sexta-feira, 8 de dezembro de 2017



THE NEW ERA


Capitulo IV
THE QUANTUM GRID


Conheci a verdadeira Gigi.

Não soube o que falar para ela. Tudo que pensava eram frases, daquelas que assustam qualquer moça. Limitei-me a sorrir e ela, sorrindo de volta, disse-me que meu sorriso era lindo.

Não queria que ela pensasse de mim como um voyeur. Afinal, eu me utilizava de programas que ela havia criado e, no mundo virtual, muitos preferiam se aproveitar das perversões que as programações permitiam. Ela provavelmente as havia incluído no leque de alternativas. A que havia selecionado era romântica, lúdica, inocente.


Perguntei-lhe o que precisava no novo projeto. A conversa se desenrolou leve, profissional e até um pouco distante.

Em um determinado momento deixou escapar um pedido de desculpa. A princípio não entendi.

Perguntou-me se não tinha medo de me apaixonar por um sonho.

Disse-lhe que não. Mas disse também, que se o sonho se materializasse e a amada fosse real, provavelmente apaixonaria, de fato.

“Por que você me pergunta?”

“Não quis encontrar com você, na segunda vez, respondeu.”

“Mas isto não é possível… No Grid você era virtual. Eu interagia com um programa…Somente um sonho…”


“Nao conte para ninguém…meu programa volta para mim, conversa comigo. É minha melhor amiga, contou-me tudo sobre você. E eu gostei…”

“Isto não é possível, retruquei, repetindo-me”

“As máquinas não permitiriam esta interação. A Gigi que conheci mostrava emoções. São sentimentos e isto não existe na inteligência artificial.”

“A emoção vinha de mim…” respondeu com o mais doce sussurro.

“Como”?

“Quando criei o programa eu o fiz para um quantum entanglement. O DNA do usuário se interagiria com o holograma, teleportando o que havia criado em um outro programa montado em níveis telepáticos. O feed back vindo do grid me deixou vê-lo telepaticamente e eu, gostei do que vi. Gostei mais ainda quando me tratou como mulher e não um objeto de prazer, gostei ainda mais quando me apaixonei.”


“O Conselho Supremo não sabe que isto existe. Nem as máquinas que uso”.

“Consegui separar as sinapses emotivas. As máquinas sabem que existem mas não as entendem. Assim passam ao largo, como memórias não registráveis em seus bancos”.

Estupefato! Flabbergasted! Atônito! Befuddled!

Era a mais brilhante coisa que havia ouvido em minha vida…e ela…me amava.

EPÍLOGO


As máquinas não se emocionavam e o homem caminhava para o mesmo. Não havia o colorido de viver, a intensidade de amar, a surpresa, o mistério. Era um viver na luxúria e na gula. Pecados capitais de um passado não tão longínquo. 

Mas pecados não mais existiam, nem as igrejas sobreviveram. Embora a capacidade de viver tivesse aumentado, ainda não era eterna. O único mistério existente era o da morte. Mistério que fazia os que tomavam fornicália se aproximar de desvendá-lo. Morte, para as máquinas era como uma porta…quando uma se fecha, outra se abre…


Não se podia amar ninguém. As máquinas não compreendiam emoções. Para o que não se compreende, nada melhor do que erradicação. E elas o fizeram.

Mas Gigi deixou as emoções entrarem em seus programas.

O que ela permitia não era possível ser pedido. Somente ela, e ela somente, abria as portas para esta interação. Havia necessidade que a Gigi virtual voltasse à criadora para gerar as sinapses da emoção. Gigi havia retirado as minhas, a nível quântico e as fundido com a etérea versão de si própria. Algo brilhante, nunca experimentado. Disse-me que havia se utilizado das propriedades trans mutacionais do DNA. O caminho para outras dimensões, o tempo, universos paralelos. Era física quântica no mais alto nível. Era Einstein dizendo que não há passado, presente ou futuro…o tempo existe em todas as suas formas, simultaneamente… Era brilhante…

Disse-me também que não mais nos poderíamos encontrar.

Uma imensa tristeza se apoderou de mim, mas ela, docemente falou:

“Nos veremos sempre no Grid”.

Voltei ao Conselho concordando com os planos apresentados. Justifiquei maiores investimentos nas acomodações dos programadores. Pedi para acesso à tecnologias maiores. Via no Quantum Grid a possibilidade de maior interação homem/máquina, vi maior harmonia. Com isso ganhei um enorme bônus de créditos extras que me levaram a poder encontrar Gigi quantas vezes quisesse. 


Estava feliz…

No Grid me encontrava, amava, me sentia realizado. Tão intensas eram as emoções entre nós dois que, naquele momento, achei que o mundo em que vivia era perfeito. De todas as minhas interações com Gigi a que mais me abismava era a sexual. Perfeita, inteira, inacreditável. Simulações virtuais nunca chegaram ao nível de se sentir, de experimentar o tato. Eram sensações que brincavam com a mente. O físico estava longe de ser real, mas ali, no Grid, com Gigi, era a realidade, por mais irreal que fosse.

Trocávamos ideias, fazíamos planos e falávamos até em vivermos juntos. 

Queria me iludir achando que era verdadeiro. Mas as surpresas não terminariam em lúdicas promessas. Em uma frase simples me disse:

“Estou grávida!”

Não sei se fiquei extasiado ou bestificado. Havia uma incongruência não explicada. Como?

Eu era real, ela virtual…

Aquela ela, que era real, não vivia ao meu lado, Vivia no mundo dos programadores. Eu, no Grid, nos sonhos, nas emoções do amor por Gigi. Como uma criatura virtual poderia se engravidar, de fato?

Consegui permissão para visitar Gigi. O Conselho gostava dos resultados que o novo projeto havia conseguido. Era bem vindo.

Quando me viu nos abraçamos e beijamos num momento intenso, interminável. Ela sabia que eu viria, sabia as respostas.


Os tubos quânticos agiam como um acelerador de partículas. Não transportavam matéria, somente energia. Tempo e dimensões se abriam e nestas aberturas tudo era possível. Assim o virtual se encontrava com o material e este, desmaterializado, era transportado através de portais. Eu e Gigi nos havíamos fundido, em um só, em outra dimensão. A criança que nasceria seria capaz de se conduzir através das 11 dimensões existentes. Teria também a capacidade de penetrar em mundos paralelos. Era a mistura perfeita da inteligência humana e das máquinas,

Era o futuro, o limiar de uma nova era onde seríamos criaturas do universo, imortais, indestrutíveis.

Criaturas perfeitas. Homem e máquina, artificial e real. Criaturas que se teletransportavam pelo universo.

A humanidade estava salva. Os programadores já trabalhavam em um Grid gigantesco que envolveria tudo e à todos.

Gigi seria lembrada como um anjo.


Osíris Rex havia nascido.

Inspiration:   1984 of George Orwell’s, Matrix, Cloud Nine, Star Trek and all the bright minds of quantum physics scientists… a trip into the imagination of man.
To my friends Architects, of the class of 1968

                                                      THE END


Um comentário:

  1. Gigi
    Tu és formidable; un revê d’amour!

    Envolvente narrativa, Bro; keep them coming!

    ResponderExcluir