VISÍVEL, INVISÍVEL
Não
mais a via, mas era visível. Ou seria invisível se realmente visível não estivesse.
Estava,
em minha mente, no retrato à cabeceira, no vazio da cama, no álbum de recordações.
Sempre
fora visível, uma doce aparição, real, quase de fato, quando de fato já teria
sido, e foi... Mas era, na realidade de agora, invisível. Pois visível havia
sido, hoje não mais…
Ver
e não enxergar. Ver e sentir, sentir sem tocar, sem perceber, sem acontecer.
O
tempo é finito, somente infinito quando existe no relativo do universo. Mas,
para os que somente vêm quando alí está, é finito, pois se não é visto, é invisível,
se é invisivel, não se enxerga.
Hoje,
invisível é. Hoje não a vejo, mas sei que lá está. Então a vejo em meu coração…
Mas
no visível da vida um outro amor, real, visível de fato, chega, e ao chegar,
ocupa o espaço, a mente, o novo porta-retrato. Visível fica e visível é.
Então
o invisível passa o tempo, na prateleira da saudade e o visível ocupa o abraço
apertado. Na mente, saudosa por não ver o invisível e ver o visível, me perco
de amores, me acho nos desejos, passados e presentes…me encontro…
Nos
sonhos vejo tudo…
Até
o invisível.

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