quinta-feira, 30 de novembro de 2017

O PARADOXO DE MORFEU

Cinza, cinza, gray, eram as montanhas…
Névoa esbranquiçada, algodão do firmamento.
Chuva fina, fina piova, light rain…

Aqui, uma coisa linda…
Só um sonho, sonho cinza, de uma história infinda…
Mas porque sonho este sonho, se meu amor em seu sonho sonha?
E, no sonho dela sonha o meu sonho?
Só Morfeu explica…
Paradoxo de sonhos, encontro de devaneios…
Eu sonho seu sonho e você sonha o meu…


Sonhava…era uma noite gostosa, de chuva fina… 
Estava no seu fim, perto da manhã que se avizinha, bruma espessa, silêncio mudo.

Ela também. Não aqui estava, mas estava em sonho outro, nuvens brancas, o amanhã chegando, silêncio que falava nos bicos dos pássaros que encantavam o sonho louco, que era dela e dela não era…era meu…

Mas eu sonhava que outra era, não ela, mas outra bela, singela como ela, enrubecida pela nudez despida de pudor, mas cheia de amor.

E ela, nua em gaze envolvida, rodopiava ao som da dança silente de um sonho quente, de um amado outro, que outro era e não seu querido, que ali não era.

E ele fiel, não queria a diva, que despida implorava pelo amor insano. Pensou no preço do amor traído, do olhar em chamas, do silêncio rude, do desamor nascente.

A bela amada, sonhando com amado que não era seu, chorou feliz por sentir, em outras plagas, amor sincero, que era dela e não se apaga.

No abrir dos olhos, o cinza havia, a bruma fria e a cama vazia. Na casa ao lado, a cena igual, o calor infernal de uma certeza abismal.

Traíram ninguém, amaram tudo. No paradoxo, em braços de Morfeu, sentiram mais amor e, juntos, em um abraço infinito, esperaram pelo entardecer, onde as cores do sol, nas nuvens de primavera, trariam o verão que tanto esperavam.


Morfeu sorriu…
Nos seus braços sentiu…
Que o amor de verdade,
Não tem idade, tem cumplicidade,
A reciprocidade…
De apaixonados, amados,
Que perdidos,
Em um paradoxo sem fim, se encontram rendidos
Em explosão de calor,
Em seu abraço sedutor…


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