SEM EIRA E NEM BEIRA
À época do nosso barroco, com suas edificações
pintadas de branco e janelas gentilmente coloridas, definia-se a qualidade
destes prédios pela existência de beirais múltiplos,
ornados ou não, como sinônimo do ‘status’ financeiro de seu proprietário.
Assim, uma casa com muitos níveis
de beirais era aquela de quem tinha dinheiro na algibeira, a de menos volutas
seriam dos menos abastados e as sem beirais, as tais sem eira nem beira, ou
aquelas dos mais pobres.
O coletor de impostos tinha sua vida simplificada,
pois o simples olhar lhe dava o direito de taxar para mais ou menos.
Mas independentemente de terem ou não
terem beiras as edificações eram rebocadas e caiadas de branco. Assim,
harmoniosas, ilustravam a paisagem mineira.
Com a expansão e modernidade(?) de
nossas cidades os sem eira e nem beira optaram por não
rebocar suas casas. O que se vê é um conjunto eternamente inacabado. Os impostos
continuam a aumentar até para os sem eira nem beira mas o exemplo vem de cima,
de um poder público que se preocupa em arrecadar e não
de arrumar. Isso não é de hoje nem de ontem. Há mais de 50 anos o edifício
Dantés, em pleno centro de Belo Horizonte, ainda não
recebeu sequer uma mão de rebôco, quiçá de tinta. Será que vivemos em uma cidade sem eira e nem beira?
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