MOTO CONTÍNUO
Dedicado à Sheila van Leyen, no dia do amigo {julho 2017}
1.
Nasceu
pequeno, chorando, pedindo só amor.
Um
pedaço de dois, cheio de carinho e calor,
Alí,
sozinho, com o mundo esperando.
Um senhor
daquele espaço, à procura um abraço.
Passa
o tempo, passa a vida, passa sempre pra frente…
E, como
um trem, passa dolente…
Vai
devagar, para aquele pequeno,
Que
sem paciência quer ser logo velho.
Não
sabe ainda, que mundo bonito, também tem veneno.
Não
ouve seus pais, não gosta do espelho.
Quer o
vento tomar, empurrar o tempo, sem tempo…
Pro
tempo esperar…
Passa o tempo, sopra o vento…
Passam amores, desamores.
Ficam beijos, ficam lágrimas…
Choram sonhos, sonham flores.
2.
Num
momento do tempo, soprou-lhe um vento,
De
momentos felizes, alegrias e alentos.
Amores
achados, amigos amados,
Embevecido
ficou, inebriado de amor…
Em
falsos abraços achou seu espaço.
Não
era o de fato, mas sim sem calor,
E dos
amores verdadeiros, dos acalentos ardentes,
Ficou
só o gelo, da falsa ilusão…
Que o
mundo de então era só perdição,
Sem o
brilho da luz, de uma estrela cadente.
Passa o tempo, sopra o vento…
Alegrias e sorrisos,
Ficam memórias, ficam brilhos,
Choram amores e amadas…
3.
E
então o tempo com seu vento,
No
trem da vida, ficou velho, ficou lento.
Mas o
pequeno menino, de pressa apressada,
Mais
velho ficou, perdendo, com a pressa,
O amor
que passou…
Chorou,
não se achou, seu corpo vergou,
Amigos
perdidos, amores fugidos.
Nas lágrimas
vertidas, somente o suspiro,
Num
copo de um bar, num brinde sem gosto,
Num
enterro do amigo, chorou de desgosto…
Passa o tempo, passa o vento,
Chora a alma, choram dores,
Amigos achou, de todos fugiu.
Choram sonhos, choram amores.
4.
Mais
frio no tempo, seus brancos cabelos,
Voam
ao vento procurando modelos,
Que ainda
lembrava, menino, brinquedos,
Nas
barras das saias de quem sempre amou,
Que
com alvos cabelos com carinho o beijou,
Acariciou
e deixou, a saudade infinita,
Que
sua alma criança em carícias infindas,
Marcou
de tristeza, com aquela beleza,
Que
agora sabia, não mais voltaria,
Num
pranto de dor, chorou e sentiu, perdão lhes pediu…
Passa o tempo, passa o vento,
Esfria a alma e o coração.
No velho da vida, sentiu esperança,
Choram sonhos, choros de criança.
5.
No
ocaso tão triste, da vida partistes,
Deixando
uma prece, achou que sorristes,
Mas
quando perdido encontrastes,
Uma
outra porta abristes,
Para
nela saber porque tu existes,
Pois a
vida querido, é uma coisa partida…
Em
pedaços de dor e em bocados de amor…
Nunca
acaba, só passa…
Para
outro pequeno, com seu choro escaleno,
Fugir
do veneno, que o tempo sereno, certamente trará.
Passa o tempo, passa o vento,
Nasce outro lindo rebento,
Ficam amores, ficam amigos,
Sonham sonhos infinitos, sonham sonhos mais bonitos…

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