terça-feira, 2 de maio de 2017

VÔO PARA OUTRO MUNDO



Dormir é bom. Melhor  quando se sonha, muito melhor ainda quando o sonho é fantástico.

Dizem os espíritas que quando dormimos podemos nos desprender de nossos corpos e viajar por dimensões incríveis. Há sonhos com nexo e também os sem nexos. Quando o sonho é uma estória completa não interessa a realidade do mesmo ou a fantasia em excesso. É um verdadeiro sonho sonhá-lo.

Sonhei. Era um sonho de um sono longo, a noite era quente mas a cama convidativa e macia, era como os braços de uma amada dos quais não queremos sair. Nele mergulhei e me senti leve.

Voei pela janela, nem roupa tinha, não sentia o vento, não sentia frio. Mas voei...por cima de fios, por debaixo de árvores, alto no espaço, baixo ao rés do chão. Voei rápido, voei lento, espiralava ao redor de mim mesmo, ia onde queria.

Ví uma cidade ao longe. Era pequena, iluminada por lampiões à gás. Casas de madeira, tijolos nas ruas, cestas de flores nas janelas...um presépio.

Lá estava, continuava nú em pêlo mas ninguém notava, nem eu mesmo. As portas de um bar se abriram, um “pub” à inglesa, convidativo, barulhento e alegre. Pedí um “straight up”, nunca tomei um escocês tão bom, descia como o vento, subiu como um torpedo.

Não sabia que poderia me embebedar em um sonho mas neste, sendo tão real, tinha os mesmos efeitos dos bares da realidade. Pedí outro. As divas da noite se acercavam. Exalavam perfumes que entorpeciam, seduziam, cantavam com vozes de sereias...me perdí, não queria mais voltar.

Na irrealidade deste mundo tudo era certo e tudo era errado. Errado quando pensava que de onde vim era certo. Certo, quando naquele lugar me sentia mais perfeito, mais correto e mais despido de tudo, inclusive de roupas. A irrelidade, às vezes, é mais real, mais convidativa.

Morfeu me abandonava. Não queria, mas precisava voltar. Para que eu não sei, sonhos são assim mesmo, quando acabam, deixam-nos na mão. Não sei se voltei voando, sei que acordei e queria retornar, não à realidade, mas ao sonho onde nada tinha, nem mesmo roupas, ao tudo que lá tinha, naquele bar, naquela cidade, naquele sonho.


Vou voar de novo.

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