O
FLAUTISTA
(homenagem ao meu cunhado Paulo, que até
hoje toca flauta deste jeito)
Ganhou
uma flauta doce.
O som
era macio. Notas leves à voar, enchendo os ouvidos em desarranjos que não sabia.
Achou-se
o máximo.
Flauteava.
Mas,
flauteava sem saber o que fazia. Somente produzia notas que não se achavam
entre si.
Na
dissonância se achava Mozart.
Pensou
que olhavam para ele porque era um músico.
Pensou
que era o maestro que jamais havia existido.
Pensou
que era um virtuoso.
Mas
virtude não tinha.
Somente
um bando de deletérios acordes que assustavam quase tudo que vivia.
Sentiu
que o seguiam. Teriam, enfim, aprendido à apreciar seu gênio?
No
flautear podia se ver seu sorriso maroto de felicidade plena.
Queria
saber quem o seguia, até onde iriam. Tinha receio que se olhasse perderia sua mágica
concentração, o feitiço do momento.
Andou,
subiu, desceu, por campos passou.
Ainda
era seguido…
Num
ato repentino, de vontade e curiosidade, parou. E virou-se…
Viu…
Todos
os ratos da cidade o seguiram…
Por
isso sorriram quando passava…
Não
era por sua música.
(Nem o pied piper de Hamelin)

Nossaaa poderia ganhar uma grana limpando as cidades por onde passava...
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