O
Paradoxo Temporal
Capítulo V
(trip to nowhere, um conto sobre viagens à
outros mundos)
O paradoxo temporal se iniciara. Uma onda
gravitacional varreu aquela dimensão.
A bolha se destruiu.
O homem como espécie não
tinha ainda evoluído. As criaturas jurássicas dominavam o planeta.
Ao ser expelido da bolha o gnomo duplicata
se materializou. Sua expressão de pânico era total. Ali naquele mundo inóspito
havia aterrizado na mesma região onde hoje permanece, ou seja no Arkansas.
Reconhecia o terreno mas lá não havia humanos, somente dinossauros e alguns
deles, os tais velociráptors o rodeavam.
Acredita-se que o gnomo do Arkansas
pereceu nas garras dos ditos cujos. Dizem, nos alfarrábios quânticos que era o
gnomo original…
O outro voltou à Conception of the Deep
Weeds. Não se lembrava de nada mas lá estava, em um universo no qual nada
existia em termos de vida humana.
Estava sozinho, perdido, sem sua guitarra,
seu cavalo, seus amigos.
Entendia tudo sobre a teoria dos mundos paralelos, mas
de nada lhe valia. Seu consolo era que tinha certeza que existia em outros
mundos, mas aquela versão dele, naquele universo, naquela Terra sem humanos,
era solitária, abandonada.
Rezou para que outro gnomo conseguisse fazer a bolha
passar por lá, em um outro tempo, o encontrasse e o salvasse.
Afinal, quando
escorregou e gerou o paradoxo, outro momento quântico se iniciou. O momento que
não aconteceu, aquele da bolha, que continuava à existir com os três gnomos
dentro, em outro universo.
Porém ali, naquele plano quântico, era ele,
e ele somente.
Naquela manhã, no dia seguinte a epopeia,
em Conceição do Mato Dentro, um cavalo arreado, com uma guitarra na sela,
entrou em passos lentos pela rua principal da cidade. Somente o cavalo, sem o
cavaleiro.
Gnomo havia desaparecido. Seus colegas
cavaleiros choravam desolados.
As noites de Conceição ficaram tristes, os bares
sem a alegre figura que os coloria fecharam-se em um luto etéreo .
Conception of The Deep Weeds havia perdido
seu gringo residente…
Minha filha, conhecedora da peça, somente
balançou a cabeça…
"Isto é coisa de gnomo, falou…
Tenho certeza que aparecerá, de novo…em
algum lugar…
Em outras bolhas do tempo."..
FIM







Conto interessante com uma visão da falta do existir, do ser. Muito bom.
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