CONSIDERAÇÕES SOBRE O OCASO DA
ARQUITETURA EM BELO HORIZONTE
Arquitetura, do latim architectura,
define a arte de criar espaços organizados por meio dos agenciamentos urbanos e
da edificação,abrigando diferentes tipos de atividades humanas.
Esta arte rege o equilíbrio das formas e funções destes espaços. Dá ao
conjunto a organização necessária ao bem estar
visual e psíquico do ser humano e traz a estética,
o balanço e harmonia destes entre sí e em relação aos demais.
Quando Belo Horizonte nasceu assim o fez com planejamento e bom gosto. Há
os que dizem que seu traçado não concorda com as características do sítio. E
devo concordar.
Entretanto, a cidade nasceu sob a égide de um plano que evocava a belle époque da arquitetura, com edificações
obedientes às regras de Andrea Paladio, o mestre do classissismo.
A cidade, dentro da avenida do Contorno obedecia a um rítmo de árvores
podadas em formas geométricas definidas. Os bondes, sua forma de transporte público,
trafegavam pelo centro das vias. Os passeios em pedras ou lajotas hidráulicas
deixavam a arborização ao rés do pavimento em paralepípedos, aos moldes
europeus. Bonita e romântica, Belo Horizonte cresceu.
A arquitetura das edificações ora em motivos neo-clássicos, ora em
expressões barrocas, deram lugar a tímidas peças em art deco por volta das décadas de 30 e 40. O colégio Marconi, a
sede da Arquidiocese, o deturpado conjunto Sulacap e o edifício Chagas Dória na
esquina da antiga avenida Tocantins e rua Sapucahy são alguns bons exemplos.
Com o surgimento do conjunto da Pampulha, a melhor expressão de Niemeyer, o movimento
moderno se iniciou. Uma pequena volta às raízes barrocas foi tentada quando
arquitetos mineiros sob inspiração do saudoso Silvio de Vasconcelos trouxeram à
vida a alma arquitetônica de Ouro Preto rapidamente sucumbida por expressão
pobre e retilínea de um pseudo modernismo que, desde então, jamais a abandonou.
Deve -se dizer que alguns dos arquitetos da época, notadamente Helio
Ferreira Pinto, Raul de Lagos Cirne, Fernando Graça e outros procuraram um
estilo que definisse a arquitetura da cidade. Exemplos são vistos ainda hoje na
Cidade Jardim e em edificações maiores no centro da cidade.
Por volta dos anos 60 até os anos 80 o brutalismo arquitetônico iniciado
por Paul Rudolph, nos Estados Unidos chegou ao Brasil. Uma pena, pois dele
ainda não saimos até hoje. Um dos piores periodos desta arte , no mundo.
Talvez pelo fato de nossas escolas de arquitetura carecerem de uma
doutrina definida sob o ponto de vista da plástica arquitetônica, este
modernismo cubista e desprovido de sabor prevalece sobre o belo. E belo não é
mais o horizonte. Pois ao expandir-se além de suas fronteiras originais
perdeu-se numa mistura de estilos que mais lembram os arredores de Beirute,
deformado, feio, tosco, nunca terminado.
Nossos nomes de hoje, os arquitetos do momento não sabem projetar. Suas
intervenções beiram à modernosas representações brutalísticas ou respalda em
formas modernas dignas de um filme de Jacques Tati. Mon Oncle vem a minha mente.
O estéril cubismo senta solene, nu, fraco e desprovido de bom gosto.
As recentes intervenções, em especial aquela do Mineirão, foram
infelizes. Neste, cortaram-lhe as
pernas. A desnuda esplanada que o circunda destruiu-lhe as proporções. Melhor
teria sido se o demolissem.
Ainda pior por vir, está o novo Paço Municipal. Alí veremos porque não
se deve fazer arquitetura sem respeito ao conjunto vicinal. Trocar a Feira de
Amostras pela rodoviária foi errado. Colocar em sua frente um prédio agigantado
é pior ainda. Espero que não o construam.
Queria que a bela Belo Horizonte do passado voltasse em alguma forma. Da
antiga restaram somente os cartões postais guardados em gavetas ou decorando
paredes de bares e outros menos dignos
locais. Que pena!..
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