quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

THE QUANTUM GRID



Capítulo I

ORWELL ESTAVA QUASE CERTO

Como em Orwell’s 1984, “era um dia frio e luminoso”…um pouco diferente num mundo onde tudo escuro era, em uma metrópole de um futuro não tão distante, onde Big Brother nunca se materializou, mas existia no controle cibernético da “Nova Ordem”.

Eu era um arquiteto deste novo Estado. Quase não trabalhava, mas tinha meu papel bem definido no Conselho Urbanístico onde a inteligência humana se interagia com a artificial.

O mundo mudou. O advento da inteligência cibernética tão anunciado por Hawking chegou mais cedo. A fábrica da sociedade rompeu-se com os dogmas antigos. O trabalho reduziu-se, substituído por máquinas e entidades inteligentes, atuantes e decisivas.

O comportamento humano foi alterado.

O consumo regia a sociedade. Máxima capitalista, prática e efetiva. Com o desaparecimento de empregos tradicionais o homem reduziu suas horas de labuta ao simples trocar de trabalho por créditos registrados em seu e-pad simbiótico. Cumpria tarefas mínimas, geralmente complementares àquelas elaboradas pelas máquinas. Quando realmente intelectualmente superior, galgava os caminhos da intelligentsia, gestora suprema. Quando não, ou desajustado, era relegado aos porões da sociedade.

Como uma sociedade regida pelo consumo determina, a “Nova Ordem” era composta de dirigentes das mega corporações. Viviam num extrato iluminado, longe de todos e de tudo, cercados, protegidos e detentores de fortunas incalculáveis. Políticos deixaram de existir, democracias desapareceram.

O Conselho Supremo decidia o futuro. O presente era uma cesta de entretenimento e alimentação, pão e circo, distribuído para todos. O consumidor tinha que existir, era a razão da sociedade. E era o que acontecia…

Máquinas pensantes, tecnologias incríveis, a vida um exercício de gula e luxúria que embora fascinante, nem todos nela se encaixavam.

Nos escuros das cidades enterradas e verticalizadas viviam os desajustados, aqueles que fugiram ao entorpecimento da Nova Ordem. Se perderam no vício da nova droga, Fornicália, a viagem ao prazer. Mas onde o capital impera, até no vício faziam seus lucros. Se eram produtores de custos à sociedade, eram deixados para morrer, de overdose. Assim determinavam as máquinas.

Mas, realmente, “o dia era frio e luminoso, em abril, com relógios à marcar 13 horas” e eu, ali cheguei, no Quantum Grid.

Meu trabalho gerava créditos suficientes para poder usar a novidade. Quantum era um conjunto de cubos de lados quadriculados onde em suas interseções corriam os tubos de energia quântica que eram capazes de formar hologramas tão perfeitos quase reais ao toque.

O usuário escolhia o programa, adentrava e esperava pela sintonia da máquina com a estrutura de seu DNA. À níveis quânticos, nas áreas das espirais que guardavam a capacidade de agir telepaticamente e pular dimensões, em uma forma simbiótica, o programa escolhido interagia com os neurônios do indivíduo gerando sinapses, formando imagens no cérebro e ao seu redor, em hologramas nos quais o enredo escolhido se desenvolvia. Quantum “teleportation, telepathy e entanglement”, a níveis do DNA humano, ou as hipóteses do futuro, transformadas em realidade pela inteligência artificial.


Era o sonho real, materializado.

A máquina ajustava o programa ao pensamento do usuário, tornando-o quase verdadeiro. Poder-se-ia viajar pelo universo, ser um piloto de fórmula 1, um lutador, um atleta. Qualquer programa escolhido interagiria com a pessoa. 

Sensações de alegria, dor, perigo e até de morte eram possíveis, mas paravam no momento em que passavam a representar perigo de fato.

Eu tinha tempo. Só iria ao Conselho no dia seguinte. Havia um projeto de expansão das programadoras de inteligência artificial. As máquinas precisavam que estudasse as opções e justificasse a escolha, sob o ponto de vista humano. 

Eu era esta pessoa.

Na entrada, após registrar meu e-pad e ter os créditos transferidos escolhi o programa que me interessava. Queria tomar uns drinks com alguém iluminado, em um bar, um romance antigo, nostálgico e mágico. Escolhi Gigi, e entrei no Grid.

O espaço quadriculado em todas as direções me fez perder a noção de onde estava. Lentamente formas foram se materializando. Primeiro os contornos, depois o mobiliário, por fim as pessoas… e eu…estava em um pub inglês, do século XX.


Aproximei-me do bar e pedi um negroni. Sempre havia sido meu drink preferido, mas ali, naquele bar, cujo balcão era de vidro espesso, o azul da luz que o iluminava contrastava com o rubro do meu drink e o escuro do lugar. 


Uma combinação de cores deliciosa, como os lábios vermelhos da bela que apareceu ao meu lado. Uma combinação mágica.

Divina…loura, olhos azuis profundos, celestiais.

Perguntei-lhe o nome.

Respondeu com uma voz adocicada: “Gigi.”



Tomorrow: Second Chapter  GIGI
The plot thickens!

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