quarta-feira, 5 de abril de 2017

CONSIDERAÇÕES SOBRE O OCASO DA ARQUITETURA EM BELO HORIZONTE



Arquitetura, do latim architectura, define a arte de criar espaços organizados por meio dos agenciamentos urbanos e da edificação,abrigando diferentes tipos de atividades humanas.

Esta arte rege o equilíbrio das formas e funções destes espaços. Dá ao conjunto a organização necessária ao bem estar visual e psíquico do ser humano e traz a estética, o balanço e harmonia destes entre sí e em relação aos demais.

Quando Belo Horizonte nasceu assim o fez com planejamento e bom gosto. Há os que dizem que seu traçado não concorda com as características do sítio. E devo concordar.

Entretanto, a cidade nasceu sob a égide de um plano que evocava a belle époque da arquitetura, com edificações obedientes às regras de Andrea Paladio, o mestre do classissismo.

A cidade, dentro da avenida do Contorno obedecia a um rítmo de árvores podadas em formas geométricas definidas. Os bondes, sua forma de transporte público, trafegavam pelo centro das vias. Os passeios em pedras ou lajotas hidráulicas deixavam a arborização ao rés do pavimento em paralepípedos, aos moldes europeus. Bonita e romântica, Belo Horizonte cresceu.

A arquitetura das edificações ora em motivos neo-clássicos, ora em expressões barrocas, deram lugar a tímidas peças em art deco por volta das décadas de 30 e 40. O colégio Marconi, a sede da Arquidiocese, o deturpado conjunto Sulacap e o edifício Chagas Dória na esquina da antiga avenida Tocantins e rua Sapucahy são alguns bons exemplos.

Com o surgimento do conjunto da Pampulha,  a melhor expressão de Niemeyer, o movimento moderno se iniciou. Uma pequena volta às raízes barrocas foi tentada quando arquitetos mineiros sob inspiração do saudoso Silvio de Vasconcelos trouxeram à vida a alma arquitetônica de Ouro Preto rapidamente sucumbida por expressão pobre e retilínea de um pseudo modernismo que, desde então, jamais a abandonou.

Deve -se dizer que alguns dos arquitetos da época, notadamente Helio Ferreira Pinto, Raul de Lagos Cirne, Fernando Graça e outros procuraram um estilo que definisse a arquitetura da cidade. Exemplos são vistos ainda hoje na Cidade Jardim e em edificações maiores no centro da cidade.

Por volta dos anos 60 até os anos 80 o brutalismo arquitetônico iniciado por Paul Rudolph, nos Estados Unidos chegou ao Brasil. Uma pena, pois dele ainda não saimos até hoje. Um dos piores periodos desta arte , no mundo.

Talvez pelo fato de nossas escolas de arquitetura carecerem de uma doutrina definida sob o ponto de vista da plástica arquitetônica, este modernismo cubista e desprovido de sabor prevalece sobre o belo. E belo não é mais o horizonte. Pois ao expandir-se além de suas fronteiras originais perdeu-se numa mistura de estilos que mais lembram os arredores de Beirute, deformado, feio, tosco, nunca terminado.

Nossos nomes de hoje, os arquitetos do momento não sabem projetar. Suas intervenções beiram à modernosas representações brutalísticas ou respalda em formas modernas dignas de um filme de Jacques Tati. Mon Oncle vem a minha mente. O estéril cubismo senta solene, nu, fraco e desprovido de bom gosto.

As recentes intervenções, em especial aquela do Mineirão, foram infelizes.  Neste, cortaram-lhe as pernas. A desnuda esplanada que o circunda destruiu-lhe as proporções. Melhor teria sido se o demolissem.

Ainda pior por vir, está o novo Paço Municipal. Alí veremos porque não se deve fazer arquitetura sem respeito ao conjunto vicinal. Trocar a Feira de Amostras pela rodoviária foi errado. Colocar em sua frente um prédio agigantado é pior ainda. Espero que não o construam.

Queria que a bela Belo Horizonte do passado voltasse em alguma forma. Da antiga restaram somente os cartões postais guardados em gavetas ou decorando paredes de bares e outros  menos dignos locais. Que pena!..



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