórias do grande agente secreto)
Castanho era seu nome de guerra. Nunca tinha sido castanho
antes mas, segundo dito por ele mesmo, pintar cabelo sim, cabelo não, de
grisalho, dava muito trabalho.
Quando novo, apaixonou-se loucamente. A amada que com ele
nada queria o mandou para o espaço.
Partiu para o Oriente Médio em busca de outras fortunas e
desgraças. Passou a casar como se troca de camisa. Variedade era a alma do negócio.
Em TelAviv estudou na escola equivalente ao Langley americano.
Virou agente do Mossad, especialista em apicibernética, ou
seja, abelhas abelhudas eletrônicas.
Sua primeira missão foi descobrir o paradeiro do famoso
terrorista do Hamas, o sheik Abdul El Fetid. Comprou um camelo manco e
atravessou a fronteira da Cisjordânia. Errou a direção, parou nas montanhas de
Golã e quase achou o tablete de Moisés, de novo. Mas uma abelha, de verdade,
deu-lhe uma mordida nas partes e foi parar num lindo hospital sírio. Seu camelo
manco fugiu.
No hospital achavam que ele era árabe. Até então, seu
disfarce funcionava. Porém o médico habibe queria vê-lo pelado e, quando o fez,
notou que era circuncidado. Ouviu-se um grito e uma turba de turbantes saiu em
desabalada carreira atrás de Castanho, pelado e apavorado.
Fugiu para o mercado mais próximo e roubou uma burca.
Fingia comprar algumas bugigangas quando notou um árabe desdentado e fedorento
dando umas piscadelas com o olho esquerdo. De início achou legal, até retrucou
com duas do olho direito, uma rebolada com as cadeiras e, grande bobagem, o
bruto apaixonou.
Havia um árabe magrelo fumando narguilé. O desdentado árabe
achou que o dito era o marido dela (Castanho de burca) e ofereceu 50 camelos
pela mesma. Sem saber de nada o outro aceitou e o habibe comprador agarrou-a
pelas ancas e a jogou em seu Land Rover.
Castanho em pânico não pode fazer nada. Mas como a sorte dá
suas voltas, no caminho, descobriu que seu novo senhor era nada menos do que o grande terrorista El
Fetid.
Castanho foi levado à um harém com dois eunucos de
cimitarras afiadas vigiando a entrada. El Fetid apareceu pelado, de minhoca em
punho e partiu para cima de Castanho como se fosse o negão da Mangueira, cheio
de paixão. Antevendo seu fim Castanho se fez por rogado. A cada investida
fugia, esgueirava, dançava, rebolava. El Fetid deu-lhe uma agarrada por trás e
Castanho sentindo algo protubero deu um grito fino de puro horror.
Zobra, zobra, zobra….gritou!
Nisto um correligionário se aproxima e avisa El Fetid que
tinham de atacar uma mesquita nas próximas horas. Lá estaria o Imã Aiatolado En
Rolad, líder da facção pro Israel.
El Fetid sussurra nos ouvidos da nova amada que adorava
mulheres barbadas e voltaria para desvirginá-la, sem piedade.
Castanho, num lance de genialidade, solta uma de suas
abelhas cibernéticas para seguir ao sheik. Aproveita a confusão e foge pela
janela. No caminho, correndo em desabalada carreira encontra com o outro habibe
que havia ficado com os 50 camelos. Dá-lhe uma surra. Disse-lhe ter ficado
insultado pois afinal achava que valia pelo menos 70 camelos. Pegou um deles e partiu
seguindo os sinais que a abelha lhe mandava.
Na mesquita, seguia a habibada calmamente, sem sapatos e de
traseiros para cima. O cheiro de chulé era atordoante. Os puns, pior ainda.
A abelha mostrava El Fetid descarregando bombas, não havia
tempo à perder. O grande Imã En Rolad ia morrer.
Mas era sábado, e como nos sábados não se trabalha,
Castanho não quis nada mais fazer.
As bombas explodiram, mataram todos, o Imã, o Sheik,
algumas freiras que por lá passavam, dois padres e até um tibetano gay.
Castanho se salvou sem querer.
Foi recebido como herói em TelAviv. Ganhou uma passagem grátis
para o Brasil para se aprofundar nos estudos da apicultura tropical, o própolis
do amanhá.
Em São José dos Campos usou de cobaias locais para criar um
própolis transformante, homens em abelhas.
Isto será o tópico da próxima aventura.
Até então.




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