PINTOR QUE PINTAVA
Pintava tudo.
Era um pintor.
Até as paredes que pintava
as fazia com amor.
Na loucura de pincelar se perdeu em movimentos
loucos, sem sentido.
De início, paredes brancas, no
fim, nada, somente latas de tinta…vazias…
Mas, quando o fazia era ao som de um
samba. Um samba louco que ritmava movimentos bailantes de um pincel maluco numa
paleta confusa.
Pois era um artista.
Cada pincelada um ato de fé.
Cada detalhe, de tão intrincados, ninguém os via…nem ele mesmo.
Não o fazia por dinheiro.
Queria cores em tudo, se sentiu dono
do arco iris.
Obras de arte, paredes vibrantes,
vivas, pulsantes.
Somente ele, e ele somente, fazia do
nada um tudo, do branco, o por do sol, do negro, a luz da lua.
Pintava a água. Difícil, pois movimentava.
Pintava o céu, quase impossível, pois sempre mudava.
Pintou a amada, não sentiu nada. Tentou a luz pintar, mas nela, a tinta não pegava.
Tinha brochas, pincéis, espátulas. Paleta de cores
mil. Tinha um jaleco surrado que de tantas cores impregnado ficou engomado.
Mas o seu pintar, cada vez mais clássico, se perdeu em Beethoven. Na quinta enlouqueceu.
Pintou tudo. Pintou a si próprio.
Na cadência dos acordes, seu
pincel, como uma batuta maestral, desenhava borbulhantes cores que se
espalhavam pelo mundo.
Em tintas afogado, deu seu último suspiro.
Como a luz, fruto de todas as cores,
desapareceu.
Todas as misturas de cores do mundo,
em pinceladas mexidas na luz se fundiram, e nela, o pintor se entregou, e em
luz assim se transformou…
Excelente, vibrante, colorido como no conto.....
ResponderExcluirfoi bastante legal escrever este conto, era como se os pinceis se fundiam no teclado do computador...
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