terça-feira, 9 de julho de 2019


A GAIOLA DOURADA


Não sabia que era um pássaro. Ave rara, emplumada.
Vivia feliz pois se achava livre. Entre cores de suas penas e penas de suas cores pululava de galho em galho sempre a trinar.
Cantava, compunha, voava. E em voos mil se sentia um dono do mundo.
Curioso, via nestes voos uma gaiola dourada à brilhar, pendurada na varanda de um bangalô.
Atreveu-se dela se aproximar. E nela adentrou…
Não se sabe se nela ficou, se ela fechou, se dela gostou.
Mas, dentro dela se sentiu confortável. Comia, bebia, cantava, pulava. Só não voava…
A bela que o adorava gostava de suas plumas, de seu canto. Pela bela ficava nela, a gaiola, que brilhava aos raios do sol poente, dourada que era.
Mas um pássaro é livre, quer ser sempre livre. Sem seus voos ficou triste. E pássaro triste não canta, então, não encanta.
A bela sentiu que não mais o tinha, abriu as portas da casa dourada. Deixou que procurasse aquilo que o fizesse feliz, deixou-o livre, a voar.
Mas o pássaro alegre, de muitas cores e canto sutil sentiu a ausência da bela musa que lhe dava o amor. Voltava de vez em quando e de quando em vez cantava, de fora da gaiola, na janela, nas tardes de outono.
A gaiola abandonada se enferrujou. Seu brilho de ouro apagou, suas portas caíram, suas grades partiram. Mas o pássaro cantante com suas penas brilhantes feliz saltitava, e, em trinados alegres dizia à musa que dela, longe não ficaria.
Acabou-se a gaiola, ficou a janela, e nela, o pássaro livre a amar a musa que o amava, a bailar suas asas ao vento das montanhas, a cantar seus cânticos de um amor que só existe quando livre se é, quando livre se dá.
E a musa, dia após dia, feliz esperava a visita daquele que seu coração conquistara.
E o pássaro livre mais lindo cantou…
E o pássaro livre nunca mais a deixou…



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