quarta-feira, 6 de março de 2019


CONTROLADO


Ela disse assim…
Você é controlador. Até de longe fica me controlando.
Por quê, perguntou ele?
Quer saber o que vou fazer, sugere, pergunta.
Verdade…
Não mais o farei, disse…meio atônito.
Sim, pois na verdade se sentia controlado.
Como pode o controlado ser controlador?
Via nisso um descontrole.
Se descontrolada estava a situação, seria isso falta de controle do controlado ou do controlador?
Não importa, o controle devia existir, se não, não diria que controlava.
Mas era um descontrole de fato. Um controlado descontrolado ou uma controlada em controle?
Ou seria um controlador controlando?
Não sei…
Acho que perdi o controle.
Me sinto controlado…


quarta-feira, 23 de janeiro de 2019


ESQUERDOPATIA



Doença terrível.
Afeta diretamente os neurônios. Redução drástica com impedimento de reações cognitivas.
Se alastra, pode gerar pensamentos e ideias estapafúrdias. Estocar vento e amar Lula se encontram entre os casos deletérios mais graves.
Tenho uma conhecida que é idioticamente esquerdista. Como os ditos mentem, hoje professa um amor pela direita que jamais teve e nunca terá. Assim se esconde entre a falsidade e o álcool que consome em talagadas gigantes.
Tipicamente estes indivíduos acometidos pela grave doença gostam de mentir. Falseiam diplomas, se dizem intelectuais, quando na verdade não passam de intelectualóides, citam os mais velhos ditames vermelhos para justificar suas posições injustificáveis.
Esta conhecida, também fofoqueira, finge que entende de alguma coisa. Até parece, pois de vez enquanto mostra um raio de lucidez. Mas, meus amigos não se enganem, isto é somente uma fugaz manifestação, quiça recaída, no seu inevitável processo de perda de capacidade cerebral. Mas a criatura fofoca, e fofoca muito…
No vai e vem de suas cretinices bebem, e bebem muito. Consomem álcool de todas as formas. Alguns passam para as ervas e drogas. Afinal, um ácido a mais lhes fazem bem em seu acídico pensar.
O diabo que esta doença se espalhou ainda mais pelos bobocas jornalistas que se dizem donos da verdade. Não são donos de nada, sequer de seus doentios pensamentos.
Existe no mundo um movimento à sinistra. Sinistro mesmo. Financiado e liderado por um tal de Soros. Não é um soro benéfico. É sim um manipulador de causas próprias, típico daqueles que professam o esquerdismo. Mas é perigoso…
O mundo muda e o faz de tempos em tempos. Já tivemos na história moderna um Churchill, uma Tatcher, um Reagan. Hoje, atabalhoadamente um Trump, um Bolsonaro.
Que chorem as esquerdas. Quero ver uma mudança para o lado certo.
O esquerdopata é definitivamente sinistro.


domingo, 20 de janeiro de 2019


TRÊS ANOS
Miriam
1946-2016

Ela se foi…
Três anos se passaram.
Como o vento, o pensamento voou, a memória turva ficou.
Que pena…
Era linda, doce, inteligente.
Enchia a casa, a alma, os corações.
Mas, o que é bom dura pouco. Gostaria que tivesse ficado mais um tempo.Sonhávamos uma aposentadoria gostosa, despreocupada. Nos drinks com os amigos, no gargalhar da conversa jogada fora. No carinho com que os recebia, no calor que nos seus corações deixava.
Fica o que deveria ter ido. Foi aquela que se aqui estivesse os faria mais felizes.
Não há um dia sem a sua lembrança. Não há um momento sem a sua presença, embora etérea.
No mundo para onde foi talvez não haja um lugar para mim.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2018


A LENTA E INEXORÁVEL MORTE DA DEMOCRACIA

Poder pelo povo. Demos e Kratos = Demokratia. Sonho grego que deu ao homem a decisão de organizar a vida pelo desejo coletivo.

Como sonho, vai e volta, manifestando-se de forma transvestida de tempos em tempos.
Julius Cæsar assim o fez quando na Roma democrática se transformou em ditador da república.
Mas o homem só se sente bem tendo um senhor para quem se dirigir. Se não em forma feudal o é em forma religiosa. Nas versões popularescas da democracia se inventou o socialismo e sua expressão mais rígida na doutrina do controle de tudo pelo todo, uma idiotice que acaba com alguns mandando e outros escravizados.
O ditador benevolente ainda tem seu apelo mas, pode se dizer, que todas estas manifestações de organização social duram um certo tempo e depois sucumbem diante de tentativas novas ou remendos à velhos chavões políticos que nada mais são do que a mera manipulação de teses e dogmas em favor de um tirano qualquer ou figura carismática capaz de iludir incautas mentes.
Sim, porque o povo vira e mexe se volta ao antigo líder feudal, o senhor, rei, ditador, ente supremo, seja lá o que for. Se não existe aqui, certamente existiria no outro mundo, onde na ausência de poder vê-lo com ele se encontra em altares de religiões imbecilizantes.
Mas, de tempos em tempos aparece a tal da anarquia. Do século XIX para cá passou à existir, de início na Espanha e Itália, mais tarde passando pela França e se espalhando em movimentos menores e localizados em outras partes do mundo.
No final deste século teve seu ápice quando Sante Geronimo Caserio matou Marie Francois Sadi Carnot em 1894, com uma facada certeira em seu peito. Caserio, um rapaz jovem e bem apessoado era um anarquista italiano. Morreu pela lâmina da guilhotina. Idolatrado, teve seus feitos e sua morte expressos em música, lindas canções populares que marcaram o coração italiano a ponto de Tchaikowsky incluí-la como tema de seu Capriccio Italiano.
Meu avô chegou ao Brasil em 1896 para ser parte da construção de Belo Horizonte. Com ele um disco de baquelite em 78 rotações para gramophone. Nele gravado, a morte de Caserio. Tocava para mim e deixava lágrimas em sua face escorrer. Saudades da bela Itália, saudades de seus amigos partigianos, saudades de suas belas canções. O norte d’Italia era anarquista.
Nesta anárquica forma de governo o que havia era a ausência do mesmo. Cabia à cada cidadão ser dono de si mesmo, respeitar o próximo, não jurar obediência a nada, principalmente à qualquer forma estruturada de hierarquia e comando.
Acho que tudo talvez tenha começado com a bela França. Ao matar a monarquia, literalmente, os franceses fundaram uma república de loucos. Mataram tudo e à todos, inclusive eles mesmos, idealizadores da revolução. Talvez quisessem se livrar do jugo do senhor feudal. Talvez quisessem ser donos deles mesmos, mas acabaram sendo apossados por uma ordem social caótica que se a liberdade lhes foi dada, esta se deu sem a ègalitè e fraternitè, pois Napoleões da hora surgiram e à eles se sucumbiram. Não antes de se espalhar pelo mundo.
Do outro lado do oceano, seres com um grau de civilidade maior fundaram uma carta de direitos e deveres que permanece quase imutável. Ali, nasceu a constituição de uma república realmente democrática. Prevalece até hoje embora com sinais de que está doente, talvez moribunda.
No interregno da francesa, do florescer da americana aos dias de hoje a tal da anarquia deu seus ares de vida. Se pululou com mais ou menos acertos pelos séculos XIX e XX, hoje volta assanha. Volta não menos que na França. Les Gilets Jeunes, rostos mascarados, em atos vandalizantes protestam. À eles juntam-se os Black Blocs e, por dentro, idiotas com ideologias pútridas que tentam se infiltrar e se perdem no emaranhado de um grupo sem ideologia, sem objetivo, somente a desobediência ao sistema vigente, à auto determinação, mesmo que sem sentido algum.
A democracia cansou. Ficou velha, não excita, não responde. A bagunça global com agendas diluidoras dos padrões culturais, do rejeito à identidade individual às fronteiras abertas, migrações desenfreadas ,desmanchou os resquícios do mundo feudal. Dilui sistematicamente o propósito democrático com investidas pelo voto que acobertam a perda de todos os direitos. Alia-se à isto o fundamentalismo religioso que nada mais é do que a volta ao senhor (lord) como entidade onipresente, seja na forma de um Alah, Deus, Cristo ou qualquer outra entidade etérea. Mistura-se à isto um quê de juridiquês com togados safados cumprindo agendas ideológicas ou os próprios ideólogos vomitando suas besteiras. Os aiatolás e falsos profetas que saltitam nesta terra.
No mais tenebroso delinear de um futuro próximo está a divisão pseudo democrática dos globalistas fundamentada em um socialismo roto, gerador de castas burocráticas e políticas sugando o escravizado povo, mentindo e retirando seus valores culturais autênticos pela substituição de uma nova ordem miscigenada, assexuada, transvestida e descerebrada. Some-se à ela (ordem) a obliteração do patrimônio histórico, das origens, do orgulho e da auto determinação. Esta forma de organização, já em andamento pelo planeta afora se contrapõe à outra, mais à direita, perigosa e poderosa forma institucional: o corporativismo democrático, uma estrutura onde o capital geraria uma forma de dominação das massas pelo consumo, seus líderes intocáveis e vivendo um universo utópico, com o acesso desenfreado de todos por tudo premiando os adaptáveis, aqueles que na estrutura creditícia e comportamental teriam suas vantagens e viveriam em um mundo rico.  
Mais abaixo, uma casta de párias, viciados, estragados, deletérios e revoltados que habitariam os sub-mundos das sociedades, rejeitados, sem acesso à quaisquer bens, ausentes do crédito, divorciados das benesses e condenados à própria morte pelo simples descaso da sociedade constituída.
Nesta última forma já se vê o controle do indivíduo pelo estado através da cibernética. Comportamento individual monitorado, reconhecimento facial e correlação à bancos de dados comportamentais, enfim, uma forma de controle Orwelliana já em prática na China e não tão longe de se alastrar pelo mundo. Os computadores quânticos facilitarão sua implementação. O indivíduo seria premiado ou rejeitado pelo seu crédito comportamental. Um mundo onde somente os amados existirão. As cidades crescerão verticalmente e seus porões serão habitados pelos que se perderam. Verdadeiros ratos dominados pelos vícios e premiados por uma desorganização social onde se paga com a vida para viver efemeramente.
Inexoravelmente a democracia sucumbiria. O anarquismo existiria em manifestações esdrúxulas por blocos de encapuzados sem destino. Milionários em palácios rivalizando contrapostos políticos, profetas da desgraça à procura das mentes ainda adaptáveis ao conceito feudal.
Não vejo o futuro com bons olhos.
Vejo sociedades decadentes, sem objetivo.
Talvez seja a hora de partirmos para outros planetas, começar de novo, esquecer a destruição que já fizemos à nós mesmos. A premonição de Hawking está mais próxima do que achamos.
A democracia está morrendo.
Uma nova ordem surgirá?


sexta-feira, 30 de novembro de 2018


SABIÁ NA PORTEIRA
sabia-barranco

Fez seu ninho.
Em um vaso pequeno, redondo, de cor anil…
Cantava feliz, seu canto um encanto, no canto da porta, ali perto, pertinho, do meu violão.
Olhei para ele e ele para mim, bravo ficou, seus filhinhos pelados, ao lado, pedindo comida,pedindo carinho.
Eu lhe disse que não…
Não queria seu ninho, não queria aquela braveza, com certeza.
Pois o sabiá que cantava, me encantava, com uma música tão doce que a minha viola ficava sem fala…
Volte pro ninho, volte meu sabiá, não deixe seus bichinhos com fome ficar.
O tempo vai passar pois agora eu sei que dois mais sabiás vão me ensinar,
No meu violão tocar,
As notas macias de lindos bichinhos que vieram ao mundo para…
No meu coração ficar.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018


100 ANOS

Hoje, há 100 anos atrás nascia ADOLPHO Saturnino Gilberti (carinhosamente chamado de LoFraks)
Figura ímpar, pai maravilhoso, deixou saudades
Aonde estiveres, sejas feliz, meu pai!
29 de Novembro de 2018

domingo, 25 de novembro de 2018


A CASA VIVA

Eram três. Amigos de infância, irreverentes, corajosos. Eram impossíveis…
Na escola um problema certo. Em casa um horror. Bagunçados, desarrumados, viviam à falar sobre o sobrenatural. Uma curiosidade mórbida que florescia em suas mentes. Não tinham medo de nada.
Quando passaram à ler, liam histórias de terror. Não era à-toa que gostavam de Poe. Viam no retrato de Dorian Gray um pouco deles mesmos. Eram capazes de fazer um pacto com o demônio somente para descobrir se o outro lado era tão interessante como achavam.
Aos domingos iam à igreja, uma capela barroca do século XVII, com cemitério e tudo mais. Em sua nave principal os jazigos daqueles que pagaram para morrer mais perto de Deus, como se aquilo fosse realmente garantia do paraíso. Lá fora, em ruínas, o cemitério mal cuidado, mausoléus em despreparo, cruzes e caveiras de ferro fundido.
Gostavam de ir ao campo santo pois ali acharam um túnel subterrâneo que levava à uma cripta com ossos humanos empilhados desordenadamente. Isto era, para eles o máximo. Mas, embora aterrorizante, não os amedrontava. Queriam algo mais misterioso, perigoso, desafiador.
Seu professor de história gostava de coisas inexplicáveis. E foi por ele, o professor, que souberam da casa da fazenda de um Coronel. A casa, abandonada há anos, se situava nos arredores da pequena cidade onde viviam. Fora a sede de um pequeno sítio de férias de um homem importante, fundador da cidade, morador da capital e que mantinha um vínculo saudoso com o local de seu nascimento. Mas um homem de reputação ruim.
Contava o professor que o tal Coronel era mau, muito mau. Casou-se muitas vezes, todas as esposas faleceram e isto aconteceu naquela casa. Quando o dito Coronel morreu, não se sabia da forma em que partiu. Sabia-se que não mais existia. Foi reconhecido numa tarde na varanda da casa e, no dia seguinte, simplesmente sumiu. Nunca mais foi visto, daí suporem que havia morrido.
A casa em despreparo foi vítima do tempo. Era também considerada assombrada. Diziam que as almas das falecidas ali estavam presas num vórtex temporal. Clamavam por vingança. Ouvia-se o choro de mulheres nas noites sem luar, um choro triste, um lamento pungente, um grito desesperado, sufocado.
Os habitantes do local evitavam dela se aproximar. As histórias que contavam induziam ao medo e medo era aquilo que os três não tinham, isto é, até o dia em que fizeram um pacto…dormiriam naquela casa e lá ficariam. Prometeram aos espíritos das trevas que se o fizessem seriam por eles recompensados. Queriam ouro, as riquezas que diziam estar escondidas naquele lugar. Queriam a fortuna do Coronel. Prometeram suas almas, ali nas catacumbas do cemitério em uma noite de Halloween, na frente dos ossos insepultos.
Irreverentes que eram, prepararam uma deliciosa matula. Levaram até uma garrafa de aguardente. Pensavam em fazer como o preto-velho lá do centro de umbanda, ofertando a raivosa aos espirítos do além. Viam nisto uma oferenda de paz caso as almas penadas daquela casa se fizessem de aborrecidas.
Na escola havia uma bela loirinha de olhos azuis. Filha do prefeito, era toda arrumadinha mas tinha um espírito leve. Gostava dos três, gostava da imaginação deles, gostava da ousadia. Não foi adversa ao convite para passar a noite na casa assombrada. Muito pelo contrário achou a ideia incrível. Já havia visitado a cripta com eles e não se assustado com o que viu. Eles, achavam nela a diva que deixava seus corações à sonhar. Qual deles seria agraciado com um beijo? Talvez algo mais? Quem sabe? O certo e que ela somava, alegrava, trazia um ar de sensualidade à missão tenebrosa para a qual se haviam proposto.
A noite era escura. Chovia, e muito… Uma chuva densa, contínua, aborrecida.
Quando lá chegaram quase não viram a casa. Estava coberta por uma neblina densa.
 Escura, triste e abandonada a casa os chamou. Sem aviso algum sua porta principal abriu-se como num convidar para uma festa. Velas que não sabiam existir lá estavam, acesas, tremulantes, à desenhar formas e sombras. Sombras que lembravam pinturas da Divina Comédia de Dante Alliguieri, dançando em um frenesi louco num inferno ardente.
Acharam o cenário ainda mais excitante. Somente a companheira assustou-se.
Intrépidos que eram, logo racionalizaram a estranha e inédita recepção. Era certamente a obra do pacto que fizeram. Os seres das trevas lhes desejavam sucesso. Aninharam-se no empoeirado sofá da sala.
As horas passavam lentas, talvez mais lentas do que seria normal. Por uma razão estranha, ali, naquela casa, o tempo não mudava. Mas algo incontrolável se transformava nas entranhas da edificação.
Não era uma casa grande. Havia uma escadaria imponente que levava ao segundo andar, sob a mesma uma outra, estreita e escura conduzia a um porão de pedras em arcos, mofado, fétido.
Exploravam o segundo andar quando a bela loirinha sentiu algo tocar-lhe nos ombros. Voltando-se rapidamente teve a sensação de que as paredes se aproximavam. Era como se o corredor estreitasse e o papel de parede vitoriano estivesse em movimento. Mas, fixando os olhos na penumbra que envolvia o comodo, não teve certeza do fato. Talvez fossem as imagens trêmulas causadas pelas chamas das velas. Aliás, estas se espalhavam por todos os lugares. Jurariam que havia mais velas acesas do que quando na casa entraram.
A noite não terminava. O relógio parado às doze.
Mais longa ficava, mais estranha, mais lúgubre.
Gemidos, no seu início tímidos, se faziam ouvir. Parecia que saiam das paredes. O volume aumentava e com ele soluços dilacerantes, e, enfim uivos e gritos ensurdecedores. Naquele momento sentiram medo. Um medo real, profundo, avassalador, devorante. De quatro amigos, sobraram três. O mais novo havia desaparecido.
Correram para o andar térreo. Tentaram sair pela porta da frente, mas esta não abria. Todas as janelas haviam se fechado, todas trancadas. Reunidos em frente à lareira seguravam os ferros de atiçar.
As paredes da lareira se fechavam e braços enormes saiam das pedras envolvendo-os num abraço demoníaco. Lutando tentavam se safar quando o corpo do amigo mais novo foi expelido de sua fornalha. Estava totalmente descarnado.
No pânico que lhes dominava lembraram-se das orações que ouviam quando iam à capela. Rezaram e o fizeram em bom som. Por um breve momento tudo parou. O relógio da sala continuava às 12 horas.
Mais recompostos tentaram analisar a situação. Buscavam uma solução, choravam pelo amigo perdido. Ofereceram a matula, a aguardente. Queriam acalmar os espíritos.
Um vulto em uniforme militar, com um sorriso diabólico surgiu saindo das paredes da casa. Era como que se a casa estivesse viva. Era como que precisasse de se alimentar. As almas das mulheres que ali faleceram se desenhavam em suas paredes. Dançavam uma dança de bruxas, rodopiavam e de suas mãos saia um sangue negro que tingia o assoalho.
O vulto militar comandava o espetáculo dantesco. Pequenos duendes pululavam ao seu redor. Seguravam potes cheios de ouro, colocavam-nos a seus pés.
O som de uma versão louca de Carmina Burana se fazia ouvir. Taças de vinho, cheias de sangue brindavam demônios.
Veni, veni, venias
Bibit servus
Bibit velox
Bibit piger
Bibit demus
Bibit anus
As criaturas se descolavam das paredes e se aproximavam. Cercados, não podiam mover. Cercados, se sentiram paralisados, cercados, sentiram seus corpos desmancharem. Descarnados, foram devorados.
Na casa de esposas mortas, na casa de um déspota do passado morreram, todos os quatro. Seus corpos nunca foram encontrados. A casa e seus espíritos deles se havia alimentado. Os seres das trevas cobraram a promessa feita. Lá eternamente ficaram.
Na pequena cidade onde moravam contava-se que a casa, após aquela noite, havia amanhecido mais nova, restaurada.
Era como se tivesse vida novamente.
Ali, à esperar, por alguém, amanhã, no vórtex do tempo…
Alguém que tivesse coragem para ali passar uma noite,
Somente…