domingo, 7 de julho de 2019


OS ESPIÕES DE BELZEBU


 As coisas não andavam bem no andar de baixo. Depois de reuniões sucessivas o grande chefe chegou à conclusão que praga não morre.

Olhou para cima, depois da Terra, no azul do céu, pensou, e disse: “Não adianta nem câncer, eles não morrem mais como antigamente. Não quero pedir ajuda à turma do alto. É vexame demais.

Convocou o conselho.

A capetada compareceu em massa. Andavam meio gordos, os tridentes enferrujados, não assustavam mais ninguém. O Tinhoso andava de mau humor. Não somos mais os mesmos, bradou.

Um capetinha mais jovem, daqueles que havia cursado a escola de um tal de PT, sugeriu enviar uns espiões bem escolhidos lá para cima, na Terra. Tinham de descobrir por que não desciam mais os clientes do inferno. O lugar já parecia casa mal assombrada.

Belzebu, com sua voz soturna, ficou de pé e conclamou: “ Faça-se o plano do jovem capeta. Vamos enviar nossos melhores espiões. Que voltem com resultados, não tem mais graça ficar fritando os mesmos caras todos os dias.”

Cinco foram escolhidos, quatro capetas machos e um fêmea. Esta última, Maria Satânica tinha se formado em Langley, na CIA. Era a fina flor da diabada. Os outros quatro eram todos cubanos treinados na Venezuela. Tinham sido do programa “Mais Médicos”, peritos em diagnósticos errados.

Partiram para cima depois de uma festa de arrancar rabo de capeta. Eram a esperança de dias melhores.

Maria Satânica foi para o Brasil. Ficou embasbacada. Lá tinha ex-president(a) que tinha câncer e não morria, tinha outro que já havia sido presidente, condenado, que também tinha a doença, não morria e continuava pentelhando à todo vapor, um cadáver insepulto. Tinha ladrão de tudo quanto é jeito. Eram ladrões de bilhões em treinamento para trilhões. O povo lá era frito, assado, churrascado todos os dias. O pior é que continuavam à votar neles, de novo. Descobriu que gostavam de ser torturados, por isso, já não tinham mais vocação para ir aos infernos.

Tirou fotos, fez relatórios, escondeu tudo na calcinha. Foi pega pela PF. Acharam que era do PMDB, jogaram-na no xilindró, foi estuprada pelos guardas e pelas coleguinhas de cela. Teve de virar lésbica para sobreviver.

Após muito esfôrço e depois de se prostituir oficialmente, conseguiu que seu cafetão, líder da bancada do PP, enviasse os dados para a turma lá de baixo.

O primeiro dos quatro cubanos se chamava Infidel Castrado. Era inclinado ao lado de lá. Infiltrava-se pela LBGT, sabia de tudo. Descobriu que 99% dos deputados e senadores gostam de aventuras flexíveis. Trocavam com mulheres, homens e até com alguns animais. Ali, na cama, contavam tudo. Indicaram a preferência pela desgraça que criavam. Por que iriam para o inferno? Podiam sacanear todos, podiam ser sacaneados por todos. Gostavam mesmo é de sacanagem. O inferno já estava retrógrado, só tinha fogo, churrasco de partes íntimas, espetadas de garfos no traseiro. Aqui, na terra a sacanagem era muito mais versátil.

Belzebú leu, enfureceu-se, esperneou e encomendou uma empresa de consultoria islâmica, especialista em decapitações, para melhorar o leque de opções infernais.


O segundo cubano se chamava Chávez. Não era do tipo maduro, era mais jovem, mas sabia conversar com passarinhos. Fumava baseados. Estava ultrapassado. Quando aterrizou na Venezuela teve de comprar umas drogas do enteado do El Presidente. Foi preso com ele, enviado para os States e virou servente de uma igreja evangélica especializada na extração de belzebus.

Seu relatório foi um fiasco. Dele o grande Belzebu só extraiu o fato que os tais evangélicos eram muito piores do que os exorcistas. Davam porrada com a Bíblia na cabeça da vítima. Assim, não há belzebu que aguente!

O terceiro cubano era meio árabe. Tinha barbicha e tudo. Chamava-se El Fresco. Fingia de macho mas era homo mesmo. Gostava de fazer rodinha nas praias muçulmanas onde não existem mulheres. Dançava de mãos dadas com um bando de homens vestidos de saia. Mas falava arabique.

Foi parar na Síria. O Califa, que era tarado, passou o bicho no papo. Soltou-o no meio de um bombardeio francês. Os franceses estavam um tanto ao quanto “pissed off”  (putos, mesmo) com a turma lá do deserto. Soltaram mais bombas do que as melancias de um caminhão cheio delas. Caíram todas no coitado do El Fresco.

Meio em frangalhos foi ver um espetáculo decapitante. Diversos fanáticos muçulmanos, com turbante e tudo, facões nas mãos, gritando cânticos jihadistas, cortavam cabeças para tudo quanto é lado. No final, já havia uma pirâmide de cabeças tão grande quanto as de Gizé.

Chegou a conclusão que os tais islâmicos não servem para o inferno. Já imaginou se numa das orgias locais aparece um deles e se explode tudo, levando o grande Satanás no bolo? Estes caras não têm disciplina...

O último, mas não menos importante capeta-espião era um cubano filho de venezuelano com uma norte-coreana. Chamava-se Kim Fidel Yung, o primeiro. A mãe havia transado com um líder italiano em uma das festas Bonga-Bonga, pode até ter sido filho dele. Falava igual a pobre na chuva.
Entrou pela fronteira com a Coreia do Sul.

Não se deu bem. O grande líder local mandou fuzilá-lo. Arrumou um batalhão da artilharia, apontou o canhão, e mandou bomba. Foi pedaço de diabo para todos os lados. Felizmente para ele, capeta não morre. Depois de uns trinta minutos conseguiu juntar as partes e colou tudo com super cola.

Sugeriu ao mestre do mal adotar a prática norte-coreana. A turma de lá estava tão treinada nas execuções que não viam nenhuma vantagem em condenar ninguém aos infernos.

Belzebu chorava. E olha que não fica bem capeta chorar. Mas não tinha jeito. O negócio era fechar o inferno e mudar para cima, na Terra.

Chamaram a Lusitana, afinal o mundo gira e a Lusitana roda. Levaram tudo para cima. Se filiaram ao PT, compraram Bíblias para dar porrada nos outros, uns canhões para explodir os condenados, só fumavam charutos cubanos e contrataram jihadistas sedentos por pescoços inteiros.
                                                                                                      
Aí, veio a grande ideia. Pegou o telefone, com muito custo, ligou para o tal de Deus. Contou a história toda.

Deus, que já estava danado com as coisas mais infernais da Terra e não estava satisfeito com a competição dos locais com a instituição diabólica que ele havia criado, concordou com Belzebu.

Com um único decreto celestial, extinguiu o programa das 72 virgens, cassou o registro do PT, fez mofo crescer nos charutos do Fidel, enferrujou as facas dos islamitas,  proibiu o passarinho de falar com o Maduro e dedurou a Dilma e o Lula para o FBI.

Uma sacanagem digna dos infernos!

Belzebú nunca esteve tão feliz...





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