COMO
SILENCIAR UM HINDU
(aventuras do
Tirano)
Lá pelos idos 70, em São Paulo, morava o famoso Tirano
em apartamento, no Sumaré.
Herói que já era, jurou defender a honra de sua amada
Dantuzza. Disse-lhe uma vez: “querida nada de mal poderá lhe atingir, eu
estarei sempre pronto a salvá-la.”
Morava no décimo primeiro andar. Acima, no décimo
segundo entocava-se um hindu de hábitos estranhos. Ouvia suas músicas de
instrumentos exóticos, uma mistura de cordas com percussão de tambores, sinos e
reco-recos indianos.
Bebia muito este hindu. Cervejas e outros líquidos etéreos.
Ficava com a porta aberta, ouvindo sua música e bebendo igual a um gambá.
Jogava as latas pela porta, mirando a escada. As latas rolavam e aterrisavam em
frente ao apartamento do Tirano. Batiam na porta e causavam medo à sua amada.
Um dia, chegando em casa a encontrou à chorar.
Indignado procurou pelo seu melhor e maior martelo e subiu com olhos
esbugalhados, espuma na boca e dentes em riste. Com um chute só (coisa de
tirano enfurecido) pôs abaixo a porta do dito cujo hindu.
“Miserável hindu,
disse êle, você aterroriza minha doce Dantuzza. Vou exterminá-lo!”
O coitado, bêbado e escornado molhou suas calças. O
Tirano implacável e enfurecido martelava sua eletrola produzindo piorras, válvulas,
engrenagens em peças mil à voar pelo apartamento. De vez em quando brandia o
martelo sobre a cabeça do mesmo. O terror era total.
Não satisfeito, atirou a eletrola do décimo segundo
andar. Esta em um vôo rápido espatifou-se no asfalto, em baixo. Por sorte não
atingiu ninguém. Desceu a escadaria loucamente, como um projétil desgovernado.
Em um tufão chegou ao solo e pulando como um orangotango pirado, esmagou o
resto da malfadada eletrola.
Subiu como um bólido. Nem arfava. No décimo segundo
chegou e mais uma vez se dirigiu ao estupefato hindu, ainda paralizado e
borrado. “Energúmeno, deserdado de Shiva,amaldiçoado por Vishnu, condenada
criatura, não entrarás no Nirvana. Nunca
mais faça isto, senão, voltarei para fazer o mesmo... Só que com sua cabeça”.
O filho de Brahma nunca mais produziu um som.
Dantuzza fora
salva.
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